Ouve no Rádio Vê Aqui

É impossível fazer uma seleção e não ficar depois pensando a respeito do que me fez juntar uma música com a outra e de onde vieram aquelas gravações. Já falei muito sobre isso. Gosto das informações que vão aparecendo quase sem querer. É como tirar uma amostra de solo e pesquisar sedimentos, pura maluquice e diversão.
No play list dessa semana tem Erasmo Carlos cantando com Adriana Calcanhotto, Jorge Ben com “Que Nega é Essa” e Gilberto Gil com “Refavela” numa versão voz, violão e baixo do BandaDois.
Fui procurar essa turma no Youtube e acabei me jogando no groove de Tim Maia através do suíngue de Jorge Ben e caí num Roberto Carlos histórico. Achei gravações incríveis dos anos 70 que copiei aqui. Roberto foi o primeiro a gravar Tim Maia como todos sabem e fez isso estimulado por Carlos Imperial, uma figura polêmica mas muito importante pra música pop naquela época.

Roberto Carlos / Não Vou Ficar (Tim Maia)

Tim Maia / Idade

E agora da série “Ouve no Radio Vê Aqui”, a dupla Erasmo Carlos e Calcanhotto fazendo Gatinha Manhosa no programa do Sergio Groissman. No Vozes a gravação é “Imoral, Ilegal e Engorda”, mas essa eu não achei…

Erasmo e Adriana

E Benjor ainda Jorge Ben, cantando sua adorável musa Domingas acompanhado pelo saudoso grupo Originais do Samba.

Jorge Ben / Domingas

Daqui a pouquinho o Vozes entra na temporada de verão e vou postar aqui a nossa programação de melhores de 2010. O último especial do ano será com Gal Costa, ela mesma, comentando várias de suas gravações. A ver. E ouvir.

Cris Aflalo, Tom Jobim e Erasmo Carlos na semana do Vozes do Brasil

Ainda na semana da indignação com a parada de sucessos sigo aqui com meu prazeroso trabalho de tocar a diversidade da música brasileira no rádio.
No Vozes do Brasil dessa semana eu garimpo uma antiga de Tom Jobim gravada ao vivo em Montreal no final dos anos 80. Estou falando da maravilhosa “Falando de Amor” que ele chama de choro canção. Uma delícia de arranjo, uma letra dessas de tirar o folego de tão simples e bonita. É quase uma crônica. Vejam aqui:

E tem ainda Caetano Veloso e sua homenagem à bossa nova com “Saudosismo” numa versão mais tropicalista; Fernanda Takai homenageando a Jovem Guarda; o pernambucano Junio Barreto e seus amigos bons; e Erasmo Carlos com Chico Buarque numa versão linda de “Olha”. Essa, eu aproveito pra colocar aqui junto com outras imagens dos bastidores da gravação do disco “Erasmo Convida Vol.2”, que eu adoro.

Na segunda parte do programa tem uma entrevista com Cris Aflalo e Luis Waack feita lá no estúdio onde eles gravam, ensaiam e trabalham. Cris lançou seu segundo disco no ao passado e ainda está em turnê de lançamento. Nesse final de semana ela faz shows em São Paulo no Tom Jazz. Aqui vai uma das canções do disco. Esse número foi tirado do incrível site Música de Bolso – que eu recomendo aqui na lista de links.

E assim vamos. Fazendo a nossa própria lista de sucessos.

Musica para ler: Simonal, Erasmo e o nascimento da música pop no Brasil

Dois lançamentos muito bem vindos fazem parte da minha bagagem nessas andanças com o Station Brésil. Pegando avião pra lá e pra cá carrego os livros que contam as histórias de dois ícones da música pop no Brasil: Wilson Sinonal e Erasmo Carlos.
s de simonal“Nem Vem Que Não Tem”, de Ricardo Alexandre, é um trabalho de dez anos de pesquisa e entrevistas. Ricardo, entre outras coisas, foi editor da Bizz e é um jornalista que admiro. Agora mais ainda depois de ler esse livro e comprovar a qualidade de seu texto. O livro é saboroso, de leitura prazerosa e é um documento importante. Um retrato de um grande músico, uma biografia bem escrita que joga luz sobre uma história esquisita e mal contada. Através da leitura vamos descobrindo um Simonal além do mito. Um garoto pobre deslumbrado com a fama e o dinheiro que fez uma tremenda bobagem num momento de extremos no país e pagou por isso pelo resto da vida.
Max de Castro e Simoninha, filhos do cantor, estão celebrando o momento que é quase uma redenção. Numa entrevista para o Vozes eles comentaram que esse parece o “ano Simonal”. Já vimos no cinema “Ninguém Sabe o Duro que Eu Dei”; até o final de novembro deve sair em cd e dvd o show tributo “Baile do Simonal”(o Vozes do Brasil vai mostrar em primeira mão), e agora o excelente livro de Ricardo Alexandre. Finalmente as coisas entram no lugar e podemos ouvir Simonal outra vez sem a sombra do estigma. Pena que ele não tenha vivido pra ver.

erasmoE Erasmo Carlos escreveu suas memorias com o ótimo título “Minha Fama de Mau”. Está aqui a trajetória do garoto pobre da Tijuca, amigo de Tim Maia, “secretário” de Carlos Imperial, o Tremendão, um dos mais bem sucedidos compositores da música popular. É divertido ler as histórias das canções feitas com Roberto, as extravagâncias de moleque rico e famoso, as aventuras românticas e quase ingênuas desse “gigante gentil”. É comovente ler o livro. A narrativa não é linear, é emotiva. Escrita em primeira pessoa e sem pretensões literárias e por isso mesmo muito gostosa de ler. Erasmo faz confidencias. É como ouvir um amigo contando as histórias da sua vida. Só que esse é o amigo do rei. Uma delicia.

Os dois livros tem em comum um momento histórico, o nascimento da música pop no Brasil com a Jovem Guarda, os festivais, a Tropicália, a “pilantragem”, o samba rock. Muitos personagens se repetem nas duas publicações, é claro. E isso é muito interessante. A música brasileira está cada dia mais em pauta. Programas de tv se interessam por novos artistas, documentários ganham os cinemas e muitos livros tem sido lançados. Pra quem gosta, como eu, é uma festa! Que venham mais e mais livros como esses.

Hoje tem Erasmo Carlos no Vozes!!

imagesEu já tinha anunciado aqui um dia depois da gravação com ele. Mas hoje, aqui por São Paulo, vai pro ar a entrevista que fiz com Erasmo pro Vozes. Ele fala de “Coqueiro Verde”, de Marisa Monte, de Fernanda Porto, Arnaldo Antunes e, claro, do seu disco novo “Rock’n Roll”.
Como eu já falei bastante sobre ele resolvi colar no blog o texto da Rita Lee, olha só que luxo!!!

ERASMO CARLOS – ROCK’N’ROLL

Por Rita Lee

Rock não é coisa para maricas. Erasmo está aí que não me deixa mentir. Ao ouvir esse último trabalho imagino o “gentle giant” cantando no palco vestido de couro preto da cabeça aos pés enquanto marca o beat da música com a mão na coxa. Desde Marlon Brando e James Dean sou chegada num bad boy. Erasmo era o bad boy da Jovem Guarda, o que para mim significa ser ele o verdadeiro pai do rock brasileiro. E no meio dos trocentos clones que poluem as atuais paradas de sucesso com suas mesmices, eis que nosso Tiranossaurus Rex abre alas só com inéditas.

As músicas são a simplicidade com trombetas. As letras o pretinho básico com diamantes. O backing vocal um coral de anjos infernais. Os instrumentos e os arranjos são pérolas do bom gosto (rola até um Farfisa e um Hammond no meio de modernidades sonoras). E toda essa farra pilotada pela produção de Merlin Liminha. Graças aos deuses Erasmo é Erasmo, uma sacação genial se dizer cover de si mesmo no meio dos Elvis, Robertos, Rauls e Beatles, seus roqueiros porretas.

Você vai ouvir um macho apaixonado pelas fêmeas do planeta sem o menor pudor. Entre mulheres melancias, samambaias, melões e jacas, só Erasmo para proclamar aos quatro ventos que a mulher é uma guitarra.E rola de tudo no salão. Melodias lacrimejantes, harmonias delicadas, rocks gaiatos, baladas românticas, declarações rasgadas, deboches safados, conselhos para dor de cotovelo, guitarras sutis, baixos esquisitões, enfim: Erasmo Rock’n’Roll Carlos me deu uma baita inveja da leveza com que ele conduz seu barquinho por entre as tempestades e calmarias da vida. Erasmo, cadê você? Eu vim aqui só pra te ver!

E agora uma gravação antiga da MTV com Edgard novinho mostrando um encontro entre Marisa Monte e o querido Erasmo.

Pra ouvir o Vozes confira as emissoras e horários na página Vozes do Brasil no Rádio aí em cima do blog.

Em frente ao Coqueiro Verde com Erasmo Carlos

Uma das músicas que eu mais gosto da década de 70 é “Coqueiro Verde”, de Erasmo Carlos. É uma música divertida, feita como uma crônica daquele tempo e que tem uma levada totalmente atemporal. Se tivesse surgido hoje seria uma música moderna, nova, original. O trio Mocotó fez como samba rock, por exemplo, e é uma versão deliciosa.
DSC01573Encontrei com Erasmo Carlos na Rádio Eldorado. O gigante gentil passou por uma verdadeira maratona, fez todos os programas possíveis, de am e fm, entrou no ar ao vivo, falou até de futebol. E eu fiz um Vozes com ele, claro.
Como não aproveitar a ocasião?
Ele está lançando o novo disco “Rock’n Roll”, faz show em São Paulo e tá super feliz com esse movimento todo.
Fiz Erasmo me contar a história dessa música, “Coqueiro Verde” e ele gostou da proposta, ficou feliz de ter lembrado da canção. Trio Mocotó, Seu Jorge e Zeca Pagodinho já gravaram.
Coqueiro Verde também é o nome da gravadora de Erasmo.

Aqui uma versão do Trio Mocotó gravada em Hamburgo. Tem participação do Skowa e o grande João Parahyba apresenta a canção como uma música feita pra dançar junto. Muito bom!!!

E aqui uma pedacinho do show novo de Erasmo com essa banda incrível montada por ele com Dadi, Liminha e os Filhos da Judith. Definição dos próprios no Myspace: “FILHOS DA JUDITH é uma Beat Band carioca com raízes fincadas no rock n’ roll clássico. O iê iê iê distorcido do novo milênio é o marco inicial do movimento Drive n’ Beat.”

Ainda não sei que dia vamos colocar a entrevista no ar, mas aviso por aqui.

Erasmo rock’n roll, Arnaldo iê iê iê

Uma feliz e divertida coincidência reuniu esses dois monstros da música pop brasileira. Erasmo Carlos, um dos precursores do iê iê iê no Brasil lança um cd chamado Rock’n Roll. Arnaldo Antunes, que foi emergente do rock brazuca, lança um cd chamado iê Iê Iê.
Claro que não passou batido pelos próprios. Arnaldo menciona o Tremendão em seu release de apresentaçao e Erasmo acabou escrevendo pra Folha de São Paulo uma resenha do novo trabalho do nosso poeta pop star.
Aqui vão os textos:

Titã do Iê Iê Iê
Erasmo Carlos

Folha de S.Paulo – 18/09/2009
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Iê-iê-iê é o apelido brasileiro dado ao rock que se fazia nos anos 60. Era ingênuo na contestação e romântico por natureza. Mesmo assim, atingiu o nível de revolução cultural dando voz à juventude da época e instigando mudanças de comportamento. Esse tsunami histórico impôs a trilha sonora da infância de um pacato cidadão mirim chamado Arnaldo Antunes, que arquivou nos porões do seu imaginário a magia do som dos Beatles e da jovem guarda.
Quarenta e nove anos depois, ele nos presenteia com esse delicioso resgate afetivo dos tempos em que ainda se sonhava acordado. E POW! As lembranças soam contemporâneas graças à sonoridade, que vem com certificado de qualidade, encontrada pelos amigos da banda, o gol de placa da feliz interação/ inspiração das parcerias e, é claro, as “sacadas” geniais que só um multiartista fantástico como ele tem.
Adorei “Invejoso”, “Envelhecer” (me identifiquei), “Longe”, “A Casa É Sua” (linda) e… todas. A grandeza do poeta é ir além do pensamento e decodificar as emoções que o medo, a inabilidade, a acomodação e a hipocrisia não expõem. Arnaldo faz isso muito bem, com humor e com amor. Afinal de contas, o iê-iê-iê também é dele.

ERASMO CARLOS , 68, é cantor e compositor

Iê iê iê por Arnaldo Antunes

Iê iê iê é uma palavra que não está no dicionário, mas todo mundo sabe o que significa. Música jovem de uma época, com seu repertório de timbres, trejeitos, colares, carros e cabelos, o termo traduz um estilo que parece ter ficado parado no tempo, como se fosse um nome que se dava ao rock’n roll antes dele se chamar rock’n roll. Uma espécie de proto-rock, que se desdobrou em muitos afluentes de tendências e fusões.
Citado pelos Beatles em She Loves You (yeah yeah yeah) e por Serge Gainsbourg em Chez Les Ye Ye Ye, a expressão caiu na boca dos brasileiros para nomear a música da Jovem Guarda, motivando, na época, entre as mais diversas reações, os ternos versos de Adoniran Barbosa: “Eu gosto dos meninos desse tal de iê iê iê / Porque com eles canta a voz do povo / E eu que já fui uma brasa / Se assoprar eu posso acender de novo”.

(…)
Para mim, esse disco tem ainda um gosto de retorno a algo do início de minha carreira, quando formamos os Titãs, que nos dois primeiros anos de existência tinham o nome de “Titãs do Iê Iê”.

Arnaldo Antunes
maio de 2009

images-2ps: Já tinha terminado de escrever este release quando soube que Erasmo Carlos está lançando um disco novo, chamado “Rock’n Roll” (como o de John Lennon, que eu cito no texto). Achei uma coincidência simbolicamente interessante o fato dele, que começou sua carreira nos anos 60, dentro do que chamavam de iê iê iê, lançar esse disco na mesma época em que eu, que comecei nos 80, dentro do que chamavam de rock, esteja lançando meu IÊ IÊ IÊ.