Patricia Palumbo

Acervo, cultura e patrimônio.

25/07/2010 · 1 comentário

Tive o prazer de fazer o Roda Viva com Inezita Barroso na semana passada. Como eu era a única mulher jornalista na bancada, Heródoto Barbeiro me deu o privilégio da primeira pergunta e, claro, tive que falar dos 30 anos de Viola, Minha Viola com apresentação de Inezita. A mulher é um ícone da cultura popular no Brasil. Jamais entrou um instrumento eletrônico em seu programa e ela conta isso com o orgulho de quem se sente cumprindo uma missão. Três décadas de programa no ar! É de uma resistência inacreditável! Vale a pena dar uma olhada na página do programa dentro do site oficial da Inezita.
E ela adora o que faz. Adora a viola, a moda caipira, a música do interior e só lamenta a falta de cuidado que o país tem com esses temas que lhe são tão caros. Falamos de cantos devocionais, das festas populares que eu também adoro, como as de São Benedito que tem Congada depois da missa, a de São Pedro que tem procissão de barcos, a de São Sebastião que nunca perco e que tem Folia de Reis – já que é em janeiro.
Inezita também contou de uma viagem de carro que fez rodando o Brasil inteiro e anotando num caderno de viagem tudo o que viu e ouviu. Trouxe um repertório maravilhoso que ninguém quis e num ato de rebeldia, queimou tudo! Disse tambem que tem um acervo gigante em sua casa, mas que não dá pra ninguém. Heródoto perguntou sobre o Museu do Folclore, mais tristeza, ele não existe mais.
Acervos são parte do patrimônio cultural de um país. Temos poucos no Brasil. E eu já vi casos de inacreditável desprezo por coleções preciosíssimas que foram parar no lixo. Discos, gravações raras, registros sonoros, livros, fotos, cartas, diários de viagem como esse que Inezita queimou, são tesouros históricos.
Quando entrei na Rádio Cultura Am, com 18 anos, descobri um mundo de informações e sensações na Discoteca. Lps catalogados, numerados, fichados e todos na memória inacreditável do Reginato, um rapaz que sabia te dizer exatamente qual o número do lp de Ademilde Fonseca cantando “O Que Vier Eu Traço”, em que prateleira estava, ao lado desse ou daquele outro disco que você tinha procurado ontem. Um sonho. Pra nossa sorte, essa discoteca ainda está lá, crescendo, com as ficahas atualizadas e em processo de digitalização.
Isso deveria ser obrigatório por lei. Conservação de acervos e abertura para consulta pública.

O Itaú Cultural me convidou pra inaugurar uma série de encontros sobre o acervo da sua Midiateca. Adorei, claro! Acho o tema fascinante e necessário.
Minha missão foi a de conhecer o acervo, escolher alguns cds e pensar num encontro pra falar do que vi. Bom, aqui vamos nós. Dia 28 de julho, essa semana agora, vou ocupar o auditório da Biblioteca com um papo sobre Elis Regina e seus dois discos produzidos por Nelson Motta nos anos 70, sobre Elizeth Cardoso e o samba, Carlinhos Brown e a canção. Quero falar sobre a escolha do repertório e como isso faz diferença na imagem que o artista projeta para o público.
Vamos ouvir um pouco de música, ver uns vídeos, ler passagens de livros, enfim, usar o acervo pra conversar, trocar idéias, vivenciar a cultura do país. Isso é possível porque o Itaú Cultural mantém um acervo, uma biblioteca, uma midiateca, e a Instituto sabe o quanto isso é importante.
Deixo aqui o link da página do Itaú Cultural pra conferir a programação, mas já fica avisado por aqui. A entrada é franca, só precisa chegar um pouquinho antes pra pegar lugar.
Quarta, 28/07, as 19hs. Avenida Paulista, 149.

Presente do Paulo Caruso

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Arícia Mess bagunça o coreto!

21/07/2010 · Deixe um comentário

Esse vídeo feito pelo Dj Zé Pedro no Crowne Plaza em 2002 mostra Arícia Mess cantando Animal, de Suely Mesquita e Pedro Luis. A música agora é parte da trilha na novela das 8, 9, na tv, mas foi composta pra Arícia cantar há quase duas décadas. Perceba como Suely é genial! E animal é Arícia Mess fazendo esse som.

No Vozes dessa semana tem mais uma música do novo cd Onde Mora o Segredo. O vídeo aqui é só um esquenta pro lançamento oficial do novo trabalho.
Se quiser ouvir mais tem aqui o Myspace de Arícia Mess. Recomendo!

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Borboletas, John Keats e Manoel de Barros

19/07/2010 · Deixe um comentário

Voltei do cinema absolutamente encantada pela poesia. Não só a poesia romântica de John Keats, tema do filme, mas por toda ela. Pela experiência que um poema oferece. “Bright Star” é o nome de um poema de Keats e também dá nome ao filme – lamentávelmente traduzido para “O Brilho de Uma Paixão”. É uma pena. Se lembrarmos que os tradutores de Keats no Brasil são nada menos que Augusto de Campos e Manuel Bandeira, dá até uma tristeza.
Ouvi críticas severas ao filme de Jane Campion num almoço entre amigos mas também li um lindo artigo na Folha de São Paulo que me levou ao cinema. João Pereira Coutinho lembrou da proximidade de Keats com a poesia grega clássica que muito me atrai desde os tempos de faculdade. Tenho perdidos por aqui os livros traduzidos por José Paulo Paes, riquísimas antologias do período clássico grego e latino. De lá eu tiro Píndaro e seu poema sobre a efemeridade da vida e da beleza como um exemplo: “..o homem é o sonho de uma sombra, mas quando os deuses lançam sobre ele a sua luz, claro esplendor o envolve, e doce então é a vida.” A frase mais conhecida de Keats é “A think of beauty is a joy, forever”, onde quer que a vida breve nos leve – traduz Augusto de Campos. E Bandeira ainda faz graça completando: “Mas ele próprio sentiu, quanto essa alegria dói.
O filme de Jane Campion trata disso. Da beleza, da efemeridade, do amor romântico, do tempo que não existe mais. O amor é o cotidiano daquela familia que vive nos campos da Inglaterra. A jovem Fanny, musa de Keats, cria suas próprias roupas, ama dançar e acaba fazendo um viveiro de borboletas em seu quarto enquanto o poeta viaja até o mar. Keats cita as borboletas e o milagre da transformação da lagarta numa de suas cartas. É o suficiente para que a casa vire uma extensão do jardim.
Os poemas de Keats são fortemente ritmados e causam vertigem numa leitura apropriada. Ele fala dessa sensação da leitura de um poema para a sua apaixonada aluna e é um dos momentos mais bonitos do filme. Outro é quando ele fala da memória do toque, às vésperas da viagem que terminaria com sua morte.
O filme é lindo, colorido, doce, amoroso. Talvez eu tenha gostado só porque sou romântica, ou porque gosto de poesia no cinema, na literatura, na música e nas coisas banais desprovidas de poesia. Por isso, lembro aqui Manoel de Barros e seu “Retrato do Artista Quando Coisa” que foi lindamente gravado por Luiz Melodia num arranjo só de voz e cordas. Ficou divino. São poetas próximos. “Borboletas já trocam as árvores por mim, Insetos me desempenham…” Exceto pela forma, acredito que Keats gostaria disso.

Bright Star, o trailer do filme – pra dar mais vontade de assistir…

Prato de Flores, com Nação Zumbi, um exemplo mangue beat de poesia Manoel de Barros

Calcanhotto e Wally, uma dupla que firmou a canção como principal suporte poético da nossa época, como já dizia Leminski lá nos anos 70.

E, melhor que tudo, a tradução de Augusto de Campos para o poema clássico de Keats.

Endymion ( trecho) – John Keats – trad. Augusto de Campos

O que é belo há de ser eternamente
Uma alegria, e há de seguir presente.
Não morre; onde quer que a vida breve
Nos leve, há de nos dar um sono leve,
Cheio de sonhos e de calmo alento.
Assim, cabe tecer cada momento
Nessa grinalda que nos entretece
À terra, apesar da pouca messe
De nobres naturezas, das agruras,
Das nossas tristes aflições escuras,
Das duras dores. Sim, ainda que rara,
Alguma forma de beleza aclara
As névoas da alma. O sol e a lua estão
Luzindo e há sempre uma árvore onde vão
Sombrear-se as ovelhas; cravos, cachos
De uvas num mundo verde; riachos
Que refrescam e o bálsamo da aragem
Que ameniza o calor; musgo, folhagem,
Campos, aromas, flores, grãos, sementes,
E a grandeza do fim que aos imponentes
Mortos pensamos recobrir de glória,
E os contos encantados na memória:
Fonte sem fim dessa imortal bebida
Que vem dos céus e alenta a nossa vida.

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Sem palavras.

13/07/2010 · 2 comentários

Ternura, de K-Ximbinho. Com Paulo Moura.

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Caymmi, o bálsamo benigno.

12/07/2010 · Deixe um comentário

Nada melhor que ouvir Dorival Caymmi num dia em que tudo o que você precisa é olhar o mar e ele está tão longe. No site oficial tem link pra uma página biográfica e pro acervo digital que é uma preciosidade. depois do livro O Mar e O Tempo, escrito por sua neta Stella, esse site é a melhor fonte pra vida e obra do “mar de algodão”. E, a delícia suprema, tem a rádio Maracangalha tocando sem parar. Nesse momento, enquanto escrevo, ouço o samba canção “Nunca Mais”, uma pérola gravada por Lucio Alves, Elizeth Cardoso, Nana Caymmi, o proprio Dorival em 55, Verônica Sabino, Maria Bethânia… e é sempre lindo. De morrer.
E, claro, as que eu mais amo, as canções praieiras. Caymmi é tão genial que inaugurou um gênero só dele. E aqui, nessa lista, só clássicos. Canções que tem como mérito a qualidade rara de unir sofisticação e simplicidade. Esse é dos grandes. Inconteste, pra usar uma dessas palavras fora de moda que eu gosto muito.
Bom, tá com saudade do mar, nego? Ouça Caymmi. Eu vou fazer isso o dia inteiro. E, sem dúvida, pro resto da vida porque “andei, por andar, andei, e todo caminho deu no mar…”

Outro baiano que eu adoro é Carlinhos Brown. Seu primeiro disco, o Alfagamabetizado é um dos meus favoritos. E de lá que eu tiro “Mares de Ti”. Nesse vídeo numa gravação acústica com Saulo, da Banda Eva. Adoro o non sense romantico dessa letra:

Se tropeçar meus pés cansados
Nos mares de ti
Cuidar de mim cuidar de ti
As fases e frases
Desfazem nos jeans
Por que é você que sabe
Aonde surfir
O mais bonito do magnífico
Só teu sorriso esculpe

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Roberto Piva

06/07/2010 · 5 comentários

Morreu o poeta Roberto Piva. Foi no sábado, dia 03, aos 72 anos. Fiquei sentida.
Seus livros fizeram parte da minha formação e da minha ligação com São Paulo quando eu era ainda uma menina e a cidade era atraente e repugnante ao mesmo tempo. Tenho dele uma lembrança nublada e divertida. Ricardo Braga, meu namorado, pai da minha filha e nessa época também poeta, me levou ao acontecimento literário mais importante de 1984: a leitura do Uivo de Allen Ginsberg por Claudio Willer.
Foi no Madame Satã. Willer foi o primeiro tradutor desse ícone da poesia beat norte-americana e a noite reunia a nata da intelectualidade marginal, poetas, boêmios, jornalistas, artistas plásticos, uma loucura!
O poema é imenso, todos sabem, e a leitura tinha um clima ritualístico, de cerimônia para iniciados que pra mim era extremamente sedutor. O jornalista Marcos Faerman, meu ídolo, emocionadíssimo, aos prantos…
A uma certa altura entra alucinado Roberto Piva acompanhado de um lindo jovem loiro. E rodando pelo salão, sempre atrás do rapaz que também não parava quieto, gritava: “encontrei meu Rimbaud!” Sem parar! O menino não estava nem aí pra Willer, Ginsberg, Uivo, poesia beat. Queria balada. Piva queria ele. O rapaz se entendiou e foi embora com amigos. Piva ficou ainda mais doido, gritava e chorava “meu Rimbaud, meu Rimbauzinho…”
Marcão, gaúcho, envolvidíssimo com o poema, ficou puto, levantou o Piva do chão e gritou ainda mais alto: “Não tá vendo, sua bicha, que o michê te largou aqui! Cala tua boca! É o Uivo, porra!!!”
Choramingando por seu Rimbauzinho, Piva sentou num canto e ouviu o poema até o fim.
Foi genial! Intenso! Maluco! Totalmente Roberto Piva. Romântico e desesperado.

Lamento sua morte e ainda mais o desconhecimento de sua obra.
Coloco aqui um dos seus poemas mais importantes pra mim e que revela um pouco do seu autor. Piva andava pelas ruas de São Paulo sempre com um livro, sempre disposto a citar um poema, a criar algo novo.
Vamos ler Roberto Piva.

PRAÇA DA REPÚBLICA DOS MEUS SONHOS
Roberto Piva

A estátua de Álvares de Azevedo é devorada com paciência pela paisagem
de morfina
a praça leva pontes aplicadas no centro de seu corpo e crianças brincando
na tarde de esterco
Praça da República dos meus sonhos
onde tudo se faz febre e pombas crucificadas
onde beatificados vêm agitar as massas
onde García Lorca espera seu dentista
onde conquistamos a imensa desolação dos dias mais doces
os meninos tiveram seus testículos espetados pela multidão
lábios coagulam sem estardalhaço
os mictórios tomam um lugar na luz
e os coqueiros se fixam onde o vento desarruma os cabelos
Delirium Tremens diante do Paraíso bundas glabras sexos de papel
anjos deitados nos canteiros cobertos de cal água fumegante nas
privadas cérebros sulcados de acenos
os veterinários passam lentos lendo Dom Casmurro
há jovens pederastas embebidos em lilás
e putas com a noite passeando em torno de suas unhas
há uma gota de chuva na cabeleira abandonada
enquanto o sangue faz naufragar as corolas
Oh minhas visões lembranças de Rimbaud praça da República dos meus
Sonhos última sabedoria debruçada numa porta santa

Pra não ficar sem música, tiro da seleção de Vozes dessa semana outro poeta beat, Bob Dylan, em versão felicíssima de Péricles Cavalcanti e Caetano Veloso. Gal Costa gravou no Caras e Bocas de 77 e Toni Platão em 2007.

Negro Amor
Composição: Bob Dylan / Versão Péricles Cavalcante e Caetano Veloso

… A estrada é pra você e o jogo é a indecência
junte tudo que você conseguiu por coincidência
e o pintor de rua que anda só
desenha maluquice em seu lençol
sob seus pés o céu também rachou
e não tem mais nada negro amor …

Piva devia gostar de Toni Platão.

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Moska e o feitiço da filosofia

01/07/2010 · 4 comentários

Essa espécie de poeta que é Paulinho Moska me encanta há muito tempo. Quando ele lançou Móbile, em 99, eu fiquei numa alegria juvenil de descoberta. Aquilo era novo, original! E eu andava entediada com a música… Moska me deu novo fôlego e isso acontece de tempos em tempos com artistas que eu admiro, ainda bem! No Móbile com a colaboração muito preciosa de Sacha Amback e Marcos Suzano e sempre com suas letras que fazem pensar, com seu violão muito bem tocado e aquela voz linda, Moska faz a diferença. Ele se transforma, reinventa sua arte e mexe com o lado de cá.

“Os temperos são os mesmos, mas a gente pode misturá-los de maneira diferente e mudar sua imagem da vida, sua relação com o mundo, sua própria imagem o tempo inteiro”- me disse no livro Vozes do Brasil vol.I. E é isso mesmo, ele muda sempre e é sempre o mesmo. Adoro, admiro, respeito, acompanho.

Ainda não ouvi o novo trabalho, o cd duplo Muito Pouco, só três canções que estão no site da Biscoito Fino. Mas eu sei que vou gostar. Gosto da assinatura de Paulinho Moska, dá pra reconhecer uma letra, uma canção dele já nos primeiros segundos. Tem a levada e um encadeamento de frases que é muito peculiar, um discurso que não e fácil mas é palatável, saboroso, sedutor e muito bem construído.

Muito Pouco, diz ele, é um disco quietinho e aconchegante cheio de participações especiais, de Chico César e Maria Gadu à Bajofondo e Kevin Johansen.

Veja aqui a apresentação que ele mesmo faz do Muito Pouco.

E agora “Móbile” numa gravação fisgada no Youtube de um show no Estrela da Lapa em 2007 com Moska, Sacha Amback, Marcos Suzano, Nilo Romero, Christian Oyens e Hamilton de Holanda. Chamar de turma da pesada é pouco…

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Teresa Cristina, a dama roqueira do samba.

29/06/2010 · 4 comentários

Quando essa cantora de voz doce e segura despontou na Lapa carioca logo foi comparada à Paulinho da Viola. Por seu compromisso com a boa música, com o samba de raiz, por sua postura delicada e nobre no palco, seu jeito tranquilo de falar. Foi com um trabalho inteiro dedicado à ele que Teresa Cristina conquistou os ouvidos do país, ganhou prêmios e foi indicada ao Grammy Latino. Teresa e o Grupo Semente já tinham mergulhado em Candeia e conquistado o tradicional reduto boêmio do Rio de Janeiro confundindo sua própria história com a revitalização do samba e desse precioso lugar. Por isso mesmo sua missão agora é a de mostrar que o samba não lhe oferece fronteiras, mas que é só uma parte do que é capaz de fazer.

Seu novo trabalho, Melhor Assim, mostra Teresa Cristina em total sintonia com a diversidade da nossa música. Com toda a propriedade ela canta Adriana Calcanhoto, assina parceria com Lula Queiroga, recebe no palco Marisa Monte, Caetano Veloso, Lenine, Seu Jorge e claro, Arlindo Cruz. O dvd é uma sucessão de delícias. Marisa tocando ukulele e Pedro Baby ao violão demonstram uma alegria tão genuina de estar ali que a gente lamenta estar na sala e não na platéia.

Nesse vídeo, um especial pra TV Brasil, podemos ouvir os depoimentos desses parceiros novos e antigos e a própria Teresa fala dos bastidores da produção do show. Uma delicia! Eu recomendo ver o dvd inteiro, é claro!

Melhor Assim – Teresa Cristina
Programa para a TV Brasil Episódio 1 Bloco 1
Produzido e dirigido pela Samba Filmes
Exibido no Carnaval de 2010

No Vozes do Brasil dessa semana vai pro ar a entrevista que fiz com Teresa sobre Melhor Assim. Falamos até de rock’n roll e descobri que essa doçura de pessoa adora fazer piada e curte futebol. São lindas as histórias que ela conta também sobre as canções e essa parte da nossa conversa vai pro Natura Musical.

Confira o play list e as sintonias do Vozes nas páginas acima. Pra conhecer o projeto Natura Musical é só acessar o portal aqui. Tem muita história boa por lá.

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Seu Jorge e Almaz, a boa surpresa da semana!

22/06/2010 · 5 comentários

Minha noite de segunda foi surpreendente! Recebi uma mensagem no meio da tarde dizendo que Seu Jorge me convidava pro ensaio de seu novo trabalho. Segunda é meu dia de Sesc Instrumental, dia longo, que só acaba depois das nove da noite… Para minha alegria era esse o horário do começo da festa!
Muito bem, lá fui eu, confesso, sem saber o que Seu Jorge andava aprontando, não tinha mesmo a menor idéia. Nosso último encontro foi na YB com Mano Brown e até postei uma fotinho aqui, eu entre os dois grandões…
Chego lá, curiosa, e dou de cara com os geniais Pupillo e Lucio Maia, Antonio Pinto alucinado no baixo e Seu Jorge cantando “Errare Humanum Est” de Jorge Ben. Um groove inacreditável!!!
Pupillo, Lucio Maia, Antonio Pinto e Seu Jorge são o Almaz, um projeto que começou com “Juizo Final” de Nelson Cavaquinho gravada por eles na Ambulante pra trilha de um filme. Os caras adoraram fazer um som juntos e toca a montar repertório. E, meus queridos, que repertório!
Ontem me senti a ouvinte mais privilegiada do planeta! Eles ensaiaram o show todinho e só eu de platéia… que convite incrível! E que som que esse Almaz tá tirando! Pupillo com aquela bateria inacreditável, tocando caixa e berimbau ao mesmo tempo; Lucio Maia e aquela guitarra endiabrada com todos os timbres, solos de arrepiar, os riffs e efeitos mais loucos; Antonio Pinto com um baixo invocado, amarradão na gig.
E o vozeirão de Seu Jorge à serviço das canções de Tim Maia, Jorge Ben, Martinho da Vila, Nelson Cavaquinho, Michael Jackson e Marvin Gaye, só pra citar algumas jóias desse trabalho.
Almaz quer dizer diamante e o projeto sai em Lp e cd duplo por enquanto só nos Estados Unidos e Europa. Almaz sai em turnê daqui a pouquinho e ainda não tem data para o Brasil.
A boa notícia é que o Vozes tem o cd! Mariana Jorge me recebeu muitíssimo bem e ainda me deu de presente a cópia que eu vou colocar no ar! Querida, muito obrigada!

Pra matar a vontade aqui tem um vídeo feito na Irlanda no Festival of World Cultures. O primeiro show do Almaz.

ALMAZ: Seu Jorge, Antonio Pinto, Lucio Maia and Pupillo.
“Juizo Final” , Nelson Cavaquinho
“Cirandar” Martinho da Vila, Joao de Aquino
“Erarre Humanum Est”, Jorge Ben

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O Som, o Silêncio e Nina Becker

18/06/2010 · 6 comentários


Uma semana sem aparecer por aqui. Só passei pra ver os deliciosos comentários deixados pelos leitores. Estive meio fora lendo muito e meditando sobre a importância do som na vida da gente.
Estou impressionada com o nível de barulho do mundo. No meu prédio alguém está destruindo pra reconstruir o apartamento do primeiro andar. Faz duas semanas que ouvimos marretadas por oito horas seguidas. Como pode?
Nos estádios reina a tal “vuvuzela”, não se ouve mais a alternacia de humor das torcidas naquelas olas musicais de alegria ou desespero, é só um zumbido sem fim…
Pra buscar o silêncio devo descer a serra do mar em direção à praia, ir pro Atacama, embarcar num veleiro?

Tirei de uma entrevista com um mestre yogue que os mantras são capazes de conduzir a mente a um plano mais elevado. É o poder do som que faz isso, mais do que o poder das palavras. Mais uma prova de que os sons exercem uma fortíssima influência sobre a gente.

Basta perceber como muda a sua atitude ao volante, por exemplo, quando a música que toca no rádio é mais calma ou mais nervosa. Contamina seu estado de espírito.

Adoro as músicas que respeitam o silêncio, onde se percebem espaços. Conversei sobre isso com Beto Villares que está fazendo um dos cds da Caixa Preta de Itamar Assumpção (lançamento Sesc em breve). E Beto faz isso com seus trabalhos desde sempre. Ele é um músico sensível, um grande produtor. Ouça Excelentes Lugares Bonitos, é um primor.

E aqui em casa, ontem, ouvimos o novo trabalho de Nina Becker. Miranda, o conhecido produtor, roqueiro como todos sabem, teve a sensibilidade de abrir esses espaços na música de Nina. O resultado é um cd duplo gostoso de ouvir. Um é solar, foi gravado com a banda Do Amor e algumas participações especiais. O outro é suave como a noite, delicado e com “Samba Jambo” no repertório entre outras pérolas. Sai pela YB de Mauricio Tagliari que arrasou nas guitarras e outros brinquedos sonoros. Destaque também para o cello de Moreno Veloso que deu uma densidade de arrepiar pra uma das canções. Ainda não sei os nomes das músicas, nem conheço direito a ficha técnica pra citar aqui os músicos e autores. Mas foi uma audição deliciosa.

Nina canta com a Orquestra Imperial, com a banda Do Amor, com o 3 na Massa e eu sonho ve-la com Jorge Mautner e Nelson Jacobina. Seu disco solo (duplo) sai já já pela YB. Por enquanto vocêss ouvem no Vozes do Brasil com exclusividade (que alegria!) e aqui com o 3naMassa.


direção: caroline bittencourt, nina becker, oscar segovia
fotos: caroline bittencourt
edição e montagem:oscar segovia
arte: ana strumpf
figurino: teka paes
make up artist: denylson azevedo

Com a martelada que come solta aqui no prédio, Nina Becker reina soberana ao lado de Nelson Freire e suas brilhantes leituras dos Noturnos de Chopin.

Deus salve o silêncio! E o som.

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