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Ouça Aqui: Carlinhos Brown e sua infância no Candeal, Benjor por Marisa Monte, Marina por Karina Zeviani, Maysa por Angela Ro Ro, Adriana Calcanhoto e Mart’nália.

Carlinhos Brown fez seu show Romântico Ambiente no auditório do Ibirapuera no último sábado. Muito antes disso, quando os dois cds estavam ainda quase prontos, o Adobró e o Diminuto, fui ao Rio de Janeiro me encontrar com ele. Gravamos no Horto, inesperadamente dentro do estúdio do Dado Villa Lobos que nos encontrou na rua buscando um lugar. Foi lindo. Tocou piano, contou histórias, daquele jeito que a gente conhece. Um pedacinho desse encontro tá aqui. Mais sobre a turnê e os discos você encontra no hot site do Brow no Natura Musical.


VOZES DO BRASIL BL.01 - (Descalço No Parque /Marisa Monte, Alívio/Mart’nália, Forasteiro/Thiago Pethit, O Tempo Não Passou/Adriana Calcanhotto, Confessional/Karina Zeviani, Demais/Ângela Rô Rô)


VOZES DO BRASIL – BL.02 – Carlinhos Brown Especial
(Centro da Saudade, Você merece Samba, Pestaneja, Odô Amin, Adobró, Desde)

Acervo, cultura e patrimônio.

Tive o prazer de fazer o Roda Viva com Inezita Barroso na semana passada. Como eu era a única mulher jornalista na bancada, Heródoto Barbeiro me deu o privilégio da primeira pergunta e, claro, tive que falar dos 30 anos de Viola, Minha Viola com apresentação de Inezita. A mulher é um ícone da cultura popular no Brasil. Jamais entrou um instrumento eletrônico em seu programa e ela conta isso com o orgulho de quem se sente cumprindo uma missão. Três décadas de programa no ar! É de uma resistência inacreditável! Vale a pena dar uma olhada na página do programa dentro do site oficial da Inezita.
E ela adora o que faz. Adora a viola, a moda caipira, a música do interior e só lamenta a falta de cuidado que o país tem com esses temas que lhe são tão caros. Falamos de cantos devocionais, das festas populares que eu também adoro, como as de São Benedito que tem Congada depois da missa, a de São Pedro que tem procissão de barcos, a de São Sebastião que nunca perco e que tem Folia de Reis – já que é em janeiro.
Inezita também contou de uma viagem de carro que fez rodando o Brasil inteiro e anotando num caderno de viagem tudo o que viu e ouviu. Trouxe um repertório maravilhoso que ninguém quis e num ato de rebeldia, queimou tudo! Disse tambem que tem um acervo gigante em sua casa, mas que não dá pra ninguém. Heródoto perguntou sobre o Museu do Folclore, mais tristeza, ele não existe mais.
Acervos são parte do patrimônio cultural de um país. Temos poucos no Brasil. E eu já vi casos de inacreditável desprezo por coleções preciosíssimas que foram parar no lixo. Discos, gravações raras, registros sonoros, livros, fotos, cartas, diários de viagem como esse que Inezita queimou, são tesouros históricos.
Quando entrei na Rádio Cultura Am, com 18 anos, descobri um mundo de informações e sensações na Discoteca. Lps catalogados, numerados, fichados e todos na memória inacreditável do Reginato, um rapaz que sabia te dizer exatamente qual o número do lp de Ademilde Fonseca cantando “O Que Vier Eu Traço”, em que prateleira estava, ao lado desse ou daquele outro disco que você tinha procurado ontem. Um sonho. Pra nossa sorte, essa discoteca ainda está lá, crescendo, com as ficahas atualizadas e em processo de digitalização.
Isso deveria ser obrigatório por lei. Conservação de acervos e abertura para consulta pública.

O Itaú Cultural me convidou pra inaugurar uma série de encontros sobre o acervo da sua Midiateca. Adorei, claro! Acho o tema fascinante e necessário.
Minha missão foi a de conhecer o acervo, escolher alguns cds e pensar num encontro pra falar do que vi. Bom, aqui vamos nós. Dia 28 de julho, essa semana agora, vou ocupar o auditório da Biblioteca com um papo sobre Elis Regina e seus dois discos produzidos por Nelson Motta nos anos 70, sobre Elizeth Cardoso e o samba, Carlinhos Brown e a canção. Quero falar sobre a escolha do repertório e como isso faz diferença na imagem que o artista projeta para o público.
Vamos ouvir um pouco de música, ver uns vídeos, ler passagens de livros, enfim, usar o acervo pra conversar, trocar idéias, vivenciar a cultura do país. Isso é possível porque o Itaú Cultural mantém um acervo, uma biblioteca, uma midiateca, e a Instituto sabe o quanto isso é importante.
Deixo aqui o link da página do Itaú Cultural pra conferir a programação, mas já fica avisado por aqui. A entrada é franca, só precisa chegar um pouquinho antes pra pegar lugar.
Quarta, 28/07, as 19hs. Avenida Paulista, 149.

Presente do Paulo Caruso

Caymmi, o bálsamo benigno.

Nada melhor que ouvir Dorival Caymmi num dia em que tudo o que você precisa é olhar o mar e ele está tão longe. No site oficial tem link pra uma página biográfica e pro acervo digital que é uma preciosidade. depois do livro O Mar e O Tempo, escrito por sua neta Stella, esse site é a melhor fonte pra vida e obra do “mar de algodão”. E, a delícia suprema, tem a rádio Maracangalha tocando sem parar. Nesse momento, enquanto escrevo, ouço o samba canção “Nunca Mais”, uma pérola gravada por Lucio Alves, Elizeth Cardoso, Nana Caymmi, o proprio Dorival em 55, Verônica Sabino, Maria Bethânia… e é sempre lindo. De morrer.
E, claro, as que eu mais amo, as canções praieiras. Caymmi é tão genial que inaugurou um gênero só dele. E aqui, nessa lista, só clássicos. Canções que tem como mérito a qualidade rara de unir sofisticação e simplicidade. Esse é dos grandes. Inconteste, pra usar uma dessas palavras fora de moda que eu gosto muito.
Bom, tá com saudade do mar, nego? Ouça Caymmi. Eu vou fazer isso o dia inteiro. E, sem dúvida, pro resto da vida porque “andei, por andar, andei, e todo caminho deu no mar…”

Outro baiano que eu adoro é Carlinhos Brown. Seu primeiro disco, o Alfagamabetizado é um dos meus favoritos. E de lá que eu tiro “Mares de Ti”. Nesse vídeo numa gravação acústica com Saulo, da Banda Eva. Adoro o non sense romantico dessa letra:

Se tropeçar meus pés cansados
Nos mares de ti
Cuidar de mim cuidar de ti
As fases e frases
Desfazem nos jeans
Por que é você que sabe
Aonde surfir
O mais bonito do magnífico
Só teu sorriso esculpe

Moreno Veloso no Olodum e Marina Lima na Timbalada – Grito de Carnaval no Vozes do Brasil!!!

Eu gosto muito de carnaval, adoro o pretexto pra vários dias de folia, adoro as antigas marchinhas e até achava que a Chiquita Bacana existia de verdade. Quando era criança fazia parte de um bloco organizado por minha mãe e saía com meus irmãos e amigos na avenida da praia todos os anos. Começamos fantasiados de índios com um bumbo, duas caixas e um monte de apitos, nos últimos desfiles tínhamos carro alegórico e uma bateria campeã. Minha mãe compunha o samba enredo… Foram muito bons esses carnavais de rua.
Hoje tenho preguiça da aglomeração e do repertório dos trios, mas ainda gosto de assistir os desfiles e acompanhar o movimento de longe. E gosto especialmente dos blocos de percussão como a Timbalada e o Olodum que tem vida além da festa.

O Olodum tem escolas de canto, dança, percussão, o grupo de teatro de onde saiu Lázaro Ramos, gravações com Paul Simon, Ziggy Marley e Jimmy Cliff e aquela batida inconfundível. Achei no youtube, meu canal de tv preferido, esse vídeo de Rappin Hood com a Banda Olodum Mirim, um clip feito pro projeto Tambor Cidadão.

Moreno Veloso no cd “Maquina de Escrever Música”, o primeiro do projeto + 2, gravou a deliciosa “Deusa do Amor” em versão voz e violão e canta “… foi no bloco Olodum que encontrei meu amor…” Está na programação de carnaval do Vozes do Brasil dentro desse espírito de buscar pérolas no repertório da folia de momo.

O outro bloco que eu adoro é a Timbalada que começou depois que Carlinhos Bown virou o timbau e passou a tocar o instrumento de pé e com as duas mãos. Ele foi o maestro da Timbalada que já chegou a reunir 400 percussionistas de uma vez só. E isso é de uma força incomparável! Ele mesmo já gravou aguns sucessos de carnaval e faz a ponte entre o que antigamente se chamaria de lançamento de meio de ano com o que se toca nas ruas. Mas foi Marina Lima que se destacou numa apropriação de repertório. Ela gravou no disco “Abrigo” de 95, a canção “Beija Flor”, de Xexéu e Zé Raimundo. Tocou muito nas rádios naquele ano e eu toco até hoje. Me lembro de ver Marina fazendo a coreografia da Timbalada nos shows dessa turnê, charme total! O arranjo dela, de Willian Magalhães e Fernando Vidal ficou excelente. E o clip, feito por Andrucha Waddington é uma maravilha.

Esse é o grito de carnaval do Vozes do Brasil!!!

Dia Carlinhos Brown

brown e eu

brown e eu

O novo trabalho de Carlinhos Brown, pasmem, é puro rock’n roll!! O disco apareceu sem capa mas direto das mãos do criador. Junto com Arnaldo Antunes ouvimos hoje a tarde quase o disco todo. Marina dos Mares, música dedicada a Dorival Caymmi, já virou febre em Salvador. A canção tem sonoridades elétricas, um ritmo luminoso e está interpretada pelo grupo Mar Revolto, composto por Carlinhos Brown, Géo Benjamin, Octávio Américo e Raul Carlos Gomes. Mas em várias faixas Brown toca todos os instrumentos.
Animado com o encontro, Arnaldo aproveitou pra fechar com o baiano mais algumas parcerias. Basta que se encontrem pra isso acontecer. No meio do almoço já saiu música nova.
Audição privilegiada!

Audição privilegiada!


E vem novidade por aí. Todos sabem que Carlinhos Brown tem feito muito mais coisa fora do Brasil do que por aqui. Não por acaso inventou o Carlito Marron e saiu tocando cumbias e rumbas. Nessa tarde ele recebeu um telefonema de Sergio Mendes – sim o próprio! O cara que levou o suingue brasileiro pro topo das paradas norte-americanas e ainda esse mês recebe o maestro da timbalada para um trabalho conjunto.
Conversar com Carlinhos Brown é entender como sai tanta coisa diferente de uma mesma pessoa. A criatividade jorra como água. E faz todo sentido. Além de sua música, o cara se ocupa de projetos sociais incríveis e está antenadíssimo com as questões ambientais. Esse deve ser o tema de seu novo disco. Vejam o ritmo… mal saiu esse e já prepara outro. Muito bom pra quem, como eu, é fã de Argila, Meia Lua Inteira, Mares de Ti, Seu Zé, Soul By Soul, Busy Man e tantas outras.
o sossego da Bahia...

o sossego da Bahia...