Yamandu, o corpo do violão.

Toda segunda feira eu gravo o Instrumental Sesc Brasil pro Sesc Tv. E agora, depois de 11 anos direto na Paulista, gravamos no Sesc Consolação. A programação está de arrebentar. Começamos a nova temporada com Pepeu Gomes, depois teve o excelente e jovem Rivotril, o ícone Altamiro Carrilho e ontem Yamandu Costa com Guto Wirtti com um violão baixo trazido da Áustria. Os dois são amigos de infância e conversam no palco como se estivessem em casa. Foi sensacional! Dá pra ver o show sob demanda no site do programa: http://instrumentalsescbrasil.org.br/

Yamandu e eu combinadinhos e Guto Wirtti achando graça. Ao fundo o lindo cenário do Instrumental feito por Zé Carratu.


Yamandu tem essa qualidade rara de se fundir ao instrumento. Não é ele sozinho no palco tocando seu violão, é uma coisa só. É como se o corpo do violão respirasse junto com ele e aquelas sete cordas são a sua voz em “cantábile” como ele mesmo diz. É tão emocional o toque que o instrumento ganha vida.
Uma de suas referências mais fortes é Raphael Rabello, o grande violonista que deixou raridades como gravações da obra de Radamés Gnatali ou aquele disco com Ney Matogrosso que é de chorar de tão bonito. Raphael tirou do choro o violão de 7 e deu liberdade ao instrumento, coisa que Yamandu radicaliza incluindo no repertório suas milongas e chamamés cheios de energia jovem e criativa ao lado de temas de Villa Lobos. Temas, aliás, que ele interpreta como se estivesse tocando numa roda de gaúchos em volta da fogueira no chão batido. É desse chão que vem a sua música. Da correria como músico ainda menino, das influências da fronteira, do jeito lúdico de tocar como brincadeira.
Yamandu mora no Rio de Janeiro e diz que ouve a música de Tom Jobim enquanto passeia pela cidade; seu desejo é que sua música ainda seja ouvida assim, como o perfume de algum lugar. Eu acho que ele chega lá.

Yamandu – Carinhoso
Nesse vídeo Yamandu interpreta o clássico de Pixinguinha com a platéia cantando a letra de João de Barro. É emocionante.

Yamandu e Hamilton de Holanda
Um encontro de titãs! hamilton é um dos melhores bndolinistas do Brasil e tem como Yamandu essa qualidade de transformar o instrumento numa extensão de seu corpo. Gravado no Auditório do Ibirapuera em São Paulo.

Rafael Rabello e Marisa Monte – Cry Me a River (1993)
Um momento histórico! “Cry Me a River” é um clássico da canção mas nenhum violão jamais a fez tão lindamente.

2 comentários sobre “Yamandu, o corpo do violão.

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