“Nós somos feios mas temos a música” – Leonard Cohen e Janis Joplin

Estou assistindo maravilhada o documentário “I’m Your Man” sobre Leonard Cohen, o bardo canadense que eu adoro. Além da sucessão de canções clássicas com vários intérpretes tem o melhor de tudo: o próprio Cohen contando suas histórias. Trechos de poemas, os livros que escreveu, as mulheres, os discos, a famiia, os poetas, budismo e punk rock. Ele diz que as canções são uma espécie de troco que ele dá à beleza que o toca. É lindo.
Essa canção que eu separei pra postar aqui foi escrita para janis Joplin e a frase do título que eu transcrevi faz parte da letra. Cohen diz que foi muito deselegante da parte dele contar que Janis foi sua inspiração, que ela mesmo não ligaria, mas a mãe dele sim. Eles moraram no mesmo lugar em New York, o Chelsea Hotel, e pelo jeito tiveram um rápido caso de amor. Bom, eram os anos 60. Quem canta “Chelsea Hotel” no documentário é Rufus Wainwright. Aqui é o monge mais sedutor da face da terra, Leonard Cohen. Com legendas em espanhol…

Um show antológico, elegante e essencial : Leonard Cohen

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Foi uma aula de respeito, dignidade e de excelência musical. Por isso, conforme prometi, volto a falar de Leonard Cohen pra contar como foi esse show incrivel que assisti em Bilbao na Espanha.
A primeira cançao foi “Dance Me To The End Of Love” num arranjo elegante, denso, com os graves ressonando docemente dentro do peito. Arrebatador logo de cara.
Como adereço apenas uma cortina imensa que com o jogo de luzes mudava de cor. Esse foi o fundo do palco que reuniu uma banda inacreditável de boa. Tão boa que o próprio Leonard se curvava em reverência a cada solo de guitarra do excepcional Javier Mas, do clarinete de Dino Soldo, do contrabaixo de Roscoe Beck, da bateria de Rafael Bernardo Gayol, do Hammond de Neil Larsen, da steel de Bob Metzger, ou cada vez que se ouviam as lindas vozes do coro feminino: Sharon Robinson (parceira em muitas canções) e as irmãs Charly e Hattie Webb que ainda por cima surpreenderam a paltéia com delicadas acrobacias…
Leonard Cohen, o ícone, tirava o chapéu literalmente! Ele estava no palco elegantemente trajado assim como toda a banda. De chapéu na mão, numa atitude de respeito e generosidade. Uma liçao de música e de vida. Saí de lá imensa e grata . A qualidade do som, a excelencia dos músicos e até a platéia – que se organizou sozinha pra entrar e esperava em silêncio quase religioso pra aplaudir loucamente depois de cada número.
A lembrança é de um espetáculo memorável, essencial. Essencial como deve ser a música. Apenas a boa música e mais nada alí naquele palco. Foi um show espetacular e eu não me canso de dizer e de contar.
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Eu não quis comprar o dvd do show antes de ver de perto. Agora quero tê-lo pra não perder nenhum detalhe.E aproveito pra colocar aqui o recorte de jornal do dia 19 de setembro que comenta a apresentação cujo título é “Louvado Seja Cohen”- uma referência ao agradecimento budista que ele fez ao final da apresentação.

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namastê…
namastê...

Leonard Cohen: do Monastério para os Palcos do Mundo!!

base_imageE eu estou aqui pra vê-lo!!! Não é pouca coisa. Aqui na Espanha falam dele como um poeta de torturada melancolia, um cantor de mística boemia, um compositor que trata de temas psicológicos profundos como a efemeridade da vida. Ele é afinal um artista com 40 anos de carreira, reverenciado desde o final dos anos 60 como um dos maiores. Leonard Cohen estave desde 1995 recolhido num monastério budista perto de Los Angeles. Há anos não pisava num palco e volta para uma turnê mundial. O poeta voltou do exilio voluntário porque foi roubado, imaginem!!! O patrimônio de toda uma vida, confiado a quem não devia, virou poeira. Forçadamente, ele saiu do monastério, montou um show incrível com uma retrospectiva da carreira, as melhores canções, uma senhora banda e já em Londres gravou disco duplo e dvd ao vivo. Um arraso de vendas, um sucesso avassalador.
O canadense Leonard Cohen, dono de uma das vozes mais aveludadas de todos os tempos, tem mais de 70 anos e está em plena forma. Aliás, vai completar 75 daqui a 4 dias!
Me dei de presente de aniversário assistir esse retorno de Leonard Cohen. Estou em Bilbao, Biskaia, Espanha e hoje a noite estarei nas primeiras filas testemunhando esse acontecimento.
Na mesma ocasião haverá o lançamento da tradução para o espanhol da obra poética de Leonard Cohen. E outra novidade é que agora mesmo em setembro o cantor, produtor e compositor Beck (que ama música brasileira) está recrutando um grupo de artistas contemporâneos para a regravação do primeiro álbum de Leonard de 1967. Entre eles estão os meninos do Little Joy e o tropicalista Devendra Banhart. São clássicas as baladas Dance me to the end of love, So Long Marianne, Suzanne, I’m Your Man e várias outras.
Depois do show eu conto mais. Por hora, um vídeo oficial da turnê…