Maria Alcina no Vozes em Casa – Ouça Aqui!

MariaAlcina

 

Maria Alcina vem ao Vozes em Casa falar sobre seu novo trabalho, De Normal Bastam os Outros.

 

 

 

 

 

Vozes do Brasil – bloco I (Duda Brack, Maria Gadú, Alice Caymmi, Nana Caymmi, Dorival Caymmi, João Bosco, Otto, Julieta Venegas, Adriana Calcanhotto, Vanessa da Mata)

Maria Alcina no Vozes em Casa

França e Brasil, o samba com sotaque desde 1932

assis_valente05Tem francesa no morro foi o primeiro samba de sucesso do grande Assis Valente. Foi gravado em 1932 por Araci Cortes. Era uma sátira ao costume burguês da época de usar expressões francesas no meio da conversa. Coisas de colônia que um mulato brasileirissimo não suportava e criticava nesse bom humor.
Assis Valente foi um compositor genial e teve uma vida muito difícil. Reproduzo aqui o ótimo texto de Carô Murgel que conta muito bem essa história:

Assis Valente nasceu em 19 de março de 1911, em Santo Amaro, BA. Teve, desde criança, uma vida bastante conturbada. Até os 10 anos foi roubado dos pais, trabalhando em regime de semi-escravidão em casa de família e se tornado ajudante de farmácia. A família que o fez trabalhar também o fez estudar durante a noite – e Assis se tornou, aos dez anos, um discursista de primeira qualidade, além de declamador (adorava Guerra Junqueiro e Castro Alves).

Aos 10 anos foi trabalhar em um circo, como declamador e comediante – mas isso logo deixou Assis cansado. Foi para o Rio exercer a função de protético (suas dentadura ficaram famosas – Lamartine Babo costumava chamá-lo de “O Pivô do Samba”). Gozador, sua primeira música e sucesso é Tem Francesa no Morro, gravada por Araci Côrtes (Done muá si vu plé lonér de dancê aveque muá…).

Assis compunha sempre já pensando na pessoa que cantaria seu samba. Quando conheceu Carmem Miranda ficou boquiaberto com a cantora. Tentou se aproximar tendo aulas de violão com um homem que julgava ser o pai adotivo da cantora. Engano. Decidiu então compor um samba em exaltação à Bahia. Carmem gostou e gravou. Para o outro lado do disco, Assis compôs a famosa Good Bye, Boy.

O sucesso na voz de Carmem Miranda foi estrondoso, e Assis seguiu compondo para ela: Camisa Listada, Uva de Caminhão, Minha Embaixada Chegou, …E o Mundo não se Acabou. Uma produção grande e impecável. Quando Carmem foi para os EUA, Assis se sentiu abandonado – mas já era bastante procurado por outros cantores, que adoravam suas músicas.

Quando soube que Carmem viria ao Brasil, Assis correu para compor duas músicas para ela: Recenseamento e Brasil Pandeiro. Carmem gravou a primeira e disse, sobre a segunda: “Assis, isso não presta. Você ficou borocoxô”. Isso magoou profundamente o compositor, por saber que a música era de boa qualidade – e por ver o sucesso que fez posteriormente nas vozes dos Anjos do Inferno.

E foi a tristeza que fez com que ele tentasse o suicídio duas vezes, morrendo finalmente na terceira tentativa. Eram 6:00 da tarde de 6 de março de 1958.

Carô Murgel

Agora vejam Maria Alcina, a nossa última vedete, cantando no Sesc Pompéia essa pérola de Assis Valente com o Lingua de Trapo. A banda, que não é pouca batatinha, faz referências à outras músicas da época e ao mestre Ernesto Nazareth. E a letra também vai aqui porque vale a pena acompanhar.

Tem Francesa no Morro (Assis Valente)

Donê muá si vu plé lonér de dancê aveque muá
Dance Ioiô
Dance Iaiá
Si vu frequenté macumbe entrê na virada e fini por sambá
Dance Ioiô
Dance Iaiá
Vian
Petite francesa
Dancê le classique
Em cime de mesa
Quand la dance comece on dance ici on dance aculá
Dance Ioiô
Dance Iaiá
Si vu nê vê pá dancê, pardon mon cherri, adie, je me vá
Dance Ioiô
Dance Iaiá

Viva Assis Valente e a presença da França no Brasil.
Semana que vem tem Tante Hortense e Revista do Samba no Vozes mostrando que o samba com sotaque tem lá o seu charme. Não dá pra perder!!