A arte e os “impuros”

Acabo de ler no café da manhã um artigo lindo, tocante, muitíssimo bem escrito por Olivio Tavares de Araújo sobre o artista plástico Leonilson. O autor comenta a exposição “Sob o Peso dos Meus Amores”, uma retrospectiva em cartaz no Itaú Cultural em São Paulo. Leonilson foi figurativo e fez parte da chamada Geração 80, mais tarde suas obras são abstratas e usam tecido, bordados e poesia. É aqui que ele se encontra com alguns artistas que tenho entrevistado. Os poemas bordados são de Leonilson e em suas palavras ele estampa a vida: o amor, a doença, a morte. De um jeito elegante e discreto e por isso mesmo com aquela força poderosa que transforma vida em arte. Veja aqui a apresentação do Itaú.
Léo Cavalcanti também é assim.
Acabo de passar um tempo com ele. Gravamos aqui em casa uma entrevista pra lá de boa. Léo está lançando seu primeiro cd, Religar, e em suas palavras ele canta a vida, a transformação necessária do ser nesse momento do mundo. Ele precisa da arte, precisa da música para expressar a vida que acredita ser possível viver. Veja aqui o site desse jovem e talentoso artista e leia as letras.
A arte transforma. Revoluciona através da emoção. Muda o mundo através do indivíduo.

Também li no café da manhã a coluna de Contargo Calligaris na Ilustrada de hoje. “Tudo ou Nada” fala da crise na Líbia, da intervenção da Otan e as diversas opiniões que temos ouvido sobre as boas, más ou terceiras intenções dessas missões de paz. Tema polêmico e controverso. Fico com ele quando ao fim do artigo fala da “pureza das intenções que garantiria a legitimidade moral”. Que medo! Que medo dos radicais. Dos que falam de pureza como qualidade discriminatória e desconhecem a natureza humana. Copio aqui o final: Os impuros são a minha turma: mesmo em seus piores momentos, são sensíveis à contradição, pois lidam sempre com a complexidade atrapalhada de suas próprias intenções e com a falta de legitimidade de seus atos. Enquanto os puros… Pois é, tente conversar com os puros.”

Lembram do rapaz de Realengo? Ele pedia em sua carta suicida que só os puros o tocassem depois de morto.
A ignorância é um grande mal. A intolerância gera o ódio.
Viva a diferença e que a arte nos salve da brutalidade.

Aproveito para apoiar a campanha #eusougay que começou depois do assassinato de uma menina por namorar outra menina. Aqui está o link para a página do projeto na internet. A idéia é mandar uma foto com essa legenda escrita num papel, num post-it, como quiser, pra passar a mensagem do amor, da liberdade, da tolerância. E aviso aos navegantes, não se trata de uma campanha para sair do armário, ninguém está assumindo que é gay, a idéia é assumir um mundo melhor pra todos nós.

4 comentários sobre “A arte e os “impuros”

  1. Cara Patricia,
    conforme “assunto” essa é a primeira vez que te(?) escrevo. Tudo
    bem?Sou (mais um) de seus fãs e a acompanho desde os tempos de Musical
    FM(bons tempos). A história que te relato é pequena mas explicativa:
    Confesso estar decepcionado com a MPB há algum tempo pois percebo
    nomes que me assustam pela baixa qualidade técnica e vocal e o alto
    investimento midiático .Por ser fã de Rock, me dediquei a ouvir a
    Brasil 2000 e a Kiss FM. Acontece que conhei, muito por acaso, um
    cantor quando fomos, eu e minha esposa , a um Shopping no ABC. O nome
    dele é Vlad Moura e ele me fez retomar o “bom caminho”, pois resgatou
    músicas e sensações que eu não sentia há tempos. As interpretações bem
    arranjadas e sua bela voz fizeram com que nos tornássemos seus fãs de
    carteirinha. Ele canta nos shoppings do ABC (Mauá e Santo André) e de
    São Paulo(Itaquera, Taboão e Frei Caneca) e é sucesso em todos. Tem um
    grande carisma e uma devoção incrível ao que faz. Numa reportagem do
    “Jornal da Tarde” de 17/12/2009 o Gilberto Amendola pode conhecê-lo e
    descrevê-lo bem, na matéria intitulada “A estrela do Fast-food”. Pode
    parecer engraçado, e talvez até o seja, mas é uma alegria muito grande
    poder ouvir esses clássicos da MPB(Lulu Santos, Roberto Carlos,
    Djavan, Zé Ramalho), com pop atual (J Quest, Nando Reis, Ana
    Carolina), mesclados com Lenine(Meio Almodovar, Paciência), Monique
    Kessous(Frio), Moska(Pensando em Você) etc.
    Esse rapaz me resgatou a vontade de ouvir MPB, de comprar discos, de
    ouvir rádio. E é aí que eu te “redescobri”, pois a Eldorado “invadiu”
    a Brasil2000(Rock) e trouxe-me você de volta(rsrsrsrs).
    Esse cantor toca em bandas, em navios e já lançou 3(três) discos
    independentes, com mais de 12 mil cópias vendidas, sem empresário ou
    assessoria de imprensa, apenas com fãs devotados e crédulos de sua
    capacidade e qualidade musical.
    Gostaria que você o conhecesse pois sempre acreditei nas suas
    palavras, nos programas em que você apresentava artistas novos para o
    mundo e na força que isso pode representar. Veja vídeos no youtube ou
    conheça-o pelas redes sociais. Você vai se encantar, pode ter certeza.
    Eu, por enquanto, te agradeço por sua generosidade e amor pelo que faz
    e fico na torcida por você ver e acreditar nesse artista.
    Obrigado, mais sucesso ainda e continue com DEUS.
    Edson Rossito e família.

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