Eu não ando, eu só sambo… por aí…

vida_fot25A letra de “Samba Jambo” de Jorge Mautner é a coisa mais bonitinha do mundo! “Os seus olhinhos sempre tem, meu bem, aquela luz da aurora da manhã…”, fala sério!
Hoje separei essa música pra tocar no Vozes. Tirei do cd duplo O Ser da Tempestade – que saiu no final da década de 90 como um tributo ao filósofo do KAOS.
A primeira vez que vi o Mautner foi num show bagunçadíssimo e muito divertido. Era só para estudantes (eu tinha 18 anos), só ele e Nelson Jacobina. Os dois lindos de morrer, sem camisa por que estava um calor absurdo, cabelos compridos e fazendo um som que eu nunca tinha ouvido antes. Amei.
Os trabalhos mais recentes da dupla Mautner/Jacobina podem ser ouvidos num disco de 2007, Revirão, que saiu sem fazer muito barulho. Antes disso Caetano gravou com ele o cd Eu Não Peço Desculpa, e Jacobina é um dos músicos da seleção Orquestra Imperial.
Bom, pra curtir Jorge Mautner deixo aqui um videozinho onde ele explica o KAOS e na sequência um que tem o show de Caetano com participaçao dos dois aqui citados.
Atente para Celso Sim fazendo a segunda voz em “Maracatu Atômico”. Tão bonitinho…

Caetano Veloso e Jorge Mautner

Mais fotos de Jorge Mautner, olha só que personagem…

1972 Lança o LP Para Iluminar a Cidade e o compacto Planeta dos Macacos, pelo selo Pirata, da Polygram. O disco é lançado por um preço mais baixo que o de mercado, e as lojas começam a boicotá-lo. Assim, o selo Pirata deixa de existir, e o disco é retirado de circulação. Realiza shows em penitenciárias para detentos e também na Casa das Palmeiras (de Nise da Silveira) para os internos, no Rio de Janeiro.

1972 Lança o LP Para Iluminar a Cidade e o compacto Planeta dos Macacos, pelo selo Pirata, da Polygram. O disco é lançado por um preço mais baixo que o de mercado, e as lojas começam a boicotá-lo. Assim, o selo Pirata deixa de existir, e o disco é retirado de circulação.

poeta performático

poeta performático

Só pra lembrar, pra ouvir “Samba Jambo” sintonize o Vozes do Brasil dessa semana. Veja os horários e as emissoras na página Vozes do Brasil no Rádio aí em cima do blog. OU entre no link Território Eldorado pra ouvir sob demanda. E não esqueça de prestar atençao na letra…

Sinhô e a inspiração de Manoel Bandeira

Hoje fui buscar Manoel Bandeira na estante pra ver se achava alguma inspiração pra começar bem o dia. Esse poeta é dos meus preferidos e não só pelo óbvio motivo da qualidade estética de sua obra, da delicadeza de seus versos, mas também porque era um apaixonado pela música e um cronista maravilhoso. Sim, ele escrevia sobre a Província do Brasil! Daquele jeito que poetas escrevem, com uma observação do cotidiano que muitas vezes nos escapa.
Bom, e não é que encontrei uma crônica sobre Sinhô e fui descobrir que hoje, 4 de agosto, é o dia da morte dele!
Pois é. Morreu numa barca, indo para a cidade do Rio de Janeiro. “O que há de mais povo e de mais carioca tinha em Sinhô sua personificaçao mais típica, mais genuína e mais profunda”, diz sobre ele o nosso poeta/cronista.

João Barbosa da Silva, o Sinhô

João Barbosa da Silva, o Sinhô


Sendo assim, homenageio aqui esse compositor de “Jura”, “Não Quero Saber Mais Dela”, “De Que Vale a Nota sem o Carinho da Mulher”, “O Português e a Mulata” e várias outras jóias dos idos anos 20 e 30.
Clara Sandroni e Marcos Sacramento fizeram nada menos que 4 cds com a obra dele. o Grupo Rumo gravou “Deus me Livre dos Castigos das Mulheres” em 1981 no antológico Rumo aos Antigos (uma obra prima!).
O Manoel Bandeira que fui buscar na estante, nos manda muito oportunamente a lembrança desse ícone da música brasileira: José Barbosa da Silva, nascido em 18 de setembro de 1888, sucesso do Carnaval de 1920 com “Fala Meu Loro” e “Pé de Anjo”.

Destaco aqui um trechinho da crônica de Bandeira: “Não faz uma semana eu estava em casa de um amigo onde se esperava a chegada de Sinhô para cantar ao violão. Sinhô não veio. Devia estar na rua ou no fundo de alguma casa de música, cantando ou contando vantagem, ou então em algum botequim. Em casa é que não estaria; em casa, de cama, é que não estaria. Sinhô tinha que morrer como morreu, para que a sua morte fosse o que foi: um episódio de rua, como um desastre de automóvel. Vinha numa barca da Ilha do Governador para a cidade, teve uma hemoptise fulminante e acabou.”

Pra ler na íntegra eu recomendo o site:
http://www.releituras.com/mbandeira_sinho.asp

Aqui vai mais uma contribuiçao do YouTube para nossa efeméride: Clara Sandroni e Marcos Sacramento se divertindo a valer!

E ainda um pouquinho do Grupo Rumo fazendo da mesma época de Sinhô um clássico de Noel e Vadico: “Quantos Beijos”

Pra ouvir mais se ligue no Vozes do Brasil dessa semana. Em 4 emissoras e em vários horários, confira na página Vozes do Brasil no Rádio logo aí em cima do blog.

Viva Sinhô!!
obrigada Bandeira…

Arnaldo Antunes finaliza o cd Iê-Iê-Iê e eu ouvi o disco!!

O cd só vai chegar às lojas em agosto mas eu já ouvi uma prévia do novo trabalho de Arnaldo Antunes. Cheio de parceiros novos como o pernambucano Ortinho e o jovem músico de sua banda Marcelo Jeneci, o mais tranquilo dos roqueiros do Brasil brinca agora com os quadrinhos e com a música pop. A tunrnê tem patrocinio da Natura e alguns privilegiados terão acesso a um material incrível que o próprio Arnaldo acabou de fazer (não posso contar o que é pra não estragar a surpresa…).

Nessa fotinho paparazzi eu registro o momento em que ele me manda as músicas pelo computador.

correspondência musical

correspondência musical

BLOG DA MARINA

Marcia Castro, cantora baiana talentosissima, cheia de charme e minha amiga, mandou um link pro blog da Marina Lima. Fui lá, claro. Sou fã da Marina há décadas e assim continuo. Acho que sua importância pra música brasileira vai além da polêmica sobre sua voz, muito além. Foi a primeira mulher compositora no pop nacional, apareceu no primeiro disco com uma guitarra entre as pernas e cantando pra abrir os trabalhos uma composição de Dolores Duran – coerência total!! Uma mulher de atitude. Por isso incluo na minha lista de preferidos aqui ao lado o link pro site e pro blog dela e ainda posto uma das minhas canções preferidas. Achei no youtube essa gravaçao de “Criança”, do lp Marina Lima – o primeiro que ela assinou com nome completo e que trazia um ensaio de fotos maravilhoso – no tempo do encarte para lps… dá até uma certa nostalgia. Bom, no vídeo tem Selton Melo e Preta Gil de figurantes, o que é bem divertido de ver.

No blog da Marina, o texto que chamou a atençao da Marcia Castro e que eu também curti muito, é uma reflexão sobre a música contemporânea. Bem bom. Vai lá!

ERIKA MACHADO MIXA NOVO CD NO FRIO DE SÃO PAULO

A mineira Erika Machado está em São Paulo mixando seu novo trabalho. Eu só ouvi uma faixa até agora (3×4) mas já gostei. Seu primeiro cd me deixou feliz! Letras bem humoradas, longe do comum, uma sonoridade nova e fresca com a retaguarda do genial John Ulhoa com quem ela repete a parceria. Copio aqui o release que escrevi pro cd “No Cimento e tô esperando ansiosa pra ouvir o novo disco. Depois eu conto tudo.

CAPA DO PRIMEIRO CD DE ERIKA MACHADO - NO CIMENTO

CAPA DO PRIMEIRO CD DE ERIKA MACHADO - NO CIMENTO

O ALMANAQUE ILUSTRADO DE ÉRIKA MACHADO

“Tudo que explique o alicate cremoso e o lodo das estrelas serve demais da conta” – isso é matéria de poesia pra Manoel de Barros e pra Érika Machado. Ele, poeta, ela compositora. Ele no Pantanal, ela numa Belo Horizonte cosmopolita, jovem e divertida mas ainda assim prenhe das pequenas coisas e das coisas grandes que cabem juntas no refrão: “girafa, amor, avião”. Na lírica de Érika Machado tem poesia pra tocar no rádio.
“As Coisas” foi a primeira música que ouvi por indicação de Fernanda Takai do Pato Fu e foi daí que tirei pra abrir essa conversa a figura simples e genial de caber tanta coisa grande num refrão. Imaginar a cena no ar, me deixou feliz de cara.
Depois, Érika me mandou um cd e ele foi comigo pra praia. Passou por São Paulo, atravessou as montanhas da Mantiqueira e da Serra do Mar e não fez feio fora de casa. Érika é uma moça de BH. Fez o “primeiro disquinho” pra vender em camelô em 2003. É artista plástica. Sua música é visual, é leve e tem alguma coisa de crônica, de retrato de geração. Uma juventude que leva a vida com compromisso e responsa, mas com um desapego que me agrada e me ensina porque “eu não sabe de nada” também. É existencialista nessa leveza em letra e música como no clima de “Perna” que tem programações eletrônicas, cavaquinho e escaleta pra procurar seu lugar no mundo.

Érika Machado tem uma qualidade na voz, que eu ainda não sei precisar qual é, mas que me faz acreditar em tudo o que ela canta. Tem uma meninice, um descompromisso aparente que faz a gente imaginar a cara desse personagem que vive de secador, maçã e lente! As figuras se formam como num cartoon pela cabeça. Essa parceria com Juliana Mafra já é sucesso em BH e Marina Machado foi a primeira a gravar.

Como a gente sabe, a simplicidade é chique. Érika é uma das favoritas de Ronaldo Fraga, o estilista mineiro que é louco por música brasileira. Fraga diz que sua voz é entorpecente e ela fez parte de trilha sonora da coleção de inverno 2006.

A produção de John Ulhoa é delicada como me parece ser a poética de Érika Machado. Colorida e desenhada, mas não dispensa guitarras e sujeira quando a música pede – na divertida “Robertinha”, por exemplo. John toca teclados, percussão, banjo, baixo, guitarra, efeitos e é parceiro em “Alguém da minha família”. Érika toca violão e guitarra. Daniel Saavedra programações, teclados, guitarra e cavaquinho. Cecília Silveira é parceira em “No Cimento”, “As Coisas”, assina “Tédio” e faz vocais.
Renato Villaça toca escaleta em “Perna”.

Érika Machado fez o cd “No Cimento” entre julho e outubro de 2005. Ela diz que faz tudo muito devagar, que demora pra fazer uma música. Por mim, tudo bem. Que ela continue nessa tranqüilidade de trazer pra música “as coisas que não pretendem”. Considero preciosos os discos autorais e os poetas únicos. Diz Manoel de Barros que “muita coisa se poderia fazer em favor da poesia (…) perder a inteligência das coisas para vê-las (…) nos versos mais transparentes enfiar pregos sujos, ciscos de olho, moscas de pensão…”
Quanto se poderia fazer pela música? Escrever seu nome no cimento?
Vá já ouvir Érika Machado e ganhe seu dia de pássaro.

Patricia Palumbo

APERITIVO: ERIKA E O CLIP DE “SECADOR, MAÇA E LENTE”