Especial Gal Costa Estratosférica – Ouça Aqui!

GalCosta

 

Entrevista especial e exclusiva de Gal Costa para o Vozes sobre o disco Estratosférica

 

 

 

 

 

Estratosférica – parte I

Estratosférica – parte II

GAL COSTA FALA DE ESTRATOSFÉRICA NO VOZES DO BRASIL – ouça aqui as chamadas! Vai pro ar em todas as rádios parceiras!

Uma tarde de entrevista com Gal Costa para o Vozes do Brasil. No rádio pela primeira vez ela fala sobre Estratosférica.

Uma tarde de entrevista com Gal Costa para o Vozes do Brasil. No rádio pela primeira vez ela fala sobre Estratosférica.

Entrevista Especial Gal Costa – Ouça Aqui!

GalCosta

Entrevista com Gal Costa nos bastidores do show Recanto.

 

 

 

 

 

Vozes do Brasil – bloco I e Gal Costa – parte I (Ava, Karina Buhr, Russo Passapusso, Moreno +2)

Gal Costa – parte II

A MAIOR CANTORA DO BRASIL

*texto publicado no sábado, 02 de junho, na coluna Ouvido Absoluto do C2+Música do Estadão.

Fui ao show Recanto de Gal Costa e fiquei absolutamente emocionada. É tão bom quando um artista nos tira do lugar. Desde as primeiras noticias sobre esse cd minhas expecativas foram grandes. Adoro Gal Costa. Sou fã e admiradora de sua trajetória na história da música brasileira. Recanto não me deixou na mão. Amei o cd. Dificil na primeira audição, impactante e avassalador logo depois. As estranhezas que Kassin inventa, o piano de Daniel Jobim, o violoncello de Jacques Morelenbaum, o Rhodes de Donatinho, prato e faca de samba de roda do Reconcavo tocados por Moreno Veloso, programações, sintetizadores, e dois violões apenas: Caetano em Tudo Dói, e Luiz Felipe de Lima no 7 cordas em Recanto Escuro. Produção primorosa e nada convencional de Moreno e Caetano Veloso. Queria muito ver isso tudo no palco.

Caetano dirigiu o espetáculo de roteiro primoroso. Ela cantou Baby, Divino Maravilhoso, Mãe, O Amor, Vapor Barato, clássicos de seu longevo e fundamental repertório e, claro, as novas canções.

Depois de Recanto, o show, posso dizer: Gal Costa é a maior cantora do Brasil. Torquato Neto já dizia isso em 70 quando Gal fez o Fa-Tal. E eu repito isso agora em 2012, com o Recanto. Que artista maravilhosa! Entrou com rouquidão, desafinou, se desculpou, assumiu uma faringite e depois só arrasou. Foi nas notas mais baixas, nas mais altas, emocionou e fez chorar. Foi aplaudida de pé no meio das canções. Que instrumento impecável, bem usado, que poder.

Recanto é um disco histórico. Gal e Caetano juntos outra vez. Estrearam juntos em lp com Domingo em 67. Pré tropicalistas com a referencia fortissima de João Gilberto, da bossa que tentavam inventar e desconstruir como dois quadradões desafinados na genial música manifesto Saudosismo. Autotune Autoerotico faz as vezes agora em 2012, diz tudo sobre a voz, a reinvenção, o artificial e nos leva ao delirio com a força dos versos e do caminho melódico que explora toda a força do instrumento Gal Costa. Neguinho foi outro momento marcante. No disco tem o baixo de Kassin, a guitarra de Pedro Sá, programação e sintetizadores de Zeca Veloso. No palco tem Pedro Baby maravilhoso na guitarra e violões, Domenico Lancelotti totalmente genial na bacteria e mpc e Bruno di Lullo, baixo e violão.

Assisti Recanto pertinho de Caetano Veloso que tomava sua indefectível Coca-Cola. Quando Gal cantou com dificuldade no começo do show ela se dirigiu a ele, disse pra não ficar nervoso que ela faria um show bonito. E foi mais que isso, foi uma noite pra se guardar. O disco e o show tem um recado pra dar, ou vários. Mas o que mais diz é sobre a história dessa parceria. E responde aos que estão sempre querendo saber porque os tropicalistas são uma referência tão forte pra cultura nesse país jovem e diverso.

Caetano Veloso tem sempre o que dizer. Suas canções fazem pensar, emocionam, encantam. As letras de Recanto são de uma beleza e de uma dor que há muito esperava ouvir com essa voz tamanha. Um repertório que faz juz `a ela, que é perfeito pra essa mulher importante, essa cantora emblematica.

Eu nunca fiz o coro dos que detrataram Gal Costa por conta de seus discos corretos mas pouco originais cobrando mais revolução fora do tempo. Eu esperava sempre por algo mais com a certeza desse potencial e com o crédito que ela tem por tudo o que já foi feito. Nem preciso listar aqui suas gravações definitivas, antologicas. São conhecidas por todo o Brasil. Fato é que Recanto é um grande disco. Procure saber. Se ainda não ouviu, corra pra se assombrar. E caso esse show se repita, não perca. Coisas sagradas permanecem mas o momento passa ligeiro.

Marcia Castro no Vozes em Casa – Ouça Aqui

Mais um programa pra ouvir com prazer. Márcia Castro veio fazer o Vozes em Casa e fizemos quase um faixa a faixa do seu novo cd “De Pés no Chão”.
Aproveito pra copiar aqui um texto que escrevi sobre essa artista que eu tanto admiro.
Aperte o play pra ouvir o programa e leia o texto “Coração Selvagem” logo abaixo.

VOZES EM CASA COM MARCIA CASTRO BL.01

VOZES EM CASA MARCIA CASTRO BL.02

O Coração Selvagem de Márcia Castro

Foi naquele pequeno e histórico porão que era o teatro Crowne Plaza que vi Márcia Castro pela primeira vez. A jovem cantora baiana fez uma temporada e virou cult na cidade de São Paulo. Demorei pra ir mas no momento em que ela entrou, como todos os outros, fiquei absolutamente surpresa, enfeitiçada e comovida com sua presença no palco.

Uma moça diferente, uma garota moderna, contemporânea, sem nenhum traço do convencional, do esperado e conhecido tempero da música de sua terra mas com aquela marca da verdadeira baiana de Geraldo Pereira, a que entra na roda e sabe deixar a mocidade louca. Ela tem qualquer coisa daquela Gal Costa anos 70 que gravava Wally Salomão e Jards Macalé e que foi a musa de um exilio jovem e contracultural.
Marcia Castro tem esse lugar um pouco pela escolha do repertório e mais na atitude que revela liberdade. Tem aquela voz que você quer ouvir cantando as suas preferidas e algumas das minhas ela já cantou. No Crowne ouvi Lágrimas Negras, de Mautner e Jacobina, com Tom Zé ela cantou O Filho do Pato no Estudando a Bossa, do repertório das canções de Marina Lima fez Meu Doce Amor, de Itamar cantou a sensualissima Beijo na Boca com acento rock’n roll, trouxe pros nossos ouvidos carentes o melhor do bardo esquecido Belchior, e ao mesmo tempo visita seus contemporaneos como Luciano Salvador Bahia de quem gravou a excelente Queda.
Inventou a Pipoca Moderna, uma reunião de cantoras que se frequentam, se admiram artisticamente e tem em comum o que ela chama de matriz negra, uma sonoridade afro/baiana/brasileira/contemporânea. Nessa organização de conteúdo se revela uma artista que pensa, que tem estofo para a reflexão sobre seu oficio.
Ao mesmo tempo é um animal em cena. É o próprio Coração Selvagem de Belchior, o anjo rebelde, o arco iris, a que esconde um beijo embaixo do blusão.

O que ela apresenta nos palcos não cabe nos discos. Por isso não se pode conhecer Marcia Castro só nos cds. É pouco.
Há que se ouvir seu repertorio de outsiders numa noite fria do Festival de Arte da Serrinha ou num palco de praia em Salvador pulando Doces Bárbaros.
Marcia chega ao segundo disco trazendo na sua música a já tradicional mistura dos Novos Baianos com as bençãos do pop contemporâneo, indo mais longe. Nós, na massa, vamos logo atrás.

No portal Natura Musical tem Preta Pretinha pra download. :))
E aqui na Livraria Cultura um link pr comprar o cd “De Pés no Chão

Vai cantar o que?


Saiu hoje, sábado 26 de fevereiro, a minha coluna no Ouvido Absoluto do C2+Música do Estadão. Inspirada pela notícia do novo cd de Gal Costa escrevi sobre repertório. Caetano Veloso está compondo o disco inteiro pra ela. Ele já fez lindas canções para diversas musas cantoras. Entre elas, Angela Ro Ro com a magnifica “Escandalo”. Achei uma gravação antiga.

E pra Mart’nália tem a incrível “Pé do Meu Samba”. Aqui os dois juntos.

Falei também da escolha de repertório bem feita. Um bom exemplo é o cd “Eu Me Transformo em Outras” de Zélia Duncan. Veja o que é “Doce de Côco”

O link pra coluna na íntegra está aqui.

GAL, a baiana que deixa a mocidade louca!

Ninguém representou melhor a juventude dos anos 60, 70 no Brasil do que Gal Costa. Uma mulher linda, libertária, dando seu recado de novos tempos com pés descalços, muita voz e atitude. Fez espetáculos antológicos, gravou discos que representavam sua geração na arte e no comportamento com capa de Hélio Oiticica, poemas de Torquato Neto, Waly Salomão e Capinam, músicas novas de Caetano, Gil, Melodia, Jorge Ben, João Donato. Sua voz foi responsável por grandes sucessos na carreira desses autores e outros mais. Fez o Brasil cantar Caymmi e Ary Barroso, deu novos ares pra Chico Buarque e Tom Jobim. Gal é uma das maiores cantoras do Brasil.

Veja aqui Jô Soares entrevistando Gal Costa e ela cantando Luiz Melodia.

E quando digo isso não estou sozinha. O poeta Torquato Neto em sua Geléia Geral escreveu em 1971 por ocasião do show Gal a Todo Vapor:

“Disse e repito: Gal é a maior cantora. E garanto.
E você, bobão tropicalista, não venha me falar em épocas: todo mundo sabe que existem cantoras maiores em cada “época”, para todas as “épocas”, e que Aracy é a maior cantora e que Angela e Dalva também são as maiores e que Elizeth ainda é a maior cantora. Mas se você quer saber mesmo da maior cantora, a que sintetiza melhor e mais profundamente todas as “épocas” aqui, a mais quente, perfeita e livre e eu lhe digo, bobão: Gal. “

Aqui ela canta Torquato Neto.

Agora cantando Caetano Veloso.

E registrando pra história uma canção de Roberto e Erasmo Carlos.

No programa Ensaio, do gênio Fernando Faro, fazendo Macalé e Duda com o Som Imaginário.

Quando ela esteve em São Paulo pra lançar o cd Hoje em 2005 aproveitei sua presença no estúdio e espalhei na sua frente uns 20 discos da carreira de Gal Costa. Fomos escolhendo músicas pra comentar e daí saiu um material precioso que guardei por todos esses anos esperando a hora de montar um programa especial.
Com o lançamento da caixa Gal Total resgatei essa gravação e o resultado vai pro ar a partir dessa semana no Vozes do Brasil em todas as emissoras que fazem parte da nossa redinha.
Claro que não dá pra esgotar o tema em uma hora de programa. Gal Costa gravou seu primeiro compacto no final dos anos 60 e continua em atividade. Precisaria de mais uns 3 especiais como esse.
Mas, mesmo sendo um só, um recorte, uma pequena parte, não dá pra perder. A partir desse domingo na Eldorado em São Paulo as 20hs e na sequência na Lumen, Inconfidência, Educadora, Litoral e já já Nacional em Brasília. Confira horários e emissoras nesta página e veja porque Torquato Neto e eu temos Gal Costa em tão alto conceito.