Sinhô e a inspiração de Manoel Bandeira

Hoje fui buscar Manoel Bandeira na estante pra ver se achava alguma inspiração pra começar bem o dia. Esse poeta é dos meus preferidos e não só pelo óbvio motivo da qualidade estética de sua obra, da delicadeza de seus versos, mas também porque era um apaixonado pela música e um cronista maravilhoso. Sim, ele escrevia sobre a Província do Brasil! Daquele jeito que poetas escrevem, com uma observação do cotidiano que muitas vezes nos escapa.
Bom, e não é que encontrei uma crônica sobre Sinhô e fui descobrir que hoje, 4 de agosto, é o dia da morte dele!
Pois é. Morreu numa barca, indo para a cidade do Rio de Janeiro. “O que há de mais povo e de mais carioca tinha em Sinhô sua personificaçao mais típica, mais genuína e mais profunda”, diz sobre ele o nosso poeta/cronista.

João Barbosa da Silva, o Sinhô

João Barbosa da Silva, o Sinhô


Sendo assim, homenageio aqui esse compositor de “Jura”, “Não Quero Saber Mais Dela”, “De Que Vale a Nota sem o Carinho da Mulher”, “O Português e a Mulata” e várias outras jóias dos idos anos 20 e 30.
Clara Sandroni e Marcos Sacramento fizeram nada menos que 4 cds com a obra dele. o Grupo Rumo gravou “Deus me Livre dos Castigos das Mulheres” em 1981 no antológico Rumo aos Antigos (uma obra prima!).
O Manoel Bandeira que fui buscar na estante, nos manda muito oportunamente a lembrança desse ícone da música brasileira: José Barbosa da Silva, nascido em 18 de setembro de 1888, sucesso do Carnaval de 1920 com “Fala Meu Loro” e “Pé de Anjo”.

Destaco aqui um trechinho da crônica de Bandeira: “Não faz uma semana eu estava em casa de um amigo onde se esperava a chegada de Sinhô para cantar ao violão. Sinhô não veio. Devia estar na rua ou no fundo de alguma casa de música, cantando ou contando vantagem, ou então em algum botequim. Em casa é que não estaria; em casa, de cama, é que não estaria. Sinhô tinha que morrer como morreu, para que a sua morte fosse o que foi: um episódio de rua, como um desastre de automóvel. Vinha numa barca da Ilha do Governador para a cidade, teve uma hemoptise fulminante e acabou.”

Pra ler na íntegra eu recomendo o site:
http://www.releituras.com/mbandeira_sinho.asp

Aqui vai mais uma contribuiçao do YouTube para nossa efeméride: Clara Sandroni e Marcos Sacramento se divertindo a valer!

E ainda um pouquinho do Grupo Rumo fazendo da mesma época de Sinhô um clássico de Noel e Vadico: “Quantos Beijos”

Pra ouvir mais se ligue no Vozes do Brasil dessa semana. Em 4 emissoras e em vários horários, confira na página Vozes do Brasil no Rádio logo aí em cima do blog.

Viva Sinhô!!
obrigada Bandeira…

6 comentários sobre “Sinhô e a inspiração de Manoel Bandeira

  1. É louvável a lembrança de Sinhô, mas o que não achei muito legal foi ter se colocado vídeo com música de Noel Rosa. Não que Noel não tenha sido um grande compositor, mas Sinhô também foi um gênio e merece um espaço só seu. Além do quê, Noel Rosa não foi do tempo de Sinhô, pois Noel só apareceu mesmo depois do falecimento de Sinhô.

    • Olá, a música do Noel entrou com o Rumo porque não achei no YouTube a gravaçao deles da música do Sinhô. Uma pena, mas no programa de rádio toquei “Deus me LIvre do Castigo das Mulheres”.
      abs,
      P.

  2. Ok! Como já disse, é gratificante a lembrança de Sinhô. Quanto à música “Deus Me Livre do Castigo das Mulheres”, não sei com qual artista você tocou, mas procure também ouvir a música na interpretação do Grupo Rumo. Olha, é a transformação mais incrível que já vi de uma música. A gravação é fantástica e todo mundo, pelo menos uma vez na vida, deveria escutar esta gravação com o grupo Rumo. Se você procurar, acha o disco pra baixar na internet, acho que o nome é “Rumo aos Antigos”.
    Abraço!

  3. sim! eu toquei com o Rumo, conheço bem o trabalho do grupo e adoro! Tenho esse disco e muitos outros. Só não coloquei aqui no blog porque ainda não sei como postar só músicas… já já eu aprendo.
    obrigada mais uma vez pela visita e por seus comentários.
    abs.
    p.

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