Na época em que Erika Machado lançou seu primeiro cd (No Cimento) fui chamada pra escrever o release do disco. E adorei faze-lo. Suas letras cheias de imagens coloridas me lembram os poemas de Manoel de Barros, poeta que eu amo justamente porque faz de qualquer coisa matéria de poesia. É aquilo que se encontra também na obra poética de Arnaldo Antunes mas que nasce do chão do centro do Brasil, como em Vanessa da Mata, conterrânea de Manoel.
Erika Machado é mineira e artista plástica. Antes de fazer música pra gravar em disco ou fazer show, fazia música como parte de suas propostas artísticas, como intervenção, como suporte. E hoje, as artes se “interpenetram”, como diz e faz o já citado Arnaldo.
O novo disco (Bem Me Quer, Mal Me Quer) tem sido muito elogiado. Diz a crítica especializada que Erika está mais madura. Adoro! Quando Caetano diz “a crítica que não toque na poesia”, não é só porque ele não quer, ou porque sempre existirá a birra entre o crítico e o artista, mas é porque o assunto é outro. Tom Zé disse uma vez que o problema do jornalista é que ele se ressente de não participar do processo… mas, enfim, o assunto não é esse.
O novo disco de Erika Machado está mais gostoso ainda que o primeiro. Suas imagens coloridas estão lá com toda sua doçura e visão particular e o som tem a mão do mágico John Ulhoa. Produtor, compositor, músico e arranjador, John tem uma assinatura forte. Seu bom humor e leveza aparecem no rock do Pato Fu, no pop de Zélia Duncan e no lúdico de Erika Machado. Em “Bem Me Quer, Mal Me Quer” ele também é parceiro de Erika, ao lado de Cecília Silveira (também artista plástica e presença forte desde os primeiros trabalhos) que assina a maioria das faixas. E desta vez há tambem as canções só dela, como “Rosa”, uma homenagem ao avô. Os adjetivos mais comuns pra falar de Erika são diferente e divertido, mas ela mesma diz que nesse disco as coisas não são simples como no primeiro e que “se a vida tivesse control Z eu juro que só faria canções alegres!“. Devo dizer que mesmo falando de situações tristes como o fim de um amor ou a morte, Erika deixa tudo mais fácil, “easy” como uma manhã de domingo.
Veja aqui um pedacinho do show de lançamento com Erika Machado, Cecilia Silveira, John Ulhoa e Fernanda Takai. Pura folia! Diversão entre amigos. E a Erika me contou que nessa platéia animada no Rio de Janeiro estava um fã ilustre: Milton Nascimento. Pra eles, o Bituca. Como ela mesma diria: “chique…”
Ouça tudo no Vozes do Brasil. Erika Machado é o destaque do programa da semana. Toda quarta na Eldorado Fm em São Paulo, sábados na Lúmen em Curitiba e Litoral em Santos, e na terça seguinte em Belo Horizonte pela Inconfidência.
Pra visitar o site de Erika machado e conhecer melhor seu trabalho inteiro, entre aqui: http://www.erikamachado.com.br/

