Nada melhor que ouvir Dorival Caymmi num dia em que tudo o que você precisa é olhar o mar e ele está tão longe. No site oficial tem link pra uma página biográfica e pro acervo digital que é uma preciosidade. depois do livro O Mar e O Tempo, escrito por sua neta Stella, esse site é a melhor fonte pra vida e obra do “mar de algodão”. E, a delícia suprema, tem a rádio Maracangalha tocando sem parar. Nesse momento, enquanto escrevo, ouço o samba canção “Nunca Mais”, uma pérola gravada por Lucio Alves, Elizeth Cardoso, Nana Caymmi, o proprio Dorival em 55, Verônica Sabino, Maria Bethânia… e é sempre lindo. De morrer.
E, claro, as que eu mais amo, as canções praieiras. Caymmi é tão genial que inaugurou um gênero só dele. E aqui, nessa lista, só clássicos. Canções que tem como mérito a qualidade rara de unir sofisticação e simplicidade. Esse é dos grandes. Inconteste, pra usar uma dessas palavras fora de moda que eu gosto muito.
Bom, tá com saudade do mar, nego? Ouça Caymmi. Eu vou fazer isso o dia inteiro. E, sem dúvida, pro resto da vida porque “andei, por andar, andei, e todo caminho deu no mar…”
Outro baiano que eu adoro é Carlinhos Brown. Seu primeiro disco, o Alfagamabetizado é um dos meus favoritos. E de lá que eu tiro “Mares de Ti”. Nesse vídeo numa gravação acústica com Saulo, da Banda Eva. Adoro o non sense romantico dessa letra:
Se tropeçar meus pés cansados
Nos mares de ti
Cuidar de mim cuidar de ti
As fases e frases
Desfazem nos jeans
Por que é você que sabe
Aonde surfir
O mais bonito do magnífico
Só teu sorriso esculpe
Baden Powell fez os maravilhosos afro-sambas com Vinicius de Moraes e sua obra é conhecida pela relação estreita com os ritmos africanos. Hoje, dia de Iemanjá, 2 de fevereiro, aproveito pra postar aqui uma parte do documentário “Saravah” realizado pelo francês Pierre Barouh. Ele esteve no Vozes por ocasião do lançamento do filme em dvd aqui no Brasil e foi lindo! Esse documentário merece ser assistido. Tem Baden, Bethânia e Pulinho da Viola super jovens tomando uma cerveja, tocando violão e conversando com Barouh. É maravilhoso. Hoje, destacamos o papo sobre Iemanjá.
É impossível falar do mar e da intimidade da canção brasileira com as tradições africanas sem citar Dorival Caymmi, aquele mulato lindo que encantou e foi encantado por Carmem Miranda e imortalizou a nossa Bahia.
Aqui nesse trecho de outro documentário, “Um Certo Dorival Caymmi”, de Aluisio Didier, Caymmi fala de sua estréia no rádio, assunto que muito me interessa. A gente até já conhece a história, mas vale a pena ouvir de novo especialmente quando é ele mesmo que conta.
Bruno Morais é um jovem cantor talentoso e sensível. Tem um lindo timbre e escolhe bem as músicas pra cantar além de compor muito bem. Já esteve no Vozes do Brasil ao lado de Lucas Santana e Rômulo Fróes (tem post aqui no blog) e cantando com o Nouvelle, chiquérrimo. Hoje ele aparece com esse novo clipe de “Hino dos Corações Partidos F.C”, faixa do cd A Vontade Superstar (YB). A música não é triste, como pode sugerir o título, mas é doce, poética, amorosa e o clipe a traduz perfeitamente. É uma festa com amigos de verdade, tá na cara. Ninguém está atuando e nisso está a força do filme. “Corações partidos, sigam-me…”, pra um encontro desses, me chama que eu vou! Ficou lindo e foi feito no Rio de Janeiro com direção da cineasta gaúcha Daniela Cuchiarelli, fotografia de Andréa Capela e direção de arte de Flavia Suzue.
Agora Dorival Caymmi. A voz desse baiano sempre me faz suspirar. De romântica ou de saudades da praia. E quem chamou minha atenção pra esse lindo trecho de filme foi o pernambucano Junio Barreto no facebook. Eu já assisti “Estrela de Manhã” porque adoro “filme velho”, como diz uma amiga minha. Amo essa estética anos 50, esses galãs que merecem o título… Mas, enfim, Caymmi faz papel de um jovem mulato romântico, pescador e cantador nesse longa metragem cujo argumento foi de Jorge Amado, roteiro de Rui Santo, direção de Jonald Santos. As músicas eram simplesmente de Dorival Caymmi e Radamés Gnatalli e “Nunca Mais” fazia parte do repertório.
Buscando mais informações sobre o filme caí na ótima página do acervo de Dorival Caymmi que tem um clipping extraordinário com esse tipo de recorte de jornal digitalizado. Além da ficha técnica tem aqui um resumo do roteiro. Muito bacana.
O novo trabalho de Carlinhos Brown, pasmem, é puro rock’n roll!! O disco apareceu sem capa mas direto das mãos do criador. Junto com Arnaldo Antunes ouvimos hoje a tarde quase o disco todo. Marina dos Mares, música dedicada a Dorival Caymmi, já virou febre em Salvador. A canção tem sonoridades elétricas, um ritmo luminoso e está interpretada pelo grupo Mar Revolto, composto por Carlinhos Brown, Géo Benjamin, Octávio Américo e Raul Carlos Gomes. Mas em várias faixas Brown toca todos os instrumentos.
Animado com o encontro, Arnaldo aproveitou pra fechar com o baiano mais algumas parcerias. Basta que se encontrem pra isso acontecer. No meio do almoço já saiu música nova.
Audição privilegiada!
E vem novidade por aí. Todos sabem que Carlinhos Brown tem feito muito mais coisa fora do Brasil do que por aqui. Não por acaso inventou o Carlito Marron e saiu tocando cumbias e rumbas. Nessa tarde ele recebeu um telefonema de Sergio Mendes – sim o próprio! O cara que levou o suingue brasileiro pro topo das paradas norte-americanas e ainda esse mês recebe o maestro da timbalada para um trabalho conjunto.
Conversar com Carlinhos Brown é entender como sai tanta coisa diferente de uma mesma pessoa. A criatividade jorra como água. E faz todo sentido. Além de sua música, o cara se ocupa de projetos sociais incríveis e está antenadíssimo com as questões ambientais. Esse deve ser o tema de seu novo disco. Vejam o ritmo… mal saiu esse e já prepara outro. Muito bom pra quem, como eu, é fã de Argila, Meia Lua Inteira, Mares de Ti, Seu Zé, Soul By Soul, Busy Man e tantas outras.
Sempre é tempo de render homenagens à rainha do mar. Especialmente porque vivemos tão longe da praia aqui em São Paulo. Adriana Calcanhotto fez mais um lindo disco com o tema azul, o mergulho, o salgado, o profundo, e dessa vez, no Maré, gravou Sargaço Mar de Dorival Caymmi com o violão de Gilberto Gil. Ficou lindo. E achei no YouTube essa ediçao de imagens com a canção.
Reproduzo aqui.
A proposito, estou lendo o livro de Beto Pandiani, “O Mar é Minha Terra”. Ele descreve cenas incríveis de suas vivências pelos oceanos do mundo. Por exemplo o céu refletido num mar de azeite de tão calmo, uma escuridão pontilhada de estrelas… Tem que ler! A resignificação da vida diante da imensidão.