DJ Zé Pedro e sua Jóia Moderna no Vozes em Casa – Ouça Aqui!

ZePedro

 

Zé Pedro fala sua gravadora, Jóia Moderna, e os trabalhos lançados por lá.

 

 

 

 

Vozes do Brasil – bloco I (Tim Maia, Bebel Gilberto, Chico Buarque, Gal Costa, Ella Fitzgerald, Elis Regina)

Zé Pedro e Jóia Moderna no Vozes em Casa

Literalmente Loucas – As Canções de Marina Lima

Nessa sexta, dia 26 de agosto, na Fecap vamos fazer o show de lançamento do cd Literalmente Loucas, As Canções de Marina Lima. Esse disco reuniu 12 das mais descoladas cantoras brasileiras da novíssima geração em torno do repertório dessa compositora que abriu o caminho pra mulher no pop nacional. Lembram do Simples Como Fogo de 1979 que abria com uma versão de Dolores Duran? Pois é, de lá pra cá Marina nunca deixou de surpreender pela ousadia, liberdade, pela contemporaneidade de sua obra. Esse disco é um tributo e é um prazer fazer parte de tudo isso. Acompanhar a feitura das canções foi uma alegria tão grande quanto ouvir o sim entusiasmado de cada uma delas quando receberam meu convite. O mesmo entusiasmo e alegria que o DJ Zé Pedro ouviu de mim quando me chamou pra escolher as meninas pra cada faixa nessa nova empreitada da sua Jóia Moderna. Quando o disco ficou pronto chamamos Marina pra ouvir aqui em casa e a emoção foi grande.
Copio aqui o texto de apresentação que fiz pro cd e espero vocês lá no show. Temos uma banda base pra fazer a cama macia pras meninas formada pelos maravilhosos Rovilson Pascoal, Ricardo Prado, Zé Nigro e Guilherme Kastrup – nosso diretor musical. Teremos as projeções da talentosa Anna Turra e muitas participações especiais. O teatro é lindo e a noite vai ser boa! Pra ganhar convite ouça a Rádio Eldorado e saiba como, a 107,3 é nossa rádio oficial. Ou compre o seu no Ingresso Rápido clicando aqui no link LITERALMENTE LOUCAS!

AS MENINAS:

O texto:
O FIO DA MEADA

Quando recebi o convite da gravadora Jóia Moderna para um projeto chamado “Literalmente Loucas” sobre as canções de Marina Lima, nem precisei pensar para dizer sim. Uma idéia perfeita. Marina é uma referência, tem uma obra respeitável e sempre esteve inquieta em busca do novo, do contemporâneo. Nada mais adequado do que rever sua discografia com essa novíssima e talentosa geração de cantoras e compositoras brasileiras., todas focadas no mesmo assunto: a mulher que canta, que toca, que compõe, que não se acomoda, se entrega para o novo, se reinventa.
O DJ Zé Pedro me apresentou uma seleção de canções e o desafio de escolher a voz para cada uma delas. Que delícia! A grande dificuldade foi deixar de lado algumas vozes que eu adoro mas que não caberiam num disco somente com 12 faixas. E assim fui montando minha lista de “Marinas” a partir das afinidades que percebia entre as canções e as intérpretes: “Memória Fora de Hora” tem a leveza de Tulipa Ruiz; “Quem É Esse Rapaz” só podia ser de Andreia Dias com seu humor temperado de ironia; a levada de “À Meia Voz” me pareceu perfeita para a malemolência mulata de Anelis Assumpção; a doçura de Nina Becker pra “O Meu Sim”; a modernidade de Karina Zeviani para “Confessional”; o apuradíssimo senso estético de Iara Rennó que fez mil vozes em “Alma Caiada” (primeira música composta por Marina Lima em parceria com seu irmão Antonio Cícero em 1976); a densidade disfarçada da baiana Marcia Castro em “Meu Doce Amor”(somente gravada por Gal Costa em 1978); os timbres de sopros e os beats eletrônicos da carioca Claudia Dorei para o “O Solo da Paixão”; a especialíssima voz de Joana Flor realçando a a letra de “Seu Nome”; a sensualidade elegante de Bárbara Eugênia para o clássico “Por Querer”; a letra de “Tão Fácil” me remeteu imediatamente à inteligência de Karina Buhr e por fim , tive a surpresa de descobrir o talento de Graziela Medori em “Bobagens, Meu Filho, Bobagens”, gravada até então somente por Caetano Veloso em 1983.
Fiquei feliz de ver confirmadas as minhas idéias. Apostamos e deu muito certo. Aqui está a diversidade da nossa música pop contemporânea, o talento e a originalidade dessa geração que tem como referência a trajetória de Marina Lima como compositora e cantora inspirada. Reconheço aqui então então o fio da meada.
O primeiro LP de Marina, em 1979, tinha na capa sua imagem forte e sensual com uma guitarra entre as pernas e a primeira faixa era “Solidão” de Dolores Duran numa regravação completamente inesperada. Naquele momento ela assumia se interessar pela nobre linhagem da canção brasileira gravando a musa de Antonio Maria, a rainha da fossa, da dor de cotovelo e apontava, ao longo das outras canções do disco, para muito além do passado e de possíveis clichês, dando logo o seu recado autoral. Sua música tem no ventre a mistura e a renovação sem negligenciar a história.
Varias canções desse “Literalmente Loucas” são parcerias de Marina com seu irmão Antonio Cícero, um poeta genial que derruba as fronteiras entre livros e canções. E para ele também, aqui nesse disco, toda nossa admiração e reverência.
Um disco novo de Marina nunca passou desapercebido por mim. Todos fazem parte da minha história. Hoje muito me alegra fazer parte de um deles. Obrigada Marina, DJ Zé Pedro e Thiago Marques, obrigada minhas queridas cantoras e músicos extraordinários que arrasaram nas versões e me encheram de alegria.
Agora é só ouvir bem alto e celebrar!
Patricia Palumbo
Agosto de 2011

Taiguara: livre, senhor de si.

Já contei aqui que a música lá em casa chegava numa kombi. São Sebastião demorou muito tempo pra ter livraria e loja de discos. Eu era bem garota e pra minha cota preferia Bee Gees e qualquer coisa da Motown (bailinho era um coisa séria). Mas esse LP do Taiguara me impressionou pela capa e, lógico, pelas canções com arranjos orquestrais, aquela dramaticidade na voz, um romantismo quase proibido pra minha idade e qualquer coisa de muito pop que me atraía bastante. Viagem saiu em 1970. Os anos seguintes foram marcados por uma época de muito sucesso no rádio e me lembro de ouvir bastante “Universo no teu corpo” e “Hoje“. Taiguara tinha a mesma importância de Erasmo Carlos, Tim Maia e Simonal para os meus pais. E ao lado de Chico Buarque e Gonzaguinha ele foi barbaramente censurado pela ditadura, perseguido, exilado e sumiu das kombis, das lojas de discos, do dial.

Taiguara nasceu no Uruguai, em Montevidéu em 9 de outubro de 45. Veio pro Brasil aos 4 anos e aos 10 começou a compor tocando piano. Foi um excelente música, cantor e compositor, tanto de canções de amor quanto de protesto, nele era tudo muito forte, muito intenso. Seu nome em tupi quer dizer livre, senhor de si. Combinava. Seu disco de estréia em 1965 recebeu elogios de Edu Lobo e Luiz Eça.
No livro organizado por Charles Gavin, 300 Discos Importantes da Música Brasileira, Tárik de Souza destaca o lp de 76: Imyra, Tayra, Ipy, Taiguara.

E não é por acaso. O Lp foi censuradíssimo, o show proibido e o disco até hoje é objeto de culto de colecionadores. A ficha técnica é impressionante, Taiguara arranjou pra uma orquestra de 68 músicos com a parceria de Hermeto Pascoal e regência de Wagner Tiso.
O time base era o seguinte: Taiguara: Voz/piano/sintetizador/mellotron/flauta; Nivaldo Ornellas: Sax soprano/tenor/flauta; Toninho Horta: Violão; Jacquinho Morelembaun: Cello ; Novelli: Baixo acústico; Paulinho Braga: Bateria/percussão em Três Pontas; Zé Eduardo: Bateria/percussão em A volta do pássaro ameríndio; Ubirajara Silva: Bandoneon em Primeira bateria; Lucia Morelembaun: Harpa; Hermeto Pascoal: Flauta/flauta baixo; Mauro Senise: Flauta; Neco: Cavaquinho

Com o lançamento da gravadora Jóia Moderna temos a oportunidade de ouvir Taiguara outra vez com o primeiro cd da série “A Voz da MUlher na Obra de…” Na seleção de cantoras estão Cida Moreira, Fafá de Belém, Claudette Soares, Evinha, Fernanda Porto, Adyel, Luciana Mello, Célia… gerações e estilos diferentes em arranjos limpos, arejados, que permitem ouvir Taiguara letrista, fazedor de canções. Pra quem não tem essa memória afetiva é um prazer conhecer, pra quem sentia saudades desse repertório, tá tudo aqui.