Erasmo rock’n roll, Arnaldo iê iê iê

Uma feliz e divertida coincidência reuniu esses dois monstros da música pop brasileira. Erasmo Carlos, um dos precursores do iê iê iê no Brasil lança um cd chamado Rock’n Roll. Arnaldo Antunes, que foi emergente do rock brazuca, lança um cd chamado iê Iê Iê.
Claro que não passou batido pelos próprios. Arnaldo menciona o Tremendão em seu release de apresentaçao e Erasmo acabou escrevendo pra Folha de São Paulo uma resenha do novo trabalho do nosso poeta pop star.
Aqui vão os textos:

Titã do Iê Iê Iê
Erasmo Carlos

Folha de S.Paulo – 18/09/2009
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Iê-iê-iê é o apelido brasileiro dado ao rock que se fazia nos anos 60. Era ingênuo na contestação e romântico por natureza. Mesmo assim, atingiu o nível de revolução cultural dando voz à juventude da época e instigando mudanças de comportamento. Esse tsunami histórico impôs a trilha sonora da infância de um pacato cidadão mirim chamado Arnaldo Antunes, que arquivou nos porões do seu imaginário a magia do som dos Beatles e da jovem guarda.
Quarenta e nove anos depois, ele nos presenteia com esse delicioso resgate afetivo dos tempos em que ainda se sonhava acordado. E POW! As lembranças soam contemporâneas graças à sonoridade, que vem com certificado de qualidade, encontrada pelos amigos da banda, o gol de placa da feliz interação/ inspiração das parcerias e, é claro, as “sacadas” geniais que só um multiartista fantástico como ele tem.
Adorei “Invejoso”, “Envelhecer” (me identifiquei), “Longe”, “A Casa É Sua” (linda) e… todas. A grandeza do poeta é ir além do pensamento e decodificar as emoções que o medo, a inabilidade, a acomodação e a hipocrisia não expõem. Arnaldo faz isso muito bem, com humor e com amor. Afinal de contas, o iê-iê-iê também é dele.

ERASMO CARLOS , 68, é cantor e compositor

Iê iê iê por Arnaldo Antunes

Iê iê iê é uma palavra que não está no dicionário, mas todo mundo sabe o que significa. Música jovem de uma época, com seu repertório de timbres, trejeitos, colares, carros e cabelos, o termo traduz um estilo que parece ter ficado parado no tempo, como se fosse um nome que se dava ao rock’n roll antes dele se chamar rock’n roll. Uma espécie de proto-rock, que se desdobrou em muitos afluentes de tendências e fusões.
Citado pelos Beatles em She Loves You (yeah yeah yeah) e por Serge Gainsbourg em Chez Les Ye Ye Ye, a expressão caiu na boca dos brasileiros para nomear a música da Jovem Guarda, motivando, na época, entre as mais diversas reações, os ternos versos de Adoniran Barbosa: “Eu gosto dos meninos desse tal de iê iê iê / Porque com eles canta a voz do povo / E eu que já fui uma brasa / Se assoprar eu posso acender de novo”.

(…)
Para mim, esse disco tem ainda um gosto de retorno a algo do início de minha carreira, quando formamos os Titãs, que nos dois primeiros anos de existência tinham o nome de “Titãs do Iê Iê”.

Arnaldo Antunes
maio de 2009

images-2ps: Já tinha terminado de escrever este release quando soube que Erasmo Carlos está lançando um disco novo, chamado “Rock’n Roll” (como o de John Lennon, que eu cito no texto). Achei uma coincidência simbolicamente interessante o fato dele, que começou sua carreira nos anos 60, dentro do que chamavam de iê iê iê, lançar esse disco na mesma época em que eu, que comecei nos 80, dentro do que chamavam de rock, esteja lançando meu IÊ IÊ IÊ.

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