Aniversário de Elza Soares e Paulinho Moska no Vozes em Casa – Ouça Aqui

 

Adriana Caparelli homenageia Elza Soares pelo seu aniversário e Paulinho Moska no Vozes em Casa.

 

 

 

Vozes do Brasil bloco I (Junio Barreto, Gui Amabis, Criolo, Seu Jorge, Mallu Magalhães, Tom Zé, Gilberto Gil)

Homenagem de Adriana Caparelli à Elza Soares e Paulinho Moska no Vozes em Casa

Paulo Moura, Marcelo Camelo e Elza Soares

Chegou aqui em casa um pacote Natura Musical com esse presente que é o livro Paulo Moura, Um Solo Brasileiro. É um retrato afetivo musical muitíssimo bem editado pela Casa da Palavra com entrevistas feitas por Halina Grynberg, psicanalista, escritora, produtora e mulher desse grande músico brasileiro por 26 anos. As entrevistas na verdade são conversas. Na apresentação do livro, um texto poético e amoroso, ela descreve um café da manhã ao lado de seu marido, esse mestre dos sopros, esse ícone da nossa música, e pra ela um homem “que não precisa dormir pra criar”. O livro é lindo. Ler é como ouvir Paulo Moura, é descobrir um universo riquíssimo por trás do som da clarineta.

Larguei o livro pra receber em casa o cantor e compositor Marcelo Camelo. Há meses esperamos por essa chance, ele e eu. O disco Toque Dela já rodou o país, já toquei quase todo no Vozes do Brasil e ainda nao tinhamos conseguido esse encontro. Ele veio com o violão mas como as novas músicas são mais pra guitarra ouvimos um pedacinho de um samba pop de Mallu Magalhães e uma versão de Los Hermanos absolutamente diferente. Marcelo fala dos livros que lê e se diz complacente com as diferenças – ouve de tudo! E assume. Já curtiu Bon Jovi quando garoto, gosta dos fados que ouve em Portugal, entrou numa onda Strokes agora no Rio e fala comigo sobre os compositores cabeça e os xamãs. Um papo delicioso, como era de se esperar. Falamos de Paulo Moura, sobre a história já clássica do ouvido interno que Villa Lobos disse a Jobim que tinha pra fazer música cheio de crianças em volta. Paulo Moura e Camelo tem em comum a impressão que o lugar onde estão, onde criam, onde estudam, imprime em suas composições. Não é lindo? Agora o Vozes em Casa com Marcelo Camelo entra na fila e breve vai pro ar.

Fiz essa entrevista ainda sob os efeitos da apresentação de Elza Soares no Conexão Vivo em Salvador. Foi inacreditável! Elza chegou na praia da Pituba numa cadeira de rodas, entrou no palco apoiada por dois homens e cantou sentada. Fez uma operação na coluna “mas não na voz”- disse ela. Essa mulher levantou a platéia de um jeito! Só mesmo com muita verdade, muita vontade de viver, muito amor à música. Que grande artista. E fez graça com o trompetista da banda Senta a Pua cantando com ele sentadinho ao lado dela “O Neguinho e a Senhorita”. Um charme. Injetou alegria e emoção direto nas veias de todo mundo que viu. Não foram poucos os que chegaram às lágrimas. Inesquecível. Falei com Elza para o Vozes do Brasil e logo teremos aqui e no ar a cobertura completa dessa etapa baiana do Conexão Vivo.
E assim começou a minha semana. Que bom!

Louca por Elizeth…

Estou lendo a biografia de Elizeth Cardoso por Sergio Cabral e estou louca por ela. Além de ser uma das vozes mais lindas do mundo foi uma pessoa muito interessante. Namoradeira, gostava de dançar, super batalhadora, estou encantada.
Ela teve muitos admiradores entre os grandes da nossa música, Jacob do Bandolim e Ary Barroso, por exemplo. Com Jacob ela gravou aquele show maravilhoso com o Conjunto Época de Ouro e entre outras pérolas cantou “Feitiço da Vila” de Noel e Vadico que eu coloquei no Vozes do Brasil dessa semana. Ary fez pra ela o clássico “É Luxo Só” e nesse vídeo ela conta essa história.

Agora vejam o que é um encontro de Titãs! Elza Soares e Elizeth cantando juntas na tv (a extinta TV Record…) e improvisando como cantoras de jazz! O conjunto é do Caçulinha.

Genial é pouco!

O primeiro Vozes inédito do ano!

Hoje é dia de Vozes do Brasil inédito aqui em São Paulo. Depois ele segue por aí pra Curitiba e Santos no sábado e na outra terça vai pra Belo Horizonte.
No final do ano passado conversei com Elza Soares, Dominguinhos e Francis Hime e guardei as entrevistas pra começar 2010. Aí estão, com uma programação do repertório desses feras da nossa música.
Aproveito também o primeiro do ano pra tocar coisas novas, discos que recebi nas férias e gostei muito. Tem Otto, Ed Motta e Maria Rita, Ana Carolina e Luiz Melodia, Anelis Assumpção e Gui Amabis, Fernanda Takai e John Ulhoa. Vários duetos por uma feliz coincidência. Essa gravaçao da Ana Carolina com o Melodia é incrível. Eu adoro o samba “Cabide” que Ana compôs pra Mart’nália e tinha curiosidade de ouvir na voz da autora. Taí, com a preciosa contribuição de um dos maiores cantores do Brasil. Me deixa feliz ouvir Luiz Melodia cantar por isso toco sempre no programa e quem ouve o Vozes faz tempo até grita “bingo!”. O dueto de Ed com Maria Rita também está delicioso. A pilantragem do título dá a deixa do som, a música é a cara da malandragem anos 70 de Carlos Imperial e sua turma com a maior qualidade, swing e charme. As duas duplas que encerram a seleção tirei do cd que comemora os 10 anos do projeto Guri que forma jovens músicos aqui em São Paulo. E a molecada toca no disco, muito bacana!

Pra saber nome de música, discos, autores e tudo o mais entre na página acima “Play List do Vozes”, e pra saber dos horários e emissoras que transmitem o programa “Vozes do Brasil no Rádio”. Aí é só se programar e aumentar o volume. Bom divertimento!

Elza Soares, Wisnik e Nazaré – Equação Arrasadora!

elza
No espetacular cd “Do Cóccix Até O Pescoço” Elza Soares gravou Jorge Ben, Arnaldo Antunes, Luiz Melodia, Chico Buarque, Carlinhos Brown e Zé Miguel Wisnik. A música Bambino nasceu de um estudo de Zé Miguel sobre um tema de Ernesto Nazareth. Enquanto ele tocava ao piano uma frase com a mão direita percebeu que aquilo parecia uma pergunta e que a frase com a mão esquerda comentava ou respondia. Desse exercício – ou dessa descoberta – nasceu a letra:

E se o ferro ferir
E se a dor perfumar
Um pé de manacá
Que eu sei existir
Em algum lugar

E se eu te machucar
Sem querer atingir
E também magoar
O seio mais lindo que há

E se a brisa soprar
E se ventar a favor
E se o fogo pegar
Quem vai se queimar
De gozo e de dor

E se for pra chorar
E se for ou não for
Vou contigo dançar
E sempre te amar amor

E se o mundo cair
E se o céu despencar
Se rolar vendaval
Temporal carnaval
E se as águas correrem
Pro bem e pro mal

Quando o sol ressurgir
Quando o dia raiar
É menino e menina
Bambino, bambina
Pra quem tem que dar
No final do final

E se a noite pedir
E se a chama apagar
E se tudo dormir
O escuro cobrir
Ninguém mais ficar

Se for pra chorar
E uma rosa se abrir
Pirilampo luzir
Brilhar e sumir no ar

Se tudo falir
O mar acabar
E se eu nunca pagar
O quanto pedi
Pra você me dar

E se a sorte sorrir
O infinito deixar
Vou seguindo seguir
E quero teus lábios beijar

Zé Miguel me contou essa história no Vozes do Brasil que vai pro ar essa semana. Fizemos uma aula-show no rádio. Com Arthur Nestrovski destruindo naquele seu violão popular erudito e tecendo suas considerações sobre a poesia e a canção brasileiras – uma delícia de ouvir. Sérgio Reze contribuiu com sua elegante percussão, Zé Miguel tocou piano e cantou enquanto explicava as gêneses das canções.
Ainda falamos de Tom Jobim, Zé Celso, Machado de Assis, polcas, maxixes… foi uma aula e tanto. Sem contar que raramente se ouve esse tipo de música e de conversa no rádio. Adorei fazer!


Elza Soares arrasa nessa interpretação. Aqui ela aparece enquanto sobem os créditos do filme “Garrincha – Estrela Solitária” de Milton Alencar. Aproveite pra acompanhar lendo a letra e quem sabe até cantando…

Noite da Céu no Vozes do Brasil

Depois de viciar no Vagarosa fui entrevistar a Céu pro programa. Ela estava num daqueles dias em que a artista recebe mil jornalistas e tvs, mas do rádio, só eu… assim eu gosto mais.
E tivemos um delicioso encontro sobre o cd, seus parceiros de empreitada, seu jeito malemolente de ser.
No Vozes dessa semana Céu é o destaque (hoje no ar pela Eldorado em São Paulo, sábado as 13hs em Santos pela Litoral FM, as 18hs em Curitiba pela Lúmen e na próxima terça pela Inconfidência em BH as 23hs).
Aproveitei o embalo meio reggae, meio roots e coloquei Patativa do Assaré com Daúde, Chico César cantando forró, Junio Barreto e sua Santana e ainda pra fechar lindamente Elza Soares tangueando Fadas de Luiz Melodia e Gal Costa e Lanny Gordin, fatais, com Dê um Rolê (“eu sou amor da cabeça aos pés…” – ela canta do alto de seus 20 e poucos anos nos loucos 70).
Resumindo, o programa de hoje tá uma delícia!

Só pra quem vem ao blog tem essa versão que achei no YouTube com os Novos Baianos, música deles, com a guitarra de Pepeu, claro.