Dylan Thomas e o Amor Extremo

Esses dias vi na tv o anúncio de um filme chamado “Amor Extremo”. Gostei do título e lí a sinopse. Quando vi citado o nome do poeta Dylan Thomas fiquei curiosa. Tinha pouca informação sobre ele. Sabia, claro, da sua importância como poeta romântico, de seu jeito revolucionário de escrever como se cantasse, coisas de bardo do país de Gales, e que Bob Dylan tirou dele seu nome artístico. Mas sobre sua vida, nada. O filme não é biográfico, é mais uma livre adaptação da história que ele viveu entre duas mulheres, a sua esposa e um amor de juventude. O contexto histórico é a Segunda Guerra. Dylan Thomas e sua mulher Caitlin se jogam nos pubs, tanto que ele escapou do exército porque tomou um porre na véspera da convocação e apareceu com cara de doente. Vera, a amiga da adolescência que foi seu primeiro amor, é uma cantora que se apaixona por um soldado. Dois casais vivendo no extremo da guerra, da paixão e do ciúme.
O filme é bonito e sensível. Todo pontuado pelos poemas de Dylan Thomas que gravou em sua própria voz vários deles. E os transmitia por rádio. Um alento naqueles tempos de horror.
Mas a poesia não resiste à realidade. Ela é necessária ao cotidiano, evita que nos tornemos animais insensíveis ao belo. Mas não é possivel viver só de poesia e Vera mostra isso para Dylan. Ele foge. Claro, ele é um poeta.
Vale a pena assistir, ainda que mais não seja, pelo mergulho na obra desse bardo. Veja o trailer:

Amor Extremo

Agora, o próprio Dylan Thomas, numa daquelas gravações que citei aqui. O poema se chama In My Craft or Sullen Art e está tanscrito aqui logo depois do vídeo. Lindo. Perceba o ritmo.

Dylan Thomas

In my craft or sullen art
Exercised in the still night
When only the moon rages
And the lovers lie abed
With all their griefs in their arms,
I labor by singing light
Not for ambition or bread
Or the strut and trade of charms
On the ivory stages
But for the common wages
Of their most secret heart.

Not for the proud man apart
From the raging moon I write
On these spindrift pages
Nor for the towering dead
With their nightingales and psalms
But for the lovers, their arms
Round the griefs of the ages,
Who pay no praise or wages
Nor heed my craft or art.

Poemas em língua inglesa já foram tema aqui no blog com o filme que mostra o maravilhoso Keats. E com mais essa provocação com o filme sobre Dylan Thomas, lá fui eu atrás de música e poesia – em lingua inglesa. Lembrei do cd No Promisses de Carla Bruni. Ela trabalhou com a lenda Marianne Faithfull para criar canções de poemas de Emily Dickinson, W.H. Auden, Dorothy Parker e W.B. Yeats que vamos ouvir aqui com “Those Dancing Days Are Gone”. Uma delicia…

Carla Bruni – No Promisses

E pra saber mais eu recomendo o site oficial do poeta Dylan Thomas.

E ainda sobre o filme recomendo essa resenha de Fernando da Mota Lima publicado no blog Amálgama.

Um comentário sobre “Dylan Thomas e o Amor Extremo

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