Conversar com Luiz Tatit é uma dessas oportunidades que quando a gente tem pensa logo em agradecer! Como é bom! Cantor, compositor, um dos fundadores do Grupo Rumo, grande professor e pensador da canção popular. Dá vontade de ficar alí por horas perguntando, perguntando, perguntando… Ainda bem que ele publicou vários livros, senão seria um transtorno.
No Vozes do Brasil dessa semana (confira horário e emissoras na página VOZES DO BRASIL NO RÁDIO), ele fala sobre seu novo disco Sem Destino. Aproveitei pra gravar Natura Musical com ele também e foi delicioso ouvir a história de suas composições. “Capitu”, por exemplo, que talvez seja sua música mais conhecida hoje em dia por conta da gravação de Zélia Duncan, não foi exatamente inspirada na personagem de Machado de Assis… Pra saber direitinho, vai ter que ouvir a entrevista!
Bom, hoje separei aqui alguns vídeos sobre e com Luiz Tatit. No primeiro deles, Arthur Nestrovski, violonista, compositor e editor, fala sobre o livro “Todos Entoam”, que é uma referência pra entender nossa música.
Aqui, Zélia Duncan recebe Luiz Tatit no palco pra cantarem juntos “A Companheira”. Vale lembrar que a já falada “Capitu” foi gravada por Zélia no cd Eu Me Transformo em Outras com arranjo incrível. Ela sempre foi fã do Rumo, da Nä Ozzetti e de Tatit, aqui ela só confirma essa admiração e parceria.
“Capitu” com Luiz e Jonas Tatit, seu filho e um excelente violonista. Agora também são parceiros em várias composições.
Uma gravação da década de 80 com o história Grupo Rumo. Não podia faltar!
Essa semana me deu uma nostalgia dos anos 80 e lá fui eu ouvir o Luni. Acabou indo pro ar, é claro!
Ao lado de Fellini, Smack, Mercenárias, Gang 90 e as Absurdetes, Cazuza e os ingleses incríveis que Thomas Pappon nos apresentava, era o Luni que furava a vitrola.
Fui abrir a livraria do Youtube e achei esses vídeos da Ruth Slinger que são retratos da época. Cabelos, calças, aquele visual cafonérrimo que a gente achava lindo. E o Luni era muito pop, muito fashion, muito bacana, era a melhor banda! André Godon, Fernando Figueiredo, Gilles Eduar, Lloyd Bonnemaison, Lelena Anhaia, Marisa orth, Natália Barros e Théo Werneck. Os shows eram incríveis.
A qualidade da gravação é sofrível, mas vale a pena.
Luni – Taxi
Percebam a interpretação de Natália Barros e Marisa orth correndo sabe lá de quem dentro do carrinho e no túnel. É muito bom!
Luni – Johnny
Agora a teatral Johnny com Marisa toda montada e Théo Werneck cantando muuuuuito!
Outra vontade foi ouvir Suely Mesquita e suas letras incríveis e sua elegância vocal de soprano mestra de canto. Suely lançou o segundo disco em 2008, o Microswing e continua correndo por aí com suas oficinas que arrebatam joven cantores e cantoras. Bruno Morais foi aluno dela.
Suely é parceira de Fernanda Abreu, Aricia Mess, pedro Luis, Moska, Zélia Duncan, Mathilda Kóvack e Zeca Baleiro, pra dizer alguns. E sempre contribui muito com sua sutileza e inteligência.
Suely Mesquita e Zélia Duncan – Imenso
Aqui um encontro com Zélia Duncan, sua parceira em “Imenso”, uma brincadeira com o jeito português de falar.
Suely Mesquita e Moska – Seu Olhar
E a parceria de Suely Mesquita e Moska, ainda inédita em disco.
Pronto, conforme prometi no Vozes do Brasil, mostrei o que você ouviu no rádio.
O cd se chama + Do Que Parece. Alguns de meus colegas críticos já ouviram e gostaram. Me disse Lucina que da turma do rádio eu sou a primeira a receber e o melhor, recebi em minha casa! Fico honrada e feliz. Esse disco, afetivo, reúne parcerias de Lucina e Zélia Duncan que se frequentam poeticamente há 20 anos. Nessa conversa no sofá da sala Lucina me contou da feitura desse disco e algumas histórias muito saborosas sobre as composições. É engraçado saber, por exemplo, que Zélia tem vergonha da parceira. Uma única vez sentaram juntas pra escrever e a letrista teve que ficar de costas!! É de morrer de rir. Afinal não são duas nem três canções…
Em janeiro Lucina mostra o cd no Sesc Pompéia e vamos ouvir a entrevista no Vozes nessa ocasião.
Você diz que sempre foi muito gostoso cantar. Qual é o barato, o que te move?
Não sei, não penso muito no ato de cantar. Imagino sempre a música no todo, como uma energia, quando estou tocando ou cantando ou ouvindo. Uma coisa que acho muito legal é saber ouvir – gosto muito de ouvir música, acima de tudo, de qualquer coisa. Vou dormir e fico pensando em música, sonho com música, sabe? A música surge pronta, com arranjo e tudo, uma música que eu nunca ouvi, eu sonho com isso. Aí acordo e tento reproduzir, mas não consigo, lógico. Só penso nisso o tempo inteiro. O tempo de fazer as coisas, os cálculos que faço, tudo acontece em tempo de compasso musical. O tempo que se tem para atravessar a rua, até aquele carro chegar aqui, fico pensando em música. Não é trilha, são cálculos matemáticos, mas completamente ritmicos.
Depois de dizer isso, Cássia Eller morreu de rir. Esse trecho foi tirado do livro Vozes do Brasil (2002, ed. DBA) e a foto foi tirada por Luciana de Francesco durante a entrevista.
Quem me lembrou do aniversário dela foi Zélia Duncan postando no twitter uma mensagem à respeito: @zdoficial: Seria aniversário de Cássia Eller, aquilo sim era novo, era furacão, comoção no palco e na platéia! Não aceite imitações!
Dia de aniversário é pra lembrar do bonito que ficou e isso tem de sobra. O repertório sempre foi primoroso, ela fez um disco melhor que o outro e seu canto só melhorava. Gravou Luiz Capucho, Arrigo Barnabé, Luiz Melodia, Itamar, Nando Reis, Marisa Monte, Carlinhos Brown, Cazuza, Renato Russo… que voz! que energia! quanta verdade! que talento raro.
Faz falta. Sempre fará.
Continuo com o Station Bresil aqui no blog. Essa noite Recife recebe franceses e brasileiros para mais um grande encontro. Chico César, Naná Vasconcelos, Fernanda Takai, Mariana Aydar, Siba e Zeca Baleiro já estão por lá ensaiando, trocando, inventando.
Vamos ver o que a França deixa aqui e o que levam pra lá os músicos do festival depois desse banho de ritmo e diversidade.
Desde os tempos de Ernesto Nazareth a música francesa se mistura com o batuque negro das ruas do Brasil. Assis Valente brincou com sua Tem Francesa no Morro. Wilson Simonal apelidava o molho da sua música de champignon. Zélia Duncan fez em seu novo trabalho duas versões de Alex Beaupain. Atravessa as décadas essa parceria que se celebra agora em 2009, o ano da França no Brasil e eu tenho o prazer de participar como Mestre de Cerimônias desse Festival Station Bresil. Nessa quarta embarco pra Recife.
Aqui um pouco em imagens do primeiro encontro em João Pessoa.
Muita gente escreveu perguntando o que eu faria pro aniversário da Zélia. Bom, vamos comemorar por ela a indicação ao Grammy Latino com o disco “Pelo Sabor do Gesto” e fica aqui a nossa homenagem de aniversário e vivas por essa conquista. Ela merece, ela merece!!!
Eu fiz a seleçao das “moças”, como ele mesmo diz, pra esse disco. Amei fazer esse trabalho. Primeiro porque admiro Tom Zé já de longa data, obviamente, e depois porque foi uma grande oportunidade de juntar meus conhecimentos numa atividade prática, na feitura de um disco. Juntei as vozes com os temas das canções… Que delícia! Imagine receber uma canção ainda nascendo, só de voz e violão, a letra e ter que pensar na voz feminina mais adequada pra ela. Foi uma benção. E tive a oportunidade de trabalhar com Tom Zé, um ídolo meu. Lindo.
Agora esse cd está indicado ao Grammy Latino depois de fazer bonito por aqui desde o lançamento. Não toca em rádio, mas isso é problema das rádios e não da música brasileira como bem sabemos.
Se você ainda não ouviu, não perca tempo, é um discaço! Tem Monica Salmaso, Fernanda Takai, Anelis Assumpção, Mariana Aydar, Marina De LaRiva, Fabiana Cozza, Tita Lima, Andreia Dias, Badi Assad, Zélia Duncan, Marcia Castro e Jussara Silveira. Time bom…
Tenho na memória com o maior carinho os dias dessa produção. Amei ver Tom Zé criando na hora, mudando tudo, inventando novas letras e as meninas arrasando na generosidade no talento.
Agora, a maior recompensa é a que transcrevo a seguir, o email que recebi pra contar do Grammy:
Querida Patrícia, Tom Zé lhe conta o que você provavelmente já sabe: o disco de vocês, “Estudando a Bossa”, foi indicado para o Grammy latino. Só a indicação já é uma beleza. Parabéns, Patrícia.
Abraços,
Neusa
Fala se não é pra morrer de alegria…
beijos Tom Zé e Neusa.
Às vezes de um bom filme…
Tomo emprestados os versos cantados por Alzira E. pra postar esse vídeo com a canção de Alex Beaupain que fez parte do filme “Les Chansons D’Amour” de 2007, direçao de Christophe Honoré. Um filme contemporâneo com aquela estética francesa clássica de Les Parapluies de Cherbourg com Catherine Deneuve em 1964.
Com Louis Garrel, Ludivine Sagnier, Chiara Mastroianni. Aqui a versão original do filme para a canção que Zélia Duncan gravou para seu novo disco. “As-Tu Dejá Aimé?” com Garrel e Gregoire Leprince-Ringuet.
Em turnê de lançamento do novo cd “Pelo Sabor do Gesto”, Zélia Duncan me recebeu rapidamente pra um papo entre dois shows no mesmo dia. O primeiro foi num domingo de sol no Ibirapuera e foi nos camarins do lindo auditório que nos falamos. Do lado de fora “duncanmaniácos” aguardavam ansiosos por sua saída e é de lá essa foto que estampa o post. Só se pode ver o braço de Zélia entre a turba amorosa e quase incontrolável.
no meio da confusão, onde está Zélia?
Depois de presenciar a cena me lembrei da entrevista que fizemos para meu primeiro livro, o Vozes do Brasil vol.1 quando conversamos sobre tudo, inclusive a relação com os fãs. Falamos de “Catedral”, seu primeiro grande sucesso, e da identificação com o artsita através da música. Transcrevo aqui um trecho: (…) Numa ocasião anterior, a gente falou sobre essa conversa sua com a platéia. Você disse: “É, agora estou deixando rolar…”
Já foi mais tenso. Quando sinto que o público me conhece eu relaxo um pouco mais. Também é a minha maneira de reagir (…) Há dias em que me sinto bem pra responder e me dou ao luxo de brincar e falar. Já vi jogarem pétalas de rosa pra você no palco… Seus fãs são muito efusivos e calorosos. Como é essa proximidade?
Houve uma fase de adaptaçao. Tanto minha quanto deles. Depois de tanto tempo no anonimato, às vezes dá vontade de mostrar a cada uma dessas pessoas o quanto você está grata. (…) Demorei um tempo pra achar esse meio termo. Um dia, depois de um show, fiquei muito cansada, estava chovendo demais, e resolvi não receber ninguém. Isso criou um problemão lá fora! Forçaram a porta e começou uma guerra entre quem dizia que eu já era outra e quem não pensava assim. (…) O fã-clube tem um fanzine e escrevi uma carta pra eles. (…) Foi uma maneira legal de dizer: “tenho os meus limites e são estes”. As coisas melhoraram.
Na entrevista tem muito mais. Zélia Duncan foi a primeira artista e me conceder algumas horas pra esse projeto tão importante pra mim: registrar em livro uma geração de artistas que eu admiro e que estão fazendo uma enorme diferença na música brasileira hoje.
Essa conversa foi em 2001 e é interessante ver como é coerente o discurso de então com os rumos de sua carreira. Logo depois Zélia Duncan faria o incrível “Eu Me Transformo em Outras”, um disco que lançou luz sobre a excepcional intérprete e conhecedora da tradiçao da música brasileira, foi um divisor de águas em sua história.
Aqui uma das canções do disco novo:
No Vozes dessa semana tem um papo rápido sobre o acento francês de seu novo disco. Em poucas palavras ela conta a história das canções de Alex Beaupain e da gravação de Telhados de Paris de Nei Lisboa (sobre isso tem um post anterior aqui mesmo no blog).
Pra ouvir confira a sintonia na sua cidade na página Vozes do Brasil no Rádio ou acesse o Território Eldorado na internet (link aqui ao lado).
Em seu novo cd, Pelo Sabor do Gesto, Zélia Duncan traz a boa surpresa de gravar Nei Lisboa. Esse poeta gaúcho, meio cult, meio marginal, tem nove discos lançados, 30 anos de carreira e uma obra pouco conhecida. Por isso, além da qualidade da canção escolhida, é bacana que uma artista dessa projeção grave Telhados de Paris, faixa do disco Hein? de 88. Foi uma garimpadinha boa.
Pra conhecer mais da obra dele o site é www.neilisboa.com.br
Vale a pena fazer a viagem até o sul.
E indo até lá porque não dar uma busca na obra de Vitor Ramil?
Verônica Sabino gravou Espaço, uma cançao linda de desamor. E tem o mais recente trabalho dele com Marcos Suzano o Satolep.