O primeiro Vozes inédito do ano!

Hoje é dia de Vozes do Brasil inédito aqui em São Paulo. Depois ele segue por aí pra Curitiba e Santos no sábado e na outra terça vai pra Belo Horizonte.
No final do ano passado conversei com Elza Soares, Dominguinhos e Francis Hime e guardei as entrevistas pra começar 2010. Aí estão, com uma programação do repertório desses feras da nossa música.
Aproveito também o primeiro do ano pra tocar coisas novas, discos que recebi nas férias e gostei muito. Tem Otto, Ed Motta e Maria Rita, Ana Carolina e Luiz Melodia, Anelis Assumpção e Gui Amabis, Fernanda Takai e John Ulhoa. Vários duetos por uma feliz coincidência. Essa gravaçao da Ana Carolina com o Melodia é incrível. Eu adoro o samba “Cabide” que Ana compôs pra Mart’nália e tinha curiosidade de ouvir na voz da autora. Taí, com a preciosa contribuição de um dos maiores cantores do Brasil. Me deixa feliz ouvir Luiz Melodia cantar por isso toco sempre no programa e quem ouve o Vozes faz tempo até grita “bingo!”. O dueto de Ed com Maria Rita também está delicioso. A pilantragem do título dá a deixa do som, a música é a cara da malandragem anos 70 de Carlos Imperial e sua turma com a maior qualidade, swing e charme. As duas duplas que encerram a seleção tirei do cd que comemora os 10 anos do projeto Guri que forma jovens músicos aqui em São Paulo. E a molecada toca no disco, muito bacana!

Pra saber nome de música, discos, autores e tudo o mais entre na página acima “Play List do Vozes”, e pra saber dos horários e emissoras que transmitem o programa “Vozes do Brasil no Rádio”. Aí é só se programar e aumentar o volume. Bom divertimento!

Bem Me Quer, Mal Me Quer… Erika Machado no Vozes do Brasil

Na época em que Erika Machado lançou seu primeiro cd (No Cimento) fui chamada pra escrever o release do disco. E adorei faze-lo. Suas letras cheias de imagens coloridas me lembram os poemas de Manoel de Barros, poeta que eu amo justamente porque faz de qualquer coisa matéria de poesia. É aquilo que se encontra também na obra poética de Arnaldo Antunes mas que nasce do chão do centro do Brasil, como em Vanessa da Mata, conterrânea de Manoel.
Erika Machado é mineira e artista plástica. Antes de fazer música pra gravar em disco ou fazer show, fazia música como parte de suas propostas artísticas, como intervenção, como suporte. E hoje, as artes se “interpenetram”, como diz e faz o já citado Arnaldo.
O novo disco (Bem Me Quer, Mal Me Quer) tem sido muito elogiado. Diz a crítica especializada que Erika está mais madura. Adoro! Quando Caetano diz “a crítica que não toque na poesia”, não é só porque ele não quer, ou porque sempre existirá a birra entre o crítico e o artista, mas é porque o assunto é outro. Tom Zé disse uma vez que o problema do jornalista é que ele se ressente de não participar do processo… mas, enfim, o assunto não é esse.
O novo disco de Erika Machado está mais gostoso ainda que o primeiro. Suas imagens coloridas estão lá com toda sua doçura e visão particular e o som tem a mão do mágico John Ulhoa. Produtor, compositor, músico e arranjador, John tem uma assinatura forte. Seu bom humor e leveza aparecem no rock do Pato Fu, no pop de Zélia Duncan e no lúdico de Erika Machado. Em “Bem Me Quer, Mal Me Quer” ele também é parceiro de Erika, ao lado de Cecília Silveira (também artista plástica e presença forte desde os primeiros trabalhos) que assina a maioria das faixas. E desta vez há tambem as canções só dela, como “Rosa”, uma homenagem ao avô. Os adjetivos mais comuns pra falar de Erika são diferente e divertido, mas ela mesma diz que nesse disco as coisas não são simples como no primeiro e que “se a vida tivesse control Z eu juro que só faria canções alegres!“. Devo dizer que mesmo falando de situações tristes como o fim de um amor ou a morte, Erika deixa tudo mais fácil, “easy” como uma manhã de domingo.

Veja aqui um pedacinho do show de lançamento com Erika Machado, Cecilia Silveira, John Ulhoa e Fernanda Takai. Pura folia! Diversão entre amigos. E a Erika me contou que nessa platéia animada no Rio de Janeiro estava um fã ilustre: Milton Nascimento. Pra eles, o Bituca. Como ela mesma diria: “chique…”

Ouça tudo no Vozes do Brasil. Erika Machado é o destaque do programa da semana. Toda quarta na Eldorado Fm em São Paulo, sábados na Lúmen em Curitiba e Litoral em Santos, e na terça seguinte em Belo Horizonte pela Inconfidência.

Pra visitar o site de Erika machado e conhecer melhor seu trabalho inteiro, entre aqui: http://www.erikamachado.com.br/

Os portugueses do CLÃ no Sesc Pompéia e no Vozes do Brasil

Acabo de voltar do Sesc Pompéia onde fui me encontrar com a banda portuguesa Clã. Eu os conheci há alguns anos através do Pato Fu e de Arnaldo Antunes de quem são parceiros. Nesse final de semana eles trazem para São Paulo o show de lançamento de um cd feito especialmente para ser lançado no Brasil: Catalogue Raissoneé.
O cd é um apanhado de 17 anos de história do grupo. No repertório a primeira parceria entre Arnaldo Antunes e Helder Gonçalves, uma parceria com John Ulhoa e uma canção dos Tribalistas para reafirmar a estreita relação da banda com a música feita no Brasil. Pra esses shows em São Paulo ainda teremos a participação de Zeca Baleiro. Sem esquecer que o Clã participou da excelente coletânea da obra de Waldick Soriano, Eu Não Sou Cachorro, Mesmo” e a banda curtiu muito a experiência de tocar música brega brasileira.
A Banda tem uma formação diferente: Manuela Azevedo (voz), Hélder Gonçalves (baixo piccolo), Miguel Ferreira (teclados), Pedro Biscaia (teclados),Pedro Rito (baixo) e Fernando Gonçalves (bateria). Percebeu? São dois tecladistas, dois baixistas e nehuma guitarra. O baixo piccolo que Helder toca foi “inventado” por ele que trocou as cordas do instrumento tradicional. Na entrevista pro Vozes no rádio ele explica direitinho.
As fotos foram gentilmente tiradas pelos rapazes do Clã enquanto eu fazia a entrevista. Adorei! Obrigada!

Agora vejam que delicia de canção que é “Sexto Andar”. Faz parte do cd Cintura.

O DNA musical de Fernanda Takai no Vozes do Brasil

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Simpática como sempre, a querida Fernanda Takai veio até São Paulo e gravou o Vozes do Brasil pra fazer a divulgação do seu novo trabalho: o cd e o dvd “Luz Negra”.
Foi tudo gravado com o maior cuidado, com diretores operando as diversas cameras o que conferiu uma seleçao de imagens inéditas e bonitas. Nada daquele tédio tradicional das captações de show. As luzes e as cores se alternam conforme o clima de cada música, tudo muito delicado como Fernanda bem merece. Dá pra dizer que esses rapazes de BH fizeram uma linda traduçao da artista a quem se dedicaram. O cenário é lindo e o palco é do teatro municipal de Nova Lima.
A banda é a mesma que a acompanhou na gravaçao de “Onde Brilhem Os Olhos Seus”, disco dedicado à outra querida, a musa da bossa nova, da jovem guarda e dos sambistas, Nara Leão: John Ulhoa (parceiro de 17 anos!), Lulu Camargo, Mariá Portugal e Thiago Braga.

a banda da takai

a banda da takai

No repertório tem todas aquelas que só entravam em shows e que, segundo Fernanda, fazem parte do seu DNA musical:”There Must Be An Angel”, “Ordinary World” e “Ben”, por exemplo. Porque Fernanda, como se sabe, é fã do pop de Duran Duran, Michael Jackson, Eurythmics etc.
E tem “O Barquinho”em japonês! Aprenda no programa a pronuncia correta!
A entrevista está uma delícia e o disco incrível. Não perca esse Vozes se você gosta dessas duas coisas: bom papo e boa música!
Na página Vozes do Brasil no Rádio você confere as sintonias e ainda tem aqui ao lado o link pra ouvir sob demanda pela internet em Território Eldorado.

Pra dar um gostinho diferente vamos ver aqui numa gravaçao YouTube, naturalmente, Fernanda Takai e Maki, a charmosa e exótica cantora do Pizzicato Five. Encantador!
A platéia delira…

ERIKA MACHADO MIXA NOVO CD NO FRIO DE SÃO PAULO

A mineira Erika Machado está em São Paulo mixando seu novo trabalho. Eu só ouvi uma faixa até agora (3×4) mas já gostei. Seu primeiro cd me deixou feliz! Letras bem humoradas, longe do comum, uma sonoridade nova e fresca com a retaguarda do genial John Ulhoa com quem ela repete a parceria. Copio aqui o release que escrevi pro cd “No Cimento e tô esperando ansiosa pra ouvir o novo disco. Depois eu conto tudo.

CAPA DO PRIMEIRO CD DE ERIKA MACHADO - NO CIMENTO

CAPA DO PRIMEIRO CD DE ERIKA MACHADO - NO CIMENTO

O ALMANAQUE ILUSTRADO DE ÉRIKA MACHADO

“Tudo que explique o alicate cremoso e o lodo das estrelas serve demais da conta” – isso é matéria de poesia pra Manoel de Barros e pra Érika Machado. Ele, poeta, ela compositora. Ele no Pantanal, ela numa Belo Horizonte cosmopolita, jovem e divertida mas ainda assim prenhe das pequenas coisas e das coisas grandes que cabem juntas no refrão: “girafa, amor, avião”. Na lírica de Érika Machado tem poesia pra tocar no rádio.
“As Coisas” foi a primeira música que ouvi por indicação de Fernanda Takai do Pato Fu e foi daí que tirei pra abrir essa conversa a figura simples e genial de caber tanta coisa grande num refrão. Imaginar a cena no ar, me deixou feliz de cara.
Depois, Érika me mandou um cd e ele foi comigo pra praia. Passou por São Paulo, atravessou as montanhas da Mantiqueira e da Serra do Mar e não fez feio fora de casa. Érika é uma moça de BH. Fez o “primeiro disquinho” pra vender em camelô em 2003. É artista plástica. Sua música é visual, é leve e tem alguma coisa de crônica, de retrato de geração. Uma juventude que leva a vida com compromisso e responsa, mas com um desapego que me agrada e me ensina porque “eu não sabe de nada” também. É existencialista nessa leveza em letra e música como no clima de “Perna” que tem programações eletrônicas, cavaquinho e escaleta pra procurar seu lugar no mundo.

Érika Machado tem uma qualidade na voz, que eu ainda não sei precisar qual é, mas que me faz acreditar em tudo o que ela canta. Tem uma meninice, um descompromisso aparente que faz a gente imaginar a cara desse personagem que vive de secador, maçã e lente! As figuras se formam como num cartoon pela cabeça. Essa parceria com Juliana Mafra já é sucesso em BH e Marina Machado foi a primeira a gravar.

Como a gente sabe, a simplicidade é chique. Érika é uma das favoritas de Ronaldo Fraga, o estilista mineiro que é louco por música brasileira. Fraga diz que sua voz é entorpecente e ela fez parte de trilha sonora da coleção de inverno 2006.

A produção de John Ulhoa é delicada como me parece ser a poética de Érika Machado. Colorida e desenhada, mas não dispensa guitarras e sujeira quando a música pede – na divertida “Robertinha”, por exemplo. John toca teclados, percussão, banjo, baixo, guitarra, efeitos e é parceiro em “Alguém da minha família”. Érika toca violão e guitarra. Daniel Saavedra programações, teclados, guitarra e cavaquinho. Cecília Silveira é parceira em “No Cimento”, “As Coisas”, assina “Tédio” e faz vocais.
Renato Villaça toca escaleta em “Perna”.

Érika Machado fez o cd “No Cimento” entre julho e outubro de 2005. Ela diz que faz tudo muito devagar, que demora pra fazer uma música. Por mim, tudo bem. Que ela continue nessa tranqüilidade de trazer pra música “as coisas que não pretendem”. Considero preciosos os discos autorais e os poetas únicos. Diz Manoel de Barros que “muita coisa se poderia fazer em favor da poesia (…) perder a inteligência das coisas para vê-las (…) nos versos mais transparentes enfiar pregos sujos, ciscos de olho, moscas de pensão…”
Quanto se poderia fazer pela música? Escrever seu nome no cimento?
Vá já ouvir Érika Machado e ganhe seu dia de pássaro.

Patricia Palumbo

APERITIVO: ERIKA E O CLIP DE “SECADOR, MAÇA E LENTE”