Ninguém representou melhor a juventude dos anos 60, 70 no Brasil do que Gal Costa. Uma mulher linda, libertária, dando seu recado de novos tempos com pés descalços, muita voz e atitude. Fez espetáculos antológicos, gravou discos que representavam sua geração na arte e no comportamento com capa de Hélio Oiticica, poemas de Torquato Neto, Waly Salomão e Capinam, músicas novas de Caetano, Gil, Melodia, Jorge Ben, João Donato. Sua voz foi responsável por grandes sucessos na carreira desses autores e outros mais. Fez o Brasil cantar Caymmi e Ary Barroso, deu novos ares pra Chico Buarque e Tom Jobim. Gal é uma das maiores cantoras do Brasil.
E quando digo isso não estou sozinha. O poeta Torquato Neto em sua Geléia Geral escreveu em 1971 por ocasião do show Gal a Todo Vapor:
“Disse e repito: Gal é a maior cantora. E garanto.
E você, bobão tropicalista, não venha me falar em épocas: todo mundo sabe que existem cantoras maiores em cada “época”, para todas as “épocas”, e que Aracy é a maior cantora e que Angela e Dalva também são as maiores e que Elizeth ainda é a maior cantora. Mas se você quer saber mesmo da maior cantora, a que sintetiza melhor e mais profundamente todas as “épocas” aqui, a mais quente, perfeita e livre e eu lhe digo, bobão: Gal. “
Aqui ela canta Torquato Neto.
Agora cantando Caetano Veloso.
E registrando pra história uma canção de Roberto e Erasmo Carlos.
No programa Ensaio, do gênio Fernando Faro, fazendo Macalé e Duda com o Som Imaginário.