Quando entrei no palco, ao lado de Rémy, para apresentar essa noite do Station Brésil lembrei da ciranda e do mangue beat de Pernambuco. Somos antropofágicos por natureza. Por isso é muito bom assistir um encontro onde os artistas se entregam à proposta da mistura. A francesa Jeanne Cherhal tem sido minha preferida nessas noites de Station Brésil. Pros brasileiros a brincadeira já faz parte, é comum a integração e existe até, ouso dizer, uma facilidade em correr atrás da nota, aceitar um desafio.
No caso de Jeanne me impressionou a dedicação e a vontade de fazer direito com tão pouco tempo de ensaio. Com a Banda de Pífanos em João Pessoa ela já tinha arrasado e em Recife ela teve a sorte de encontrar Fernanda Takai que também leva a sério esse tipo de oportunidade. Elas fizeram juntas duas músicas. A primeira foi Berimbau, da leva Baden/Vinicius, bastante conhecida na França. A segunda, já no show de Jeanne, foi em francês, com Fernanda tirando de letra um repertório apresentado a ela naquele mesmo dia. Que orgulho!!

Outro bom momento foi o encontro de Mariana Aydar com Spleen. Eles fizeram juntos uma música da francesa Camille, que já esteve algumas vezes no Brasil e tem fãs e parceiros por aqui. Duas energias bem diferentes no mesmo palco e deu certo! Spleen faz um som mais visceral, hip hop, funk, masculino. E Mariana é aquela doçura que a gente conhece.
Foi a primeira vez que ela se apresentou em Recife e o público a recebeu muito bem! Cantaram junto e alto todas as canções que ela fez: “Zé do Caroço”, “Deixa o Verão”, “Peixes”, foi lindo de ver! A banda foi montada com Duani nas percussões, bateria, cavaquinho e a luxuosa participação de Webster Santos e Paulinho Lepetit.

Fecharam a noite dois bardos: Zeca Baleiro e Louis Bertignac que acabaram fazendo Beatles no momento da jam. O público adorou.
Pra saber mais, ver as fotos oficiais e a cobertura em francês do meu colega Rémy, acesse o site:
http://www.stationbresil.com.br/
Continuo com o Station Bresil aqui no blog. Essa noite Recife recebe franceses e brasileiros para mais um grande encontro. Chico César, Naná Vasconcelos, Fernanda Takai, Mariana Aydar, Siba e Zeca Baleiro já estão por lá ensaiando, trocando, inventando.




Eu fiz a seleçao das “moças”, como ele mesmo diz, pra esse disco. Amei fazer esse trabalho. Primeiro porque admiro Tom Zé já de longa data, obviamente, e depois porque foi uma grande oportunidade de juntar meus conhecimentos numa atividade prática, na feitura de um disco. Juntei as vozes com os temas das canções… Que delícia! Imagine receber uma canção ainda nascendo, só de voz e violão, a letra e ter que pensar na voz feminina mais adequada pra ela. Foi uma benção. E tive a oportunidade de trabalhar com Tom Zé, um ídolo meu. Lindo.
Numa tarde deliciosa fui recebida por Mariana Aydar e Duani pro almoço. O pretexto para o encontro foi a entrevista pro Vozes sobre o cd Peixes. Acabou me servindo pra conhecer melhor esse jovem e talentoso casal antenado com as mudanças do mundo. Duas pessoas realmente ligadas no que importa e por isso mesmo importantes para mim não só pela música mas pela esperança de que me nutri dividindo com eles esse dia.