Djavan está na cidade

Adorei o novo disco do Djavan. O compositor de “Fato Consumado”, “Álibi”, “A Ilha”, “Seduzir”, e outros tantos clássicos da nossa música pop contemporânea agora só quer cantar. No cd Ária ele interpreta um repertório afetivo, delicado, desses que a gente sente como um conforto pra nossos ouvidos e corações. Tem Cartola, Gilberto Gil, Edu Lobo e Chico Buarque, um delicioso tema instrumental de Luiz Gonzaga e a indefectível “Fly Me To The Moon”. Com instrumentação preciosa, arranjos limpos, classudos, e aquela voz que já embalou gerações…
Lembro de um verão na praia, pra ser exata em 1981, de noites quentes na rede da varanda ao som de “Faltando um Pedaço”, aquilo me doía o coração sem motivo algum. Eu só tinha 16 anos, o verão era verão de verdade, azul, solar, nenhum motivo pra drama, mas a força da canção, aquele lamento amoroso tão bem cantado, bem escrito, era de matar. Tão boa a inocência da juventude…
Bom, Djavan está na cidade e esses dias falei com Mart’nália sobre esse mesmo disco de 81, lembrando das canções que ele fez pra Luanda e misturando o idioma kimbundo aos seus versos de amor. Que beleza de compositor, que cantor incrível e que violão suingado que ele tem. Pois vamos vê-lo de novo no palco. Em São Paulo é agora essa semana e certamente esse show deve viajar o país. Recomendo fortemente. O papel da música é tirar a gente do chão, livrar a cabeça das misérias do cotidiano e promover a viagem. Voltei pros verões da minha adolescência só de escrever esse texto. Já me imagino alí, no gargarejo, ouvindo as boas e velhas canções e rejuvenescendo de alegria. Como já cantou Gilberto Gil e canta agora Djavan, “quem manda é a deusa música…”

Fogo eterno pra afugentar o inferno pra outro lugar!!!

5 comentários sobre “Djavan está na cidade

  1. Oi, Patrícia. Delícia o seu texto. Ouvi o cd do Djavan e achei arrebatador. Por meio daquelas coincidencias incríveis, estava escrevendo um poema ( às vezes me acontece sem alardes) e ouvi depois “Sabes Mentir” e feliz pensei, é isso, que eu queria ter escrito. E agora lendo esse seu texto cheio de sentir, me bateu uma saudade e felicidade solar. Salve a deusa música. Salve Patrícia e Beijos.

  2. Oi Patrícia. Gostei muito do texto, também me reportou aos bons tempos. Sou um grande admirador do trabalho do Djavan, em especial o do início dos anos 80. Acho que estava faltando um trabalho como o Ária para mostrar também o lado intérprete do artista completo e maduro.

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