Dois lançamentos muito bem vindos fazem parte da minha bagagem nessas andanças com o Station Brésil. Pegando avião pra lá e pra cá carrego os livros que contam as histórias de dois ícones da música pop no Brasil: Wilson Sinonal e Erasmo Carlos.
“Nem Vem Que Não Tem”, de Ricardo Alexandre, é um trabalho de dez anos de pesquisa e entrevistas. Ricardo, entre outras coisas, foi editor da Bizz e é um jornalista que admiro. Agora mais ainda depois de ler esse livro e comprovar a qualidade de seu texto. O livro é saboroso, de leitura prazerosa e é um documento importante. Um retrato de um grande músico, uma biografia bem escrita que joga luz sobre uma história esquisita e mal contada. Através da leitura vamos descobrindo um Simonal além do mito. Um garoto pobre deslumbrado com a fama e o dinheiro que fez uma tremenda bobagem num momento de extremos no país e pagou por isso pelo resto da vida.
Max de Castro e Simoninha, filhos do cantor, estão celebrando o momento que é quase uma redenção. Numa entrevista para o Vozes eles comentaram que esse parece o “ano Simonal”. Já vimos no cinema “Ninguém Sabe o Duro que Eu Dei”; até o final de novembro deve sair em cd e dvd o show tributo “Baile do Simonal”(o Vozes do Brasil vai mostrar em primeira mão), e agora o excelente livro de Ricardo Alexandre. Finalmente as coisas entram no lugar e podemos ouvir Simonal outra vez sem a sombra do estigma. Pena que ele não tenha vivido pra ver.
E Erasmo Carlos escreveu suas memorias com o ótimo título “Minha Fama de Mau”. Está aqui a trajetória do garoto pobre da Tijuca, amigo de Tim Maia, “secretário” de Carlos Imperial, o Tremendão, um dos mais bem sucedidos compositores da música popular. É divertido ler as histórias das canções feitas com Roberto, as extravagâncias de moleque rico e famoso, as aventuras românticas e quase ingênuas desse “gigante gentil”. É comovente ler o livro. A narrativa não é linear, é emotiva. Escrita em primeira pessoa e sem pretensões literárias e por isso mesmo muito gostosa de ler. Erasmo faz confidencias. É como ouvir um amigo contando as histórias da sua vida. Só que esse é o amigo do rei. Uma delicia.
Os dois livros tem em comum um momento histórico, o nascimento da música pop no Brasil com a Jovem Guarda, os festivais, a Tropicália, a “pilantragem”, o samba rock. Muitos personagens se repetem nas duas publicações, é claro. E isso é muito interessante. A música brasileira está cada dia mais em pauta. Programas de tv se interessam por novos artistas, documentários ganham os cinemas e muitos livros tem sido lançados. Pra quem gosta, como eu, é uma festa! Que venham mais e mais livros como esses.
Não sou muito conhecedor dos meandros da música, mas que lugar maravilhoso para ler um livro!
Meu querido Catatau, um lugar delicioso…
meu programa preferido pra descansar é esse. Vista pro mar e boa leitura.
beijos,
Patricia