Moska e o feitiço da filosofia

Essa espécie de poeta que é Paulinho Moska me encanta há muito tempo. Quando ele lançou Móbile, em 99, eu fiquei numa alegria juvenil de descoberta. Aquilo era novo, original! E eu andava entediada com a música… Moska me deu novo fôlego e isso acontece de tempos em tempos com artistas que eu admiro, ainda bem! No Móbile com a colaboração muito preciosa de Sacha Amback e Marcos Suzano e sempre com suas letras que fazem pensar, com seu violão muito bem tocado e aquela voz linda, Moska faz a diferença. Ele se transforma, reinventa sua arte e mexe com o lado de cá.

“Os temperos são os mesmos, mas a gente pode misturá-los de maneira diferente e mudar sua imagem da vida, sua relação com o mundo, sua própria imagem o tempo inteiro”– me disse no livro Vozes do Brasil vol.I. E é isso mesmo, ele muda sempre e é sempre o mesmo. Adoro, admiro, respeito, acompanho.

Ainda não ouvi o novo trabalho, o cd duplo Muito Pouco, só três canções que estão no site da Biscoito Fino. Mas eu sei que vou gostar. Gosto da assinatura de Paulinho Moska, dá pra reconhecer uma letra, uma canção dele já nos primeiros segundos. Tem a levada e um encadeamento de frases que é muito peculiar, um discurso que não e fácil mas é palatável, saboroso, sedutor e muito bem construído.

Muito Pouco, diz ele, é um disco quietinho e aconchegante cheio de participações especiais, de Chico César e Maria Gadu à Bajofondo e Kevin Johansen.

Veja aqui a apresentação que ele mesmo faz do Muito Pouco.

E agora “Móbile” numa gravação fisgada no Youtube de um show no Estrela da Lapa em 2007 com Moska, Sacha Amback, Marcos Suzano, Nilo Romero, Christian Oyens e Hamilton de Holanda. Chamar de turma da pesada é pouco…

Ouve no rádio, vê aqui.

Essa semana no Vozes do Brasil a seleção está cheia de duetos. Isso começou por conta de Rita Lee e seu Bossa and Roll, disco antigo e delicioso, que ela fez só com violões há uns 20 anos. Lá na última faixa ela chama Gal Costa pra cantar “Mania de Você” e as duas se divertem muito com a experiência. Brincam uma com o repertório da outra e se não fazem a melhor versão dessa deliciosa música da safra paixão Rita e Roberto, fazem uma das mais interessantes pra quem gosta desse tipo de troca que só se dá ao vivo. Eu adorei e compartilho.

Gal Costa e Rita Lee – Mania de Você

Outro encontro incrível entre duas vozes arrebatadoras: Cássia Eller e Luiz Melodia. No projeto Casa do Samba eles cantam juntos “Juventude Transviada”. Cássia dá um show de tranquilidade com seu vozeirão. Solta a voz e destrói nessa interpretação. Luiz Melodia é pra mim o melhor cantor de sua geração. Compositor genial, herdeiro da tradição do Estácio de Sá e expoente da cultura pop tropicalista marginal. Duo de gigantes!

Luiz Melodia e Cássia Eller – Juventude Transviada

Paulinho Moska é um pensador. Faz música como matemática pura. E Lenine é um maravilhoso irrequieto que cultiva orquídeas. Dois grandes compositores e dois violões cheios de personalidade. Juntos eles fazem “Do It”, de Lenine, numa gravação do genial programa Zoombido.

Moska e Lenine – Do It

A seleção completa está na página Play List do Vozes e eu chamo a atenção aqui pra versão de voz e violão de “Cangote” com a Céu que foi gentilmente cedida por Alexandre Matias do site O Esquema. Eu ouvi e adorei, pedi pra Céu, que pediu pro Alexandre e com a ajuda da Bebel Prates colocamos no ar! Lindo!

Na entrevista da seman temos Claudia Dorei e seu Trip Hop Tropical. Aqui mesmo na sala de casa conversamos sobre seu primeiro cd, Respire, e o bate papo está na integra nesta edição do Vozes do Brasil.

Confira as emissoras na página Vozes do Brasil no Rádio. Bom programa!

Ouve no rádio, vê aqui.

Essa semana me deu uma nostalgia dos anos 80 e lá fui eu ouvir o Luni. Acabou indo pro ar, é claro!
Ao lado de Fellini, Smack, Mercenárias, Gang 90 e as Absurdetes, Cazuza e os ingleses incríveis que Thomas Pappon nos apresentava, era o Luni que furava a vitrola.
Fui abrir a livraria do Youtube e achei esses vídeos da Ruth Slinger que são retratos da época. Cabelos, calças, aquele visual cafonérrimo que a gente achava lindo. E o Luni era muito pop, muito fashion, muito bacana, era a melhor banda! André Godon, Fernando Figueiredo, Gilles Eduar, Lloyd Bonnemaison, Lelena Anhaia, Marisa orth, Natália Barros e Théo Werneck. Os shows eram incríveis.
A qualidade da gravação é sofrível, mas vale a pena.

Luni – Taxi
Percebam a interpretação de Natália Barros e Marisa orth correndo sabe lá de quem dentro do carrinho e no túnel. É muito bom!

Luni – Johnny
Agora a teatral Johnny com Marisa toda montada e Théo Werneck cantando muuuuuito!

Outra vontade foi ouvir Suely Mesquita e suas letras incríveis e sua elegância vocal de soprano mestra de canto. Suely lançou o segundo disco em 2008, o Microswing e continua correndo por aí com suas oficinas que arrebatam joven cantores e cantoras. Bruno Morais foi aluno dela.
Suely é parceira de Fernanda Abreu, Aricia Mess, pedro Luis, Moska, Zélia Duncan, Mathilda Kóvack e Zeca Baleiro, pra dizer alguns. E sempre contribui muito com sua sutileza e inteligência.

Suely Mesquita e Zélia Duncan – Imenso
Aqui um encontro com Zélia Duncan, sua parceira em “Imenso”, uma brincadeira com o jeito português de falar.

Suely Mesquita e Moska – Seu Olhar
E a parceria de Suely Mesquita e Moska, ainda inédita em disco.

Pronto, conforme prometi no Vozes do Brasil, mostrei o que você ouviu no rádio.