Pra Iemanjá com Caymmi e Calcanhotto

Sempre é tempo de render homenagens à rainha do mar. Especialmente porque vivemos tão longe da praia aqui em São Paulo. Adriana Calcanhotto fez mais um lindo disco com o tema azul, o mergulho, o salgado, o profundo, e dessa vez, no Maré, gravou Sargaço Mar de Dorival Caymmi com o violão de Gilberto Gil. Ficou lindo. E achei no YouTube essa ediçao de imagens com a canção.
Reproduzo aqui.

A proposito, estou lendo o livro de Beto Pandiani, “O Mar é Minha Terra”. Ele descreve cenas incríveis de suas vivências pelos oceanos do mundo. Por exemplo o céu refletido num mar de azeite de tão calmo, uma escuridão pontilhada de estrelas… Tem que ler! A resignificação da vida diante da imensidão.

capa do livro O Mar é MInha Terra

capa do livro O Mar é MInha Terra

A Hiroshima de Vinicius de Moraes

Arnaldo Jabor foi o único a comentar hoje nos jornais de São Paulo: nos dias 6 e 9 de agosto de 1945, bombas atômicas foram lançadas sobre o Japão. Aqui no Pandorama, o colega Catatau fez um comentário no seu blog no final de semana. Mas hoje, lendo o Estadão, achei muito pertinente a observaçao sobre o estigma que pesa sobre a Alemanha Nazista e a comemoraçao mundial que se seguiu depois das tragédias de Hiroshima e Nagazaki. A cultura do herói que a América do Norte soube vender muito bem dá esse tipo de resultado.
Aqui no Brasil, a terra do Homem Cordial, se ouviu uma voz dissonante: Vinicius de Moraes escreveu o poema “A Rosa de Hiroshima”. Na decada de 70 o libelo virou um clássico da nossa música popular com a gravaçao dos Secos e Molhados. “A rosa radioativa, estúpida, inválida…”

Esse grupo de atuação meteórica deixou um legado imenso de liberdade criativa. Foi um sucesso nacional misturando rock’n roll com canção, arranjos sofisticados, roupas e atitudes extravagantes. Na verdade, no caso de Ney Matogrosso, quase nenhuma roupa…

BLOG DA MARINA

Marcia Castro, cantora baiana talentosissima, cheia de charme e minha amiga, mandou um link pro blog da Marina Lima. Fui lá, claro. Sou fã da Marina há décadas e assim continuo. Acho que sua importância pra música brasileira vai além da polêmica sobre sua voz, muito além. Foi a primeira mulher compositora no pop nacional, apareceu no primeiro disco com uma guitarra entre as pernas e cantando pra abrir os trabalhos uma composição de Dolores Duran – coerência total!! Uma mulher de atitude. Por isso incluo na minha lista de preferidos aqui ao lado o link pro site e pro blog dela e ainda posto uma das minhas canções preferidas. Achei no youtube essa gravaçao de “Criança”, do lp Marina Lima – o primeiro que ela assinou com nome completo e que trazia um ensaio de fotos maravilhoso – no tempo do encarte para lps… dá até uma certa nostalgia. Bom, no vídeo tem Selton Melo e Preta Gil de figurantes, o que é bem divertido de ver.

No blog da Marina, o texto que chamou a atençao da Marcia Castro e que eu também curti muito, é uma reflexão sobre a música contemporânea. Bem bom. Vai lá!

ERIKA MACHADO MIXA NOVO CD NO FRIO DE SÃO PAULO

A mineira Erika Machado está em São Paulo mixando seu novo trabalho. Eu só ouvi uma faixa até agora (3×4) mas já gostei. Seu primeiro cd me deixou feliz! Letras bem humoradas, longe do comum, uma sonoridade nova e fresca com a retaguarda do genial John Ulhoa com quem ela repete a parceria. Copio aqui o release que escrevi pro cd “No Cimento e tô esperando ansiosa pra ouvir o novo disco. Depois eu conto tudo.

CAPA DO PRIMEIRO CD DE ERIKA MACHADO - NO CIMENTO

CAPA DO PRIMEIRO CD DE ERIKA MACHADO - NO CIMENTO

O ALMANAQUE ILUSTRADO DE ÉRIKA MACHADO

“Tudo que explique o alicate cremoso e o lodo das estrelas serve demais da conta” – isso é matéria de poesia pra Manoel de Barros e pra Érika Machado. Ele, poeta, ela compositora. Ele no Pantanal, ela numa Belo Horizonte cosmopolita, jovem e divertida mas ainda assim prenhe das pequenas coisas e das coisas grandes que cabem juntas no refrão: “girafa, amor, avião”. Na lírica de Érika Machado tem poesia pra tocar no rádio.
“As Coisas” foi a primeira música que ouvi por indicação de Fernanda Takai do Pato Fu e foi daí que tirei pra abrir essa conversa a figura simples e genial de caber tanta coisa grande num refrão. Imaginar a cena no ar, me deixou feliz de cara.
Depois, Érika me mandou um cd e ele foi comigo pra praia. Passou por São Paulo, atravessou as montanhas da Mantiqueira e da Serra do Mar e não fez feio fora de casa. Érika é uma moça de BH. Fez o “primeiro disquinho” pra vender em camelô em 2003. É artista plástica. Sua música é visual, é leve e tem alguma coisa de crônica, de retrato de geração. Uma juventude que leva a vida com compromisso e responsa, mas com um desapego que me agrada e me ensina porque “eu não sabe de nada” também. É existencialista nessa leveza em letra e música como no clima de “Perna” que tem programações eletrônicas, cavaquinho e escaleta pra procurar seu lugar no mundo.

Érika Machado tem uma qualidade na voz, que eu ainda não sei precisar qual é, mas que me faz acreditar em tudo o que ela canta. Tem uma meninice, um descompromisso aparente que faz a gente imaginar a cara desse personagem que vive de secador, maçã e lente! As figuras se formam como num cartoon pela cabeça. Essa parceria com Juliana Mafra já é sucesso em BH e Marina Machado foi a primeira a gravar.

Como a gente sabe, a simplicidade é chique. Érika é uma das favoritas de Ronaldo Fraga, o estilista mineiro que é louco por música brasileira. Fraga diz que sua voz é entorpecente e ela fez parte de trilha sonora da coleção de inverno 2006.

A produção de John Ulhoa é delicada como me parece ser a poética de Érika Machado. Colorida e desenhada, mas não dispensa guitarras e sujeira quando a música pede – na divertida “Robertinha”, por exemplo. John toca teclados, percussão, banjo, baixo, guitarra, efeitos e é parceiro em “Alguém da minha família”. Érika toca violão e guitarra. Daniel Saavedra programações, teclados, guitarra e cavaquinho. Cecília Silveira é parceira em “No Cimento”, “As Coisas”, assina “Tédio” e faz vocais.
Renato Villaça toca escaleta em “Perna”.

Érika Machado fez o cd “No Cimento” entre julho e outubro de 2005. Ela diz que faz tudo muito devagar, que demora pra fazer uma música. Por mim, tudo bem. Que ela continue nessa tranqüilidade de trazer pra música “as coisas que não pretendem”. Considero preciosos os discos autorais e os poetas únicos. Diz Manoel de Barros que “muita coisa se poderia fazer em favor da poesia (…) perder a inteligência das coisas para vê-las (…) nos versos mais transparentes enfiar pregos sujos, ciscos de olho, moscas de pensão…”
Quanto se poderia fazer pela música? Escrever seu nome no cimento?
Vá já ouvir Érika Machado e ganhe seu dia de pássaro.

Patricia Palumbo

APERITIVO: ERIKA E O CLIP DE “SECADOR, MAÇA E LENTE”

JUSSARA E ARTHUR!!

Ainda não gravarm disco juntos oficialmente, mas as apresentações das Schubertiades (canções do romantismo alemão tranformadas em música brasileira da melhor cepa…) tem deixado muita gente emocioanda. Eu inclusive…

Nessa noite eles fizeram a gentileza de se apresentar no MIS pro lançamento do VOZES Vol.2, livro que tem Jussara Silveira como uma das entrevistadas.