Onde está Zélia? Momento “duncanmaníaco” no Ibirapuera

P1000830Em turnê de lançamento do novo cd “Pelo Sabor do Gesto”, Zélia Duncan me recebeu rapidamente pra um papo entre dois shows no mesmo dia. O primeiro foi num domingo de sol no Ibirapuera e foi nos camarins do lindo auditório que nos falamos. Do lado de fora “duncanmaniácos” aguardavam ansiosos por sua saída e é de lá essa foto que estampa o post. Só se pode ver o braço de Zélia entre a turba amorosa e quase incontrolável.

no meio da confusão, onde está Zélia?

no meio da confusão, onde está Zélia?


Depois de presenciar a cena me lembrei da entrevista que fizemos para meu primeiro livro, o Vozes do Brasil vol.1 quando conversamos sobre tudo, inclusive a relação com os fãs. Falamos de “Catedral”, seu primeiro grande sucesso, e da identificação com o artsita através da música. Transcrevo aqui um trecho:
(…) Numa ocasião anterior, a gente falou sobre essa conversa sua com a platéia. Você disse: “É, agora estou deixando rolar…”
Já foi mais tenso. Quando sinto que o público me conhece eu relaxo um pouco mais. Também é a minha maneira de reagir (…) Há dias em que me sinto bem pra responder e me dou ao luxo de brincar e falar.
Já vi jogarem pétalas de rosa pra você no palco… Seus fãs são muito efusivos e calorosos. Como é essa proximidade?
Houve uma fase de adaptaçao. Tanto minha quanto deles. Depois de tanto tempo no anonimato, às vezes dá vontade de mostrar a cada uma dessas pessoas o quanto você está grata. (…) Demorei um tempo pra achar esse meio termo. Um dia, depois de um show, fiquei muito cansada, estava chovendo demais, e resolvi não receber ninguém. Isso criou um problemão lá fora! Forçaram a porta e começou uma guerra entre quem dizia que eu já era outra e quem não pensava assim. (…) O fã-clube tem um fanzine e escrevi uma carta pra eles. (…) Foi uma maneira legal de dizer: “tenho os meus limites e são estes”. As coisas melhoraram.
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Na entrevista tem muito mais. Zélia Duncan foi a primeira artista e me conceder algumas horas pra esse projeto tão importante pra mim: registrar em livro uma geração de artistas que eu admiro e que estão fazendo uma enorme diferença na música brasileira hoje.
Essa conversa foi em 2001 e é interessante ver como é coerente o discurso de então com os rumos de sua carreira. Logo depois Zélia Duncan faria o incrível “Eu Me Transformo em Outras”, um disco que lançou luz sobre a excepcional intérprete e conhecedora da tradiçao da música brasileira, foi um divisor de águas em sua história.

Aqui uma das canções do disco novo:

No Vozes dessa semana tem um papo rápido sobre o acento francês de seu novo disco. Em poucas palavras ela conta a história das canções de Alex Beaupain e da gravação de Telhados de Paris de Nei Lisboa (sobre isso tem um post anterior aqui mesmo no blog).
Pra ouvir confira a sintonia na sua cidade na página Vozes do Brasil no Rádio ou acesse o Território Eldorado na internet (link aqui ao lado).