São 11 anos fazendo o Vozes do Brasil no rádio e eu ainda sinto enorme prazer quando monto a seleção e vejo um time como esse.
No especial da semana tem Max de Castro e Simoninha mostrando com exclusividade o som do Baile do Simonal, um show de energia contagiante e um momento muito feliz pra esses rapazes. Como eles disseram na entrevista, parece até que é o Ano Simonal. Filme, livro, dvd tributo, uma série de homenagens à memória desse grande talento que foi o pai deles. No Vozes tem uma versão linda de Sá Marina que Max e Simoninha fizeram especialmente pra nós, um luxo de delicadeza.

E nos boletins diários tem Luiz Melodia e Dona Zica, Anelis Assumpção, Fabiana Cozza em dueto com Simoninha, em faixas do disco duplo Ätaulfo Alves 100 Anos”. Uma delícia de repertório muito bem pensado por Thiago Marques Luiz com direção musical e arranjos de André Bedurê e Rovilson Pascoal.

Outro destaque é o cd “Nego – Canções Americanas em Versões Brasileiras”, um projeto bacanérrimo de Carlos Rennó e Jacques Morelenbaum. Mais uma vez tem Simoninha fazendo dueto com Ná Ozzetti na canção “Queria Estar Amando Alguém”. E tem Maria Rita “Encantada”. Tudo com arranjo Jacques Morelenbaum, o maestro, o cara! Chique…

Com os rapazes do Casuarina tem Moska e Moinho em participações especiais. Moska canta com muita propriedade “Cabelos Brancos”, de Herivelto Martins e Marino Pinto. Os baianos do Moinho (Lan Lan, Emanuelle e Toni Costa) fazem “Rosa Morena”, de Caymmi. Uma farra gravada na Fundição Progresso no Rio de Janeiro.
Ao vivo também, mas gravado em Parati, tem Vanessa da Mata e Fernando Catatau com a linda brega romantica “Você Vai me Destruir” e Mart’nália cantando Roberto e Erasmo Carlos.
Um ouvinte me deu a sugestão de colocar as músicas pra ouvir aqui mesmo no blog. Gostei muito da idéia e já estou trabalhando nela. Aguardem…
“Nem Vem Que Não Tem”, de Ricardo Alexandre, é um trabalho de dez anos de pesquisa e entrevistas. Ricardo, entre outras coisas, foi editor da Bizz e é um jornalista que admiro. Agora mais ainda depois de ler esse livro e comprovar a qualidade de seu texto. O livro é saboroso, de leitura prazerosa e é um documento importante. Um retrato de um grande músico, uma biografia bem escrita que joga luz sobre uma história esquisita e mal contada. Através da leitura vamos descobrindo um Simonal além do mito. Um garoto pobre deslumbrado com a fama e o dinheiro que fez uma tremenda bobagem num momento de extremos no país e pagou por isso pelo resto da vida.
E Erasmo Carlos escreveu suas memorias com o ótimo título “Minha Fama de Mau”. Está aqui a trajetória do garoto pobre da Tijuca, amigo de Tim Maia, “secretário” de Carlos Imperial, o Tremendão, um dos mais bem sucedidos compositores da música popular. É divertido ler as histórias das canções feitas com Roberto, as extravagâncias de moleque rico e famoso, as aventuras românticas e quase ingênuas desse “gigante gentil”. É comovente ler o livro. A narrativa não é linear, é emotiva. Escrita em primeira pessoa e sem pretensões literárias e por isso mesmo muito gostosa de ler. Erasmo faz confidencias. É como ouvir um amigo contando as histórias da sua vida. Só que esse é o amigo do rei. Uma delicia.