Africanas – Documentário de Eliza Capai em reta final de captação


Outro dia falei no Vozes do Brasil sobre esse documentário AFRICANAS de Eliza Capai: “Submissão, independência, mulheres negras nuas, mulheres brancas de véu, rituais de sacrifício, casamentos poligâmicos, Aids, amor: durante uma viagem de seis meses pela África discutimos diversidade, racismo e exotismo através de visões femininas”. Ela me mandou um depoimento direto de Barcelona e muitas pessoas ficaram interessadas em ajudar. Ainda dá tempo, por isso copio aqui a última mensagem de Eliza. Compartilhe o link em suas redes sociais.

Faltam poucas horas para terminar o financiamento coletivo do documentário Africanas… O primeiro corte do doc já está pago (uhuuu!!!) mas por que não aproveitar estas últimas horas para já conseguir pagar uma parte da trilha sonora, da finalização de áudio e cor?

Pois, para que esta ideia voe está lançada a seguinte promoção:

1. Todo mundo que postar a partir de agora até as 23h30 do dia 17/08/2011 um convite para o financiamento coletivo com o link http://movere.me/exibeProjeto.do?id=12 estará concorrendo ao premio de R$ 170… ou seja, postais envoltos em pano africano, download do doc e uma foto formato 50 x 70 da viagem! Para valer, tem que colocar @elizacapai para que a divulgação seja computada. Aconselho que no comentário você copie este texto… assim todo mundo pode saber do que se trata…;

2. Todo mundo que comprar uma cota a partir de agora estará concorrendo a recompensa de R$ 250,00… ou seja, a discografia de Mayra Andrade

3. Quem comprar tem que postar em meu muro assim: “eu comprei uma cota depois de ler o chamado de @FULANO” Fulano é o nome de quem postou o convite… convenhamos… Se quem escreveu no meu muro realmente comprou a cota, o Fulano estará concorrendo ao sorteio do premio de R$ 400… Ou seja…: discografia da Mayra Andrade + a foto! Uau!

4. Ok… para todos que não esperaram as ultimas horas para doar haverá um sorteio de uma cota de R$ 400 também… afinal vocês já fizeram o Africanas acontecer…. Obrigada!!!!

Lembrem… quanto melhor a chamada publicitaria de seus posts… mais chance de alguém doar… mais chance de concorrer aos prêmios! O sorteio será realizado dia 27 de agosto: Boa sorte!

Itamar nunca é demais!

Há muitos anos eu procurei a rádio JB no Rio de Janeiro pra começar uma redinha Vozes do Brasil. Deixei alguns programas de exemplo e voltei pra uma reunião. O diretor me disse que só seria possivel colocar o Vozes na grade se eu mudasse um pouquinho a seleção musical, “você toca muito Itamar Assumpção“- eu ouvi. Bom, até hoje não tem Vozes do Brasil no Rio de Janeiro e tocando Itamar o quanto me dá na telha estamos no ar em 5 cidades importantes no Brasil.
Essa semana estréia o documentário “Daquele Instante em Diante” que asssiti ontem numa sessão especial e concorridíssima. Visite a linda página do projeto aqui nesse link pra nao perder de jeito nenhum. Sou incapaz de dizer o quanto fiquei emocionada ao ver o filme. Tanto que saí do cinema sem falar com ninguém. Todos sabem da minha admiração pelo artista e do meu carinho imenso por Itamar. Por isso copio aqui um dos muitos especiais que fiz com ele durante esses 13 anos de Vozes do Brasil no ar. Nesse programa falamos do songbook que ainda estava por sair e tem trechos do Vozes ao Vivo no Vila Mariana, um registro incrível que até fez parte do filme – o que me deixou muito orgulhosa.
Acho que basta ouvir.

OUÇA AQUI

VOZES DO BRASIL ESPECIAL ITAMAR ASSUMPÇAO – 2004

Convidou o Benê Nunes pra tocar!!!

Todo mundo conhece “Coroné Antonio Bento”, sucesso na voz de Tim Maia e depois regravada por Cássia Eller. O que nem todo mundo sabe é quem é o tal do Benê Nunes que o coroné chama pra tocar no casamento da filha Juliana. Pois o homem que fez até o noivo dancar a noite inteira foi uma celebridade nos anos 50, o pianista preferido do presidente Juscelino e uma figura conhecidíssima no Rio de Janeiro como grande incentivador dos meninos que inventaram a bossa nova. Atuou em vários filmes da Atlântida contracenando por exemplo com Adelaide Chiozzo e Grande Otelo. Em 1952 interpretou o compositor Sinhô, no filme “O Rei do samba”, de Luís Santos e ficou conhecido como o pianista galã. Teve orquestras e conjuntos de baile, fez parte do conjunto Milionários do Ritmo de Djalma Ferreira e se apresentava no rádio desde menino. Seu maior sucesso foi a polca “Pedalando” gravada pela companheira de telas, Adelaide Chiozzo em 1950.

Não achei nenhum vídeo com Benê Nunes tocando e só encontrei notícia de 2 discos lançados por ele. Mas a homenagem de João do Vale e Luiz Wanderlei em “Coroné Antonio Bento” fica aqui registrada com a performance de Cássia Eller naquele show maravilhoso de 1995 com três violões, ela, Waltinho Vilaça e Luciano Maurício.

A gravação com Tim Maia contava com Cassiano na guitarra, o próprio Tim ao violão e Paulinho Braga na bateria. Disco antológico de 1970 que tem clássicos no repertório como “Primavera” e “Eu Amo Você” de Cassiano e Rochael, “Cristina”, de Tim Maia e Carlos Imperial, “Padre Cícero”, de Tim e Cassiano e a maravilhosa “Azul da Cor do Mar”, letra e música de Tim com arranjo de orquestra do maestro Waltel Branco.

Mas, já que falamos da pioneiríssima industria cinematográfica Atlântida e de Adelaide Chiozzo, vamos dar uma olhadinha naquele tempo. Adelaide, que tocava acordeon, fazia dupla com a atriz Eliana Macedo nas telas e nos discos. No filme “Aí Vem o Barão” de 1951, dirigido por Watson Macedo, elas cantam “Sabiá Na Gaiola”. Oscarito entra em cena no final da música para dar uma grande notícia: Acabara de se tornar Barão e herdar um luxuoso castelo. Pura diversão!

Dylan Thomas e o Amor Extremo

Esses dias vi na tv o anúncio de um filme chamado “Amor Extremo”. Gostei do título e lí a sinopse. Quando vi citado o nome do poeta Dylan Thomas fiquei curiosa. Tinha pouca informação sobre ele. Sabia, claro, da sua importância como poeta romântico, de seu jeito revolucionário de escrever como se cantasse, coisas de bardo do país de Gales, e que Bob Dylan tirou dele seu nome artístico. Mas sobre sua vida, nada. O filme não é biográfico, é mais uma livre adaptação da história que ele viveu entre duas mulheres, a sua esposa e um amor de juventude. O contexto histórico é a Segunda Guerra. Dylan Thomas e sua mulher Caitlin se jogam nos pubs, tanto que ele escapou do exército porque tomou um porre na véspera da convocação e apareceu com cara de doente. Vera, a amiga da adolescência que foi seu primeiro amor, é uma cantora que se apaixona por um soldado. Dois casais vivendo no extremo da guerra, da paixão e do ciúme.
O filme é bonito e sensível. Todo pontuado pelos poemas de Dylan Thomas que gravou em sua própria voz vários deles. E os transmitia por rádio. Um alento naqueles tempos de horror.
Mas a poesia não resiste à realidade. Ela é necessária ao cotidiano, evita que nos tornemos animais insensíveis ao belo. Mas não é possivel viver só de poesia e Vera mostra isso para Dylan. Ele foge. Claro, ele é um poeta.
Vale a pena assistir, ainda que mais não seja, pelo mergulho na obra desse bardo. Veja o trailer:

Amor Extremo

Agora, o próprio Dylan Thomas, numa daquelas gravações que citei aqui. O poema se chama In My Craft or Sullen Art e está tanscrito aqui logo depois do vídeo. Lindo. Perceba o ritmo.

Dylan Thomas

In my craft or sullen art
Exercised in the still night
When only the moon rages
And the lovers lie abed
With all their griefs in their arms,
I labor by singing light
Not for ambition or bread
Or the strut and trade of charms
On the ivory stages
But for the common wages
Of their most secret heart.

Not for the proud man apart
From the raging moon I write
On these spindrift pages
Nor for the towering dead
With their nightingales and psalms
But for the lovers, their arms
Round the griefs of the ages,
Who pay no praise or wages
Nor heed my craft or art.

Poemas em língua inglesa já foram tema aqui no blog com o filme que mostra o maravilhoso Keats. E com mais essa provocação com o filme sobre Dylan Thomas, lá fui eu atrás de música e poesia – em lingua inglesa. Lembrei do cd No Promisses de Carla Bruni. Ela trabalhou com a lenda Marianne Faithfull para criar canções de poemas de Emily Dickinson, W.H. Auden, Dorothy Parker e W.B. Yeats que vamos ouvir aqui com “Those Dancing Days Are Gone”. Uma delicia…

Carla Bruni – No Promisses

E pra saber mais eu recomendo o site oficial do poeta Dylan Thomas.

E ainda sobre o filme recomendo essa resenha de Fernando da Mota Lima publicado no blog Amálgama.

Qual é a trilha sonora do seu filme?


Música e cinema, um não vive sem o outro. E desde o filme mudo com os músicos fazendo a trilha na hora da projeção. Eu adoro trilhas, fico sempre até o fim pra saber quem cantou o que, se a trilha é original, essas coisas de gente adicta. E fico aborrecida com o povo passando na frente da tela. Idiossincrasias…

Mas voltando ao que é perfeito, tudo de Fellini com Nino Rota, por exemplo, ou a trilha sonora do maravilhoso Steeling Beauty do Bertolucci com Cocteau Twins, Portishead, Stevie Wonder, ou ainda o filme The Doors do Oliver Stone que a gente assiste ficando louca e depois tem uma ressaca monstro junto com Jim Morrison embalada por aquela música maluca, linda, transformadora.
Filmes que contam histórias de cantores, bandas e até de gravadoras me pegam especialmente. É o caso do genial Cadillac Records que conta a história da primeira grande gravadora de Chicago, a Chess Records – que lançou Chuck Berry e Etta James entre outros ícones da música negra norte americana. O nome do filme brinca com a mania dos cantores negros de comprar cadillacs, vários, depois de fazer sucesso e ganhar dinheiro.
Assisti esse filme outro dia e fiquei viciada em Etta James. A incrível, sensacional, sanguínea Etta James nascida Jamesetta Hawkins em 1938. Johnny Ottis, band leader e produtor branco de rhythm & blues foi o primeiro a gravar as canções de Etta e foi quem inventou seu nome artístico literalmente invertendo Jamesetta, e deu certo. Em 1960 ela entrou para o casting da Chess, gravadora pioneira de Chicago e foi nesse selo que gravou as maravilhosas “At Last”, “Don’t Cry, Baby”, “Trust in Me” e “I’d Rather Go Blind”. Etta foi interpretada por Beyonce e é com ela que podemos ouvir aqui esse clássico da música negra norte-americana e da canção romântica. Lindo de morrer!

Cadillac Records

Ainda os filmes. O estilista Tom Ford estreou na direção de cinema com A Single Man, ridiculamente traduzido aqui no Brasil por Direito de Amar. Baseado no romance de Christopher Isherwood, o filme é lindo. Desses pra não esquecer. Colin Firth faz um professor de literatura inglesa, gay, que em 1962 perde seu companheiro. Oito meses depois ele resolve se matar e o filme mostra seu pretenso último dia. É genial! Lírico, poético, inspirador, esteticamente impecável. O que mais gosto é do conceito do “invisível” e fiz dele uma apropriação particular.
A trilha sonora original é composta por Abel Korzeniowski e Shigeru Umebayashi com apenas quatro excessões sobre o que falarei na sequência. Aqui vai o trailer.

A Single Man

Julianne Moore é Charley, a melhor amiga de George Falconer, o professor. E a cena da festinha particular deles é embalada pela clássica “Stormy Weather” de Etta James. Volto pro repertório dessa cantora maravilhosa pra fechar o círculo. Como o professor e sua amiga, nós também temos nossas play lists. Seleções musicais feitas pra dançar em casa, pra passar o domingo na piscina, na casa da praia, pra namorar, pra dizer do nosso amor por alguém. Os nossos filmes também também merecem uma boa trilha sonora. Com uma boa música fica quase perfeito…

Etta James

Borboletas, John Keats e Manoel de Barros

Voltei do cinema absolutamente encantada pela poesia. Não só a poesia romântica de John Keats, tema do filme, mas por toda ela. Pela experiência que um poema oferece. “Bright Star” é o nome de um poema de Keats e também dá nome ao filme – lamentávelmente traduzido para “O Brilho de Uma Paixão”. É uma pena. Se lembrarmos que os tradutores de Keats no Brasil são nada menos que Augusto de Campos e Manuel Bandeira, dá até uma tristeza.
Ouvi críticas severas ao filme de Jane Campion num almoço entre amigos mas também li um lindo artigo na Folha de São Paulo que me levou ao cinema. João Pereira Coutinho lembrou da proximidade de Keats com a poesia grega clássica que muito me atrai desde os tempos de faculdade. Tenho perdidos por aqui os livros traduzidos por José Paulo Paes, riquísimas antologias do período clássico grego e latino. De lá eu tiro Píndaro e seu poema sobre a efemeridade da vida e da beleza como um exemplo: “..o homem é o sonho de uma sombra, mas quando os deuses lançam sobre ele a sua luz, claro esplendor o envolve, e doce então é a vida.” A frase mais conhecida de Keats é “A think of beauty is a joy, forever”, onde quer que a vida breve nos leve – traduz Augusto de Campos. E Bandeira ainda faz graça completando: “Mas ele próprio sentiu, quanto essa alegria dói.
O filme de Jane Campion trata disso. Da beleza, da efemeridade, do amor romântico, do tempo que não existe mais. O amor é o cotidiano daquela familia que vive nos campos da Inglaterra. A jovem Fanny, musa de Keats, cria suas próprias roupas, ama dançar e acaba fazendo um viveiro de borboletas em seu quarto enquanto o poeta viaja até o mar. Keats cita as borboletas e o milagre da transformação da lagarta numa de suas cartas. É o suficiente para que a casa vire uma extensão do jardim.
Os poemas de Keats são fortemente ritmados e causam vertigem numa leitura apropriada. Ele fala dessa sensação da leitura de um poema para a sua apaixonada aluna e é um dos momentos mais bonitos do filme. Outro é quando ele fala da memória do toque, às vésperas da viagem que terminaria com sua morte.
O filme é lindo, colorido, doce, amoroso. Talvez eu tenha gostado só porque sou romântica, ou porque gosto de poesia no cinema, na literatura, na música e nas coisas banais desprovidas de poesia. Por isso, lembro aqui Manoel de Barros e seu “Retrato do Artista Quando Coisa” que foi lindamente gravado por Luiz Melodia num arranjo só de voz e cordas. Ficou divino. São poetas próximos. “Borboletas já trocam as árvores por mim, Insetos me desempenham…” Exceto pela forma, acredito que Keats gostaria disso.

Bright Star, o trailer do filme – pra dar mais vontade de assistir…

Prato de Flores, com Nação Zumbi, um exemplo mangue beat de poesia Manoel de Barros

Calcanhotto e Wally, uma dupla que firmou a canção como principal suporte poético da nossa época, como já dizia Leminski lá nos anos 70.

E, melhor que tudo, a tradução de Augusto de Campos para o poema clássico de Keats.

Endymion ( trecho) – John Keats – trad. Augusto de Campos

O que é belo há de ser eternamente
Uma alegria, e há de seguir presente.
Não morre; onde quer que a vida breve
Nos leve, há de nos dar um sono leve,
Cheio de sonhos e de calmo alento.
Assim, cabe tecer cada momento
Nessa grinalda que nos entretece
À terra, apesar da pouca messe
De nobres naturezas, das agruras,
Das nossas tristes aflições escuras,
Das duras dores. Sim, ainda que rara,
Alguma forma de beleza aclara
As névoas da alma. O sol e a lua estão
Luzindo e há sempre uma árvore onde vão
Sombrear-se as ovelhas; cravos, cachos
De uvas num mundo verde; riachos
Que refrescam e o bálsamo da aragem
Que ameniza o calor; musgo, folhagem,
Campos, aromas, flores, grãos, sementes,
E a grandeza do fim que aos imponentes
Mortos pensamos recobrir de glória,
E os contos encantados na memória:
Fonte sem fim dessa imortal bebida
Que vem dos céus e alenta a nossa vida.