Patricia Palumbo

Entradas etiquetadas como ‘Caetano Veloso’

Quer aprender a sambar? Caetano e Moreno Veloso ensinam!

11/02/2010 · 1 comentário

Às vésperas da maior festa do samba (ou pelo menos era assim antigamente) eu vou contribuir com uma aula fundamental. Caetano e Moreno Veloso dão seus passinhos e ensinam as diferenças e os truques de um bom samba no pé. Esse vídeo é genial!!

E eu aproveito pra copiar aqui um texto delicioso que lí num dos blogs que eu mais frequento, que é o Quando Nada está Acontecendo, de Noemi Jaffe. Tem sempre ótimos textos, mas esse sobre Caetano eu queria ter escrito…

ontem, cantarolando a canção “qualquer coisa”, me dei conta de que nela, rimam as palavras “apanhe” e “mamãe”. “quero que você ganhe, que você me apanhe, sou o seu bezerro gritando mamãe.” logo depois, numa conversa, fiquei sabendo dos manifestos jóia e qualquer coisa, em que caetano veloso defende com a mesma contundência a precisão do ourives e o relaxamento expansivo. e mais uma vez, então, me senti mais livre por reconhecer a genialidade de caetano e por saber que ele está muito vivo e entre nós. não é um reconhecimento reverencial, ou é também; mas é algo mais. o gênio é aquele que reúne potencialidades esparsas; junta paradigma e sintagma, a latência e potência, numa mesma liga forte e duradoura. caetano, quer namorar comigo?

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Parangolé Pamplona você mesmo guarda??

17/10/2009 · 6 comentários

images-7 Logo agora que o Brasil começava a dar a devida importância para sua obra, o acervo de Helio Oiticica queima no Rio de Janeiro. Num incêndio trágico tudo o que era guardado na casa da família desse artista de vanguarda dos anos 50 e 60, o mais antenado com o mundo daquela época aqui no Brasil, foi destruído. Hélio Oiticica criou os famosos parangolés e vestiu com eles os moradores do morro da Mangueira. Oiticica fez as caixas penetráveis, obras de arte para entrar dentro, para vivenciar sensações, e uma delas se chamava Tropicália. Foi daí que surgiu o nome do movimento que revolucionou a música brasileira. E Caetano Veloso nem o conhecia pessoalmente quando o nome da obra lhe foi entregue de bandeja. Caiu como uma luva.
O penetrável Tropicália era formado por duas tendas com areia e brita espalhadas pelo chão, araras e vasos com plantas e uma espécie de labirinto que percorria a tenda principal, às escuras. Ao fundo um aparelho de televisão ligado. Helio Oiticica defendia a antropofagia como o único caminho da cultura verdadeiramente brasileira, original, não colonizada.

tropicalia_oiticica

Adriana Calcanhotto, ligada em cinema, literatura e artes plásticas fez sua homenagem com Parangolé Pamplona no disco Maritmo: “Parangolé Pamplona você mesmo faz, com um retângulo de pano de uma cor só… e é só dançar, é só deixar a cor tomar conta do ar…”

Na prestigiosa galeria de arte Tate Modern, em Londres, Helio Oiticica fez uma mostra histórica e levou seus parangolés tropicais.

O que mais me assusta nesse incêndio trágico é saber que obras e acervos espalhados por esse Brasil estão por aí nessa situação precária. Hoje perdemos a obra de Hélio Oiticia e a todo momento quando uma rádio muda de endereço, por exemplo, milhares de horas de gravações históricas, de documentos culturais importantíssimos, são literalmente jogados no lixo em nome da falta de espaço. Ou será por falta de vontade, de entendimento, de educação? Quando será que esse país se levará à sério? Quando será que os investimentos em cultura e educação ganharão a importância que tem as ampliações de portos, rodovias, duplicação de marginais…
Parangolé Pamplona você mesmo guarda?
É triste.

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Eu não ando, eu só sambo… por aí…

05/08/2009 · 6 comentários

vida_fot25A letra de “Samba Jambo” de Jorge Mautner é a coisa mais bonitinha do mundo! “Os seus olhinhos sempre tem, meu bem, aquela luz da aurora da manhã…”, fala sério!
Hoje separei essa música pra tocar no Vozes. Tirei do cd duplo O Ser da Tempestade – que saiu no final da década de 90 como um tributo ao filósofo do KAOS.
A primeira vez que vi o Mautner foi num show bagunçadíssimo e muito divertido. Era só para estudantes (eu tinha 18 anos), só ele e Nelson Jacobina. Os dois lindos de morrer, sem camisa por que estava um calor absurdo, cabelos compridos e fazendo um som que eu nunca tinha ouvido antes. Amei.
Os trabalhos mais recentes da dupla Mautner/Jacobina podem ser ouvidos num disco de 2007, Revirão, que saiu sem fazer muito barulho. Antes disso Caetano gravou com ele o cd Eu Não Peço Desculpa, e Jacobina é um dos músicos da seleção Orquestra Imperial.
Bom, pra curtir Jorge Mautner deixo aqui um videozinho onde ele explica o KAOS e na sequência um que tem o show de Caetano com participaçao dos dois aqui citados.
Atente para Celso Sim fazendo a segunda voz em “Maracatu Atômico”. Tão bonitinho…

Caetano Veloso e Jorge Mautner

Mais fotos de Jorge Mautner, olha só que personagem…

1972 Lança o LP Para Iluminar a Cidade e o compacto Planeta dos Macacos, pelo selo Pirata, da Polygram. O disco é lançado por um preço mais baixo que o de mercado, e as lojas começam a boicotá-lo. Assim, o selo Pirata deixa de existir, e o disco é retirado de circulação. Realiza shows em penitenciárias para detentos e também na Casa das Palmeiras (de Nise da Silveira) para os internos, no Rio de Janeiro.

1972 Lança o LP Para Iluminar a Cidade e o compacto Planeta dos Macacos, pelo selo Pirata, da Polygram. O disco é lançado por um preço mais baixo que o de mercado, e as lojas começam a boicotá-lo. Assim, o selo Pirata deixa de existir, e o disco é retirado de circulação.

poeta performático

poeta performático

Só pra lembrar, pra ouvir “Samba Jambo” sintonize o Vozes do Brasil dessa semana. Veja os horários e as emissoras na página Vozes do Brasil no Rádio aí em cima do blog. OU entre no link Território Eldorado pra ouvir sob demanda. E não esqueça de prestar atençao na letra…

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ILUSÃO À TÔA

06/07/2009 · 7 comentários

Outro maravilhoso compositor que me apraz comentar: Johny Alf. Foi ele quem escreveu a maravilhosa “Ilusão à Tôa” lá pelo começo da década de 60. Sylvia Telles gravou lindamente. Os versos lhe cairam bem, muito bem mesmo. Acho que tem a ver com um discurso amoroso feminino isso de falar de uma ilusão à tôa, amor discreto pra uma só pessoa… coisas assim. Tem uma tristezinha mas ao mesmo tempo e delicado e esperançoso. É isso é muito feminino.
No disco Cê, Caetano Veloso, o maior entre os nossos contemporâneos, fez de novo aquela brincadeira criativa, genial, de citar e criar sobre uma obra de referência. A primeira vez foi com “Saudosismo” que faz uma linda homenagem à bossa nova, à João Gilberto, e que ele gravou com Gal Costa no lp de estréia dos dois, “Domingo”. Em Cê, ele gravou Ilusão à Tôa e a inédita “Amor Mais que Discreto”.
Para nosso deleite, as duas juntas aqui:

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