Mart’nália e Qinho no Festival Vozes do Brasil

QinhoMartnalia

Direto da primeira edição do Festival Vozes do Brasil no Rio de Janeiro, uma entrevista especial com Qinho e Mart’nália no aquário itinerante da Rádio Vozes no Teatro Oi Futuro.

 

 

 

 

 

 

Vozes do Brasil – bloco I (Marina Machado, Marina Lima, César Lacerda, Fernando Temporão, Mart’nália e Qinho no Festival Vozes do Brasil – parte I)

Vozes do Brasil – bloco II (Mart’nália e Qinho no Festival Vozes do Brasil – parte II, Alvinho Lancelotti, Bárbara Eugênia, Thiago Pethit)

 

A poesia italiana de Cesare Pavese, a valsa portuguesa de Antonio Zambujo

Lavorare stanca
É curioso que me lembre dessa expressão em italiano assim solta sem saber de onde, mas fato é que quando encontrei o livro de Cesare Pavese, o título me soou familiar. Abri a linda edição de capa azul da Cosac Naify e foi um deleite. Estou aqui maravilhada com o ritmo, a melodia impressa nas palavras, os temas de Pavese. Ele fala do corpo, da terra, dos cheiros da Itália. “Trabalhar Cansa” é de 1943 e foi seu primeiro livro. Antes traduziu o incrível Walt Whitman, o poeta norte-americano de “Leaves of Grass” e mais tarde Gertrude Stein. Não por acaso. Basta ler os três para sentir o que tem em comum. De preferência em voz alta e na língua original.
Claro que uma boa tradução mantém a cadência, mas não é trabalho fácil. No caso de Cesare Pavese, nessa edição que tenho aqui, o tradutor é o premiado Mauricio Santana Dias que cita Italo Calvino: “Por mais difícl que seja traduzir os italianos, vale a pena fazê-lo; porque vivemos com o máximo de alegria possível o desespero universal. Se o mundo é cada vez mais insensato, a única coisa que podemos tentar fazer é dar-lhe um estilo.”


Prazeres Noturnos

Nós também nos detemos à escuta da noite
no instante em que o vento é mais cru: as estradas
estão frias de vento, e os odores se calam;
as narinas se erguem ao brilho oscilante.

Todos temos a casa que espera no escuro
nossa volta: no escuro uma mulher nos espera
estendida no sono. O aposento se aquece de cheiros.
Nada sabe do vento a mulher que descansa
e respira: o brando calor do seu corpo
é o mesmo do sangue que corre na gente.

E falando em poetas e escritores, essa semana no Vozes do Brasil teremos a voz de Omar Salomão, filho de Wally, em parceria e participação especial na canção “Freio de Mão” do jovem cantor carioca Qinho. Música e poesia da melhor qualidade no seu cd de estréia. E ainda o meu amado Antonio Maria – sou absolutamente louca por ele, em parceria clássica com Vinicius de Moraes na belíssima “Quando Tu Passas Por Mim”. Essa canção foi gravada por Aracy de Almeida, Nora Ney, Olivia Byington e pelo português Antonio Zambujo – essa é a versão que escolhi pra tocar.
Zambujo adora a canção brasileira e aqui mostro outro clássico com ele, “Lábios Que Beijei”, valsa de 1937, de J. Cascata e Leonel Azevedo, gravada por Orlando Silva.