Todo mundo que me conhece sabe o quanto eu admiro Tom Zé e como gosto dele. Já somos até parceiros de trabalho. Fiz a seleção das vozes femininas do Estudando o Samba e ele, muito gentilmente, escreveu o prefácio do meu primeiro livro. Um texto tão lindo que me deixa até encabulada de tão feliz.
Já faz algum tempo que Tom Zé tem recebido o destaque que merece depois do doloroso e burro ostracismo em que se viu depois do naufrágio do Tropicalismo. Claro que não toca no radio como a gente gostaria, mas o que é que toca no rádio, afinal? Aqui, no mundo de verdade, tocamos e ouvimos Tom Zé.
Esse novo trabalho com a Biscoito Fino ganhou um nome divertido, “O Pirulito da Ciência” e é um apanhado de sua obra e carreira. Foi gravado no Teatro Fecap em cd e dvd com produção e direção de Charles Gavin. Imagino o que deve ter sido isso, dirigir Tom Zé…
Escolher o repertório foi um tormento. Imagine, o trabalho de uma vida, invenções geniais em lista pra resumir! Bom, aí estão “Nave Maria”, “Jimi Renda-se”, “Ogodô”, “Augusta, Angélica e Consolação” e entre outras raridades a incrível “Tô” que é do histórico “Estudando o Samba”. Lembram: “…tô te confundindo pra te esclarecer…”? Pois é. E ainda tem alguma coisa do recente Estudando a Bossa, entre elas a “Sincope Jaobim” que no cd original teve a participação de Andreia Dias. Aqui podemos ver um trecho dessa canção no show O Pirulito da Ciência:
Tom Zé sempre diz que toda essa cena que ele faz no palco é pra tirar a atenção da sua voz, já que ele não canta nada! Cantor ou não, ele dá o recado com grande eficiência, isso ninguém pode negar. Ele pensa cada detalhe do figurino e dos objetos de cena, tudo tem um sentido, cada peça e cada ação em cena quer dizer alguma coisa. Nada é gratuito. Laura Andreato assina também os cenários nesse espetáculo, além dos figurinos, e fez um lindo trabalho. Da minha experiência com ele posso dizer que o melhor que se pode fazer é facilitar o trânsito entre suas idéias e a concretização. Estamos a serviço dele e de sua cabeça genial e hiperativa. Como cabe coisa naquele homem tão miúdo é coisa pra Deus responder. Tom Zé é de uma vitalidade invejável.
O Pirulito da Ciência é uma oportunidade pra ter em casa um pouco da história desse querido amigo, desse genial compositor brasileiro, um dos pilares da nossa estética contemporânea. É um dvd, portanto, imperdível.
Estivemos juntos, Tom Zé e eu, no estúdio que ele acabou de montar em casa e falamos sobre o cd e dvd. Foi delicioso como sempre. Primeiro ele colocou os óculos pra me ouvir melhor e me divertiu o tempo todo falando sério daquele jeito que só ele sabe falar. A entrevista vai pro ar essa semana no Vozes do Brasil. Veja acima na página Vozes do Brasil no Rádio os horários e as emissoras.




O diretor Ígor Iglesias Gonzalez esteve pelo Brasil andando atrás de Tom Zé com uma câmera na mão. Até no lançamento do segundo volume do livro Vozes do Brasil ele apareceu. Foi lá no Mis e registrou a participação de Tom Zé fazendo duas músicas pra prestigiar o livro no qual ele é um dos entrevistados.
Eu fiz a seleçao das “moças”, como ele mesmo diz, pra esse disco. Amei fazer esse trabalho. Primeiro porque admiro Tom Zé já de longa data, obviamente, e depois porque foi uma grande oportunidade de juntar meus conhecimentos numa atividade prática, na feitura de um disco. Juntei as vozes com os temas das canções… Que delícia! Imagine receber uma canção ainda nascendo, só de voz e violão, a letra e ter que pensar na voz feminina mais adequada pra ela. Foi uma benção. E tive a oportunidade de trabalhar com Tom Zé, um ídolo meu. Lindo.