Brega? Cafona? Puro clichê? Delicioso!

Tenho que confessar que só entendi o brega em sua essência quando estive no Maranhão com as irmãs Elza e Rita Ribeiro pra conhecer a festa do boi. Foi uma semana linda, colorida, inesquecível, quando conheci os diversos sotaques dessa festa: pandeirão, orquestra, matraca e por aí vai. É um mundo!
Mas o brega é o nosso assunto hoje. Voltando de uma festa, a pé na madrugada, passamos por um terreiro pequenininho, todo enfeitado, em frente à uma pequena capela. As meninas entraram pra rezar um pouco, uma bençãozinha rápida e sairam juntas quando começou a tocar uma música no alto falante e as duas, sem vacilo, se abraçaram pra dançar! Foi a coisa mais linda do mundo! Tudo colorido e com essa mistura maravilhosa que é típica das festas populares no Brasil, da religião com o prazer. Não sei qual era a música, mas elas conheciam muito bem e se divertiram a valer.
Taí, o brega. Música romântica, fácil, cheia de clichês, e boa de dançar junto. Tem melhor?
Essa semana no twitter o escritor Xico Sá, um apreciador do gênero, recomendou um site incrível chamado Quem Gosta de Brega Sou Eu. Fui lá e me diverti horrores! O blog é de Recife e já entendemos todos que o brega nasceu no Nordeste, certo? E mostra vídeos novos e antigos com pérolas do gênero.
A turma mais “inteligente” consome o brega que Caetano Veloso e Adriana Calcanhoto resolvem gravar e deixar chique. Mas, esperto mesmo é quem vai na fonte. Tem que ouvir Odair José, Waldick Soriano, Reginaldo Rossi, por exemplo. Lá no blog indicado pelo Xico Sá tem tudo. E é uma delícia.

Inspirada pelo tema fui buscar algumas coisinhas pra colocar no Vozes e trouxe Catatau, que é de Fortaleza, e Lúcio Maia com seu Maquinado, que é de Recife. Os dois estão na play list da semana pra mostrar o nosso pop-rock-brega-contemporâneo. E como já disse Rita Ribeiro, “tropicalistas somos todos nós”. O romance está na veia do brasileiro e essa visita ao cafona faz parte da nossa tradição.

Separei pro blog o clipe do Cidadão Instigado, O Tempo, com Catatau rasgando o seu pobre coração…

E temos nossos príncipes da soul music nacional, Hyldon e Cassiano que tem um pézinho dentro do brega inegavelmente. Acho até que a nossa soul music é o brega do sudeste, paulista e carioca. E essas a gente canta junto sem vergonha de ser feliz. Ou infeliz?

Cassiano

Hyldon

Marisa Orth adora o brega. Fez uma apologia ao gênero com a Banda Vexame e agora está em cartaz com o show Romance Vol.II que tem exatamente esse acento. Ela canta “Dores do Mundo”, “Sofre” e a genial “Insanidade Temporária” de Flávio Souza e André Abujamra que é um brega legítimo. Ivy Abujamra dirigiu o clipe que posto aqui.

Marisa Orth – Insanidade temporária

Termino com a definição da Enciclopédia da Música Brasileira que diz que a palavra é usada desde 1982, mas há quem diga que “brega” é também o nome das antigas casas de prostituição onde esse tipo de música, de dançar coladinho, sempre fez sucesso.
Brega: coisa barata, descuidada ou mal feita; sinônimo de cafona; música mais banal, óbvia, direta, sentimental e rotineira possível…
E isso não e bom demais? Como já disse o poeta, não são ridículas todas as cartas de amor?

About these ads

8 comentários sobre “Brega? Cafona? Puro clichê? Delicioso!

  1. Pat, mas isso tudo já virou cult e chique! Quero ver é neguinho admitir que gosta de algo que todo mundo que se considera “blasélegantemodernérrimo” acha lixo mesmo e não ter vergonha de falar isso… Bjs procê.

  2. Oi Patrícia! Que alegria ver minha terra citada no seu blog. Aqui em São Luís e no Maranhão de modo geral a música brega tem um lugar cativo. Confesso que a música brega, original, da fonte como vc falou , não faz parte do meu play list preferencial, mas vez ou outra escuto, seja pela minha mãe que é fã, dessas que dança onde ouve tocar, que nem as meninas no terreiro que você viu aqui, ou pelos trabalhadores que ouvem nos “altos falantes” dos seus celulares no ônibus ou ainda quando vou no “Seu Batista” ( um barzinho famoso do Desterro, bairro localizado no centro histórico de São Luís) tomar uma cachaça temperada. Se bem que no Seu Batista só tocam os bregas mais clássicos, como o Waldick e o Nelson Gonçalvez. Mas um brega que eu amo é o Paulo Diniz. Tem coisa mais linda que esse verso “Como vou deixar você se eu te amo?”? Adorooooo!!
    Beijo grande e venha mais vezes ao Maranhão, com certeza será muito bem recebida.

  3. Olá Patricia,de onde vc tirou essas informaçõe s de que o brega nasceu no Recife?Acredito que Reginaldo Rossi é apenas uma parte desse todo. Acho que se você viesse a Belém do Pará,entenderia toda a evolução do Brega até essa nova fase do Tecnobrega.
    Aqui vai um link de 2 bregas clássicos.
    Enjoy!


    -

  4. Oi Carla,
    obrigada pela dica, adorei!
    Não disse que o brega nasceu no Recife mas que ele é bem forte no Nordeste. Você tem toda razão sobre o Pará. Quero muito hora desssas ver tudo isso de perto.
    beijo
    Patricia

  5. Olá, Patricia!
    Tudo tranquilo!
    Sou companheiro do Luís Capucho que está lançando o seu 2º cd chamado “CINEMA ÍRIS” e gostaria de lhe enviar para você curtir.
    Como faço?!?!?!
    Adoro o seu programa!
    Abraço,

    Pedro Paz.

    *****

  6. Brega é, sim, também o nome das casas de prostituição. Passou a ser a denominação brasileira para o kitsch, o mau gosto, o exagero nas descrições de emoções. O brega cantaria amores felizes e infelizes sem muita sutileza poética ou virtuosismo instrumental, apesar de ter bons cantores como Agnaldo Timóteo, Nélson Gonçalves ou Wanderley Cardoso. O problema é que as pessoas saem da rejeição às vezes pré-conceituosa para a veneração cult. As duas reações são acríticas; uma parece querer compensar o preconceito da outra, assumindo um certo paternalismo. Menos, menos. Se existem coisas boas em Odair José, Fernando Mendes, talvez representantes de uma concepção, digamos, suburbana que não existe mais, temos troços simplesmente atrozes como “Coração Materno”, de Vicente Celestino, que Caetano gravou o disco-manifesto da Tropicália. Ali é o mau gosto apelativo puro e simples. A verdade é que a produção de procarias não é prerrogativa desse ou daquele gênero. Elas existem, e em grau expressivo, também no pop brasileiro ou no pop internacional que aporta por aqui. Só que mais fashion.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s