Estou lendo a biografia de Elizeth Cardoso por Sergio Cabral e estou louca por ela. Além de ser uma das vozes mais lindas do mundo foi uma pessoa muito interessante. Namoradeira, gostava de dançar, super batalhadora, estou encantada.
Ela teve muitos admiradores entre os grandes da nossa música, Jacob do Bandolim e Ary Barroso, por exemplo. Com Jacob ela gravou aquele show maravilhoso com o Conjunto Época de Ouro e entre outras pérolas cantou “Feitiço da Vila” de Noel e Vadico que eu coloquei no Vozes do Brasil dessa semana. Ary fez pra ela o clássico “É Luxo Só” e nesse vídeo ela conta essa história.
Agora vejam o que é um encontro de Titãs! Elza Soares e Elizeth cantando juntas na tv (a extinta TV Record…) e improvisando como cantoras de jazz! O conjunto é do Caçulinha.
Hoje é dia de Vozes do Brasil inédito aqui em São Paulo. Depois ele segue por aí pra Curitiba e Santos no sábado e na outra terça vai pra Belo Horizonte.
No final do ano passado conversei com Elza Soares, Dominguinhos e Francis Hime e guardei as entrevistas pra começar 2010. Aí estão, com uma programação do repertório desses feras da nossa música. Aproveito também o primeiro do ano pra tocar coisas novas, discos que recebi nas férias e gostei muito. Tem Otto, Ed Motta e Maria Rita, Ana Carolina e Luiz Melodia, Anelis Assumpção e Gui Amabis, Fernanda Takai e John Ulhoa. Vários duetos por uma feliz coincidência. Essa gravaçao da Ana Carolina com o Melodia é incrível. Eu adoro o samba “Cabide” que Ana compôs pra Mart’nália e tinha curiosidade de ouvir na voz da autora. Taí, com a preciosa contribuição de um dos maiores cantores do Brasil. Me deixa feliz ouvir Luiz Melodia cantar por isso toco sempre no programa e quem ouve o Vozes faz tempo até grita “bingo!”. O dueto de Ed com Maria Rita também está delicioso. A pilantragem do título dá a deixa do som, a música é a cara da malandragem anos 70 de Carlos Imperial e sua turma com a maior qualidade, swing e charme. As duas duplas que encerram a seleção tirei do cd que comemora os 10 anos do projeto Guri que forma jovens músicos aqui em São Paulo. E a molecada toca no disco, muito bacana!
Pra saber nome de música, discos, autores e tudo o mais entre na página acima “Play List do Vozes”, e pra saber dos horários e emissoras que transmitem o programa “Vozes do Brasil no Rádio”. Aí é só se programar e aumentar o volume. Bom divertimento!
No espetacular cd “Do Cóccix Até O Pescoço” Elza Soares gravou Jorge Ben, Arnaldo Antunes, Luiz Melodia, Chico Buarque, Carlinhos Brown e Zé Miguel Wisnik. A música Bambino nasceu de um estudo de Zé Miguel sobre um tema de Ernesto Nazareth. Enquanto ele tocava ao piano uma frase com a mão direita percebeu que aquilo parecia uma pergunta e que a frase com a mão esquerda comentava ou respondia. Desse exercício – ou dessa descoberta – nasceu a letra:
E se o ferro ferir
E se a dor perfumar
Um pé de manacá
Que eu sei existir
Em algum lugar
E se eu te machucar
Sem querer atingir
E também magoar
O seio mais lindo que há
E se a brisa soprar
E se ventar a favor
E se o fogo pegar
Quem vai se queimar
De gozo e de dor
E se for pra chorar
E se for ou não for
Vou contigo dançar
E sempre te amar amor
E se o mundo cair
E se o céu despencar
Se rolar vendaval
Temporal carnaval
E se as águas correrem
Pro bem e pro mal
Quando o sol ressurgir
Quando o dia raiar
É menino e menina
Bambino, bambina
Pra quem tem que dar
No final do final
E se a noite pedir
E se a chama apagar
E se tudo dormir
O escuro cobrir
Ninguém mais ficar
Se for pra chorar
E uma rosa se abrir
Pirilampo luzir
Brilhar e sumir no ar
Se tudo falir
O mar acabar
E se eu nunca pagar
O quanto pedi
Pra você me dar
E se a sorte sorrir
O infinito deixar
Vou seguindo seguir
E quero teus lábios beijar
Zé Miguel me contou essa história no Vozes do Brasil que vai pro ar essa semana. Fizemos uma aula-show no rádio. Com Arthur Nestrovski destruindo naquele seu violão popular erudito e tecendo suas considerações sobre a poesia e a canção brasileiras – uma delícia de ouvir. Sérgio Reze contribuiu com sua elegante percussão, Zé Miguel tocou piano e cantou enquanto explicava as gêneses das canções.
Ainda falamos de Tom Jobim, Zé Celso, Machado de Assis, polcas, maxixes… foi uma aula e tanto. Sem contar que raramente se ouve esse tipo de música e de conversa no rádio. Adorei fazer!
Elza Soares arrasa nessa interpretação. Aqui ela aparece enquanto sobem os créditos do filme “Garrincha – Estrela Solitária” de Milton Alencar. Aproveite pra acompanhar lendo a letra e quem sabe até cantando…
Depois de viciar no Vagarosa fui entrevistar a Céu pro programa. Ela estava num daqueles dias em que a artista recebe mil jornalistas e tvs, mas do rádio, só eu… assim eu gosto mais.
E tivemos um delicioso encontro sobre o cd, seus parceiros de empreitada, seu jeito malemolente de ser.
No Vozes dessa semana Céu é o destaque (hoje no ar pela Eldorado em São Paulo, sábado as 13hs em Santos pela Litoral FM, as 18hs em Curitiba pela Lúmen e na próxima terça pela Inconfidência em BH as 23hs).
Aproveitei o embalo meio reggae, meio roots e coloquei Patativa do Assaré com Daúde, Chico César cantando forró, Junio Barreto e sua Santana e ainda pra fechar lindamente Elza Soares tangueando Fadas de Luiz Melodia e Gal Costa e Lanny Gordin, fatais, com Dê um Rolê (“eu sou amor da cabeça aos pés…” – ela canta do alto de seus 20 e poucos anos nos loucos 70).
Resumindo, o programa de hoje tá uma delícia!
Só pra quem vem ao blog tem essa versão que achei no YouTube com os Novos Baianos, música deles, com a guitarra de Pepeu, claro.